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IBC 2018: Uma feira cada vez mais clean

IBC 2018 – Parte I

por Fernando Moura

Que as mudanças avançam faz parte do desenvolvimento tecnológico. Que o hardware está perdendo espaço para o software já não é uma tendência, mas sim uma realidade. O que fica claro ano após ano, em Amsterdã, é que o RAI (Amsterdam Convention Centre) é cada vez mais um lugar onde se discutem, apresentam e debatem soluções integradas e virtuais.

IBC analisa as mudanças de consumo audiovisual
© Foto: Olímpio Franco

Assim, na capital holandesa, influentes executivos e visionários de toda a indústria se uniram nos corredores, Congresso e Fóruns Executivos do IBC2018 para discutir as principais tendências, oportunidades e disrupções do mercado para pensar as estratégias futuras. Na edição 2018 foram mais de 57 mil profissionais de mídia e entretenimento de mais de 170 países, em uma feira que contou com 1.700 expositores; mais de 400 sessões de capacitação; e mais de 700 representantes de imprensa.
Em uma cobertura diferente, a Revista da SET conversou com o Olímpio Franco, superintendente da SET; Carlos Fini, que será o presidente da SET no biênio 2019-2020; Frederico Rehme, diretor de Ensino da SET; e Eduardo Cappia, diretor de Rádio da SET, e desde o “olhar dos especialistas da SET” fez uma balanço da edição 2018 da maior feira e congresso de broadcast e novas mídias da Europa.
Parece unânime que a convergência chegou e, como disse Fini, “a área de broadcast finalmente se relaciona com empresas como Facebook, Google, 5G. Todas lá estavam”; isso porque, na opinião do superintendente da SET, “o IBC tem evoluído na cobertura abrangente das mudanças e tem inserido com sucesso a maioria do grupo da FAANG (Facebook/ Apple/ Amazon/ Netflix/Google) no evento tanto na feira como no congresso. Só não estavam na feira neste ano a Apple e a Netflix”.

Profissionais de todo o mundo debateram o futuro da indústria em Amsterdã

Para Frederico Rehme os destaques do IBC passam pela “presença de novos fornecedores de maneira geral, da Europa, Ásia e Oriente Médio. A oferta de muitos “desconhecidos” players de segmento satelital, entre eles russos e do oriente; o pavilhão de inovação e futuro, nada exagerado, mas com boa exploração do tema imersão, em vídeo e áudio; e o provável fim do sonho de um padrão único de TV UHD com a demonstração do LDM (no estande da NEC/NHK) como opção ao ATSC 3.0”. Para Fini, o destaque passou pela “interação entre o futuro dos padrões de transmissão com o 5G. Além da já anunciada interação com banda larga”.
Para Franco, um dos destaques foi do Congresso IBC 2018 foi o TM Forum (Telco & Media Forum) que tem um acordo de cooperação com o IBC. “TM & E é a junção de Telecom + Media e Entretenimento.” E nela, “a convergência entre os setores de TM & E está aumentando em velocidade e escala. Aí, a tecnologia das OTTs está perturbando ambos os setores já que as plataformas de visualização e o público estão se fragmentando em várias telas e vários dispositivos. Há uma mudança de hardware para software/IP para produção e entrega; e a corrida está em implantar tecnologias imersivas como 4K/UHD, HDR, VR & AR e AI.”

A indústria aumenta a cada dia a qualidade em toda a sua cadeia produtiva

Ainda, referiu o ex-presidente da SET, as Telcos e emissoras são reguladas, mas não OTTs, o que gera um aumento da batalha pelos direitos de esportes e produção de conteúdo original. “As receitas tradicionais de telecomunicações estão em declínio, buscando conteúdo para diferenciação à medida que fazem a transição para fibra de 5G móvel e roll-out. A evolução intersetorial é um enorme desafio para as empresas de telecomunicações e os radiodifusores tradicionais com ecossistemas radicalmente diferentes e complexos. Novas abordagens

É fato que o software está tomando conta da indústria, mas “embora muito se fale em soluções SDxx (Software Defined), tenho a convicção da importância e do lugar do hardware. E me senti num ambiente com bastante opções e apresentações de equipamentos”, disse Rehme. Para Fini, há várias razões para cada vez ter menos equipamentos nos estandes, “algumas ligadas a custos e logística, mas, a verdade é que temos muito menos hardware atualmente nos sistemas. A camada de software tem crescido. Reflete a tendência”. E Franco reforça: “Com sistemas cada vez mais baseados em softwares, os hardwares estão cada vez menores e restritos. Ou restringem-se a um processador que é emulado por um software ou são sistemas baseados em TI, IP e computadores com interfaces para trabalhar com as operações na nuvem. As telas são os meios de demonstrações das capacidades das operações. O ponto de encontro no estande é facilitado com os cafés, sucos, bebidas e snacks”, mudou o conceito, ao que parece, porque segundo Cappia, “os equipamentos hoje em dia são amplamente discutidos no pré feira, via internet. O importante é o relacionamento pessoal com os fabricantes e seus representantes”.

O Futuro da TV
Em termos de futuro, o IBC deixou claro para Rehme, diretor de Engenharia na RCI e diretor da GTD Global, que há “vida longa e próspera à TV Aberta, e, muito depois, ao contínuo e crescente consumo de vídeo e áudio. É da característica do ser humano o uso prioritário destes dois sentidos, visão e audição. Temos muito espaço e vimos demonstração da tecnologia em favor da evolução da qualidade, do realismo e da flexibilidade de acesso às fontes (som e imagem) para estes sentidos. O meio ainda mais barato e massivo de acesso continua sendo o “broadcast”, e os estudos da forma de transmissão de TV aberta unidirecional estão muito vivos, fortes e de resultados realizáveis, factíveis desde já. Se a TV, com esse nome, estivesse condenada, tais estudos e investimentos certamente não estariam sendo apresentados”, afirmou o professor da Universidade Positivo. Assim, para Franco, o futuro passa por desenvolver soluções reais para a indústria comum com os desafios de convergência de mídia / broadcast e telecomunicações, situação que ficou clara nas premissas do acordo entre TM Forum e IBC, que estabelecem “um objetivo chave para o IBC que é atrair e aumentar o envolvimento dos ecossistemas das empresas de telecomunicações”, e que “o ritmo de convergência traz muitos desafios complexos entre setores, não menos importante trabalhar em telecomunicações, TI e ecossistemas digitais”.
O próximo presidente da SET, Carlos Fini, foi contundente na sua análise. “O futuro é convergente, interativo, mas com enormes desafios regulatórios e de mercado. Temos que lembrar que a TV aberta é a única que permanece gratuita”.

O rádio

No painel sobre o Rádio Digital DAB no mundo. Joan Warner, CEO da Commercial Radio Australia, em nome do presidente do consórcio WorldDAB – Patrick Hannon, apresentou o panorama atual da implantação, crescimento de quase 30% nos últimos 2 anos em número de público, e apontou os objetivos futuros até 2020, que são a injeção de 48 programas diferentes de áudio a cada 2,0 MHz de Band
© Foto: Eduardo Cappia

Eduardo Cappia disse que o olhar europeu sobre o rádio e o seu consumo é diferente do norte-americano, e que no Congresso foi possível analisar o “aspecto do tradicionalismo do hábito de consumo áudio”, e que os países divergem. “O rádio na Europa tem grande penetração. Na Inglaterra, por exemplo, temos 76% convivendo o o DAB (Digital Audio Broadcasting, uma norma de rádio digital desenvolvida pelo projeto europeu Eureka 147) com o Rádio Analógico. Já a Noruega desligou o rádio analógico FM no mês de Setembro. Mas, conversando com a representante da Austrália e da Noruega, percebi que ainda persiste o rádio analógico em pequenas emissoras. O próximo país para o desligamento do FM analógico é a Suíça”.
Ele diz que trouxe para o Brasil “uma boa impressão na parte mais voltada ao áudio, foi dos produtos, transmissores, equipamentos de testes e transmissão, codecs, excitadores do DAB presente em mais de 40 países, em crescimento. Neste particular assisti ao painel do DAB, o “futuro” do rádio, onde fiz contatos com o pessoal do consórcio DAB e fiz uma proposição de testes do DAB no Brasil. Testes de 2,0 MHz na faixa estendida FM para 48 programas porque é uma solução muito interessante para emissoras em rede SFN e de cunho estatal, já que o localismo ou programação local é um assunto a ser discutido. As taxas e qualidade das programações são diferentes, mas pelo que vimos nos equipamentos, a cada 2,0 MHz de Banda — 48 programas”, afirmou Cappia.
Eduardo Cappia disse, ainda, que os debates são de alta qualidade no IBC. “Fizemos uma consulta a um fabricante de antenas espanhol, o RYMSA, sobre a canalização FM analógica em 400 kHz e a possibilidade de antenas multiplex. Não viram uma fácil viabilidade técnica para isso, pelo desafio de isolação entre as portadoras e os custos dos filtros”.