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Globo anuncia integração de broadcast e broadband na TV dos brasileiros

SET EXPO – Reportagem Especial

Raymundo Barros (Globo) disse que a empresa “reconhece o televisor como uma plataforma “, por isso quer oferecer ao espectador uma experiência integrada de TV

Emissora fechou pareceria com a TCL que afirma que este pode ser o começo da TV 2.0 com o desenvolvimento de um framework que pode dar um novo rumo ao Ginga

por Fernando Moura, em São Paulo

A plataforma Globoplay é a responsável pela implementação de uma nova forma de integração entre o broadcast e o broadband que se constitui em uma evolução do padrão ISDB-T de TV Digital com um novo framework avançando, de alguma forma, para um formato de HybridCast. Assim, transcorridos 18 anos do século XXI é possível inferir que, ao contrário das profecias de alguns intelectuais, a TV não vai acabar, mas sim vai se transformar. A transformação passa por uma experiência em múltiplas telas ou plataformas, na qual o conteúdo continuará a ser preponderante para os serviços de TV aberta, seja por espectro ou streaming.

A aplicação é, para os seus desenvolvedores, o “embrião do profile D” do Ginga que está a ser debatido no Fórum SBTVD
© Foto: Fernando Moura

Raymundo Barros, diretor de Tecnologia da Rede Globo, anunciou em conversa com jornalistas durante o SET EXPO 2018, que a Globo avançou para a digitalização e que desenvolveu um novo framework que permitirá aos espectadores que tenham a aplicação do Globoplay em suas TVs conectadas poderão comutar automaticamente o sinal de TV aberta para broadband e, assim, usufruir dos conteúdos que a emissora produz em 4K, de formatos exclusivos ou diferenciados e até de interações com canal de retorno via Internet. “Queremos dar ao espectador uma experiência integrada de TV”.
A primeira experiência é com uma plataforma proprietária desenvolvida junto à Mirakulo e embarcada na Smartv, modelo L55S4900FS, da TCL Corporation, empresa chinesa que produz TVs e as vende no Brasil. As telas chegarão às lojas brasileiras com uma nova aplicação nativa que permitirá que a Globo avance para um modelo híbrido e crie uma sinergia entre o broadcast e o broadband, decisão pioneira na TV brasileira. Isso porque, como Barros disse na coletiva de imprensa, a Globo lançou o Globoplay em 2016 e desde lá tem tentado adaptar-se às mudanças tecnológicas. “Já estamos em quase todos os devices conectados ou mídia centers. Criamos entre marcas, modelos e firmwares mais de mil versões do Globoplay que estamos gerenciando para que a plataforma seja compatível com todos os dispositivos”, isso porque, segundo o executivo, “a cada novo modelo de TV, as marcas mudam certas especificações que influenciam no uso do aplicativo”.
Tudo, disse Barros, porque a Globo reconhece o televisor como uma plataforma, e por isto, ampliou o seu relacionamento com os seus fabricantes que, no caso da TCL, serviu para embarcar o desenvolvimento de “um Globoplay nativo. o que não é muito diferente do que a Netflix faz. São acordos que iremos construindo com os parceiros de tal maneira que a experiência do Globoplay nestas plataformas continue evoluindo. A discussão não é um modelo que opere standalone, porque isso seria basicamente mais um Netflix, Youtube, Hulu, Amazon Prime. O que nós desenvolvemos é um Globoplay que fala com a TV aberta, e no qual a experiência de assistir televisão pelo ar ao vivo, Live, ela é integrada com a experiência de consumir conteúdos pelo canal broadband de uma forma absolutamente fluida”.
Ante a pergunta da Revista da SET se este era um passo para uma nova forma de transformação e distribuição que poderia indicar o avanço para o HybridCast, Barros disse que “a transformação digital da Globo passa pela integração das experiências over-the-ar com over-the- internet, ou seja, é a combinação de ambas ofertas, porque estas, hoje, são apartadas e complementares. Agora com esta nova versão do Globoplay elas serão complementares e integradas”.
Isso porque, segundo o diretor de Tecnologia da Rede Globo, “temos espaço no padrão ISDB-T para evoluir para um novo framework, um frame de dados”, que foi desenvolvido pela Mirakulo, empresa carioca.

No estande da Mirakulo destaque para o Globoplay embarcado nas TVs da TCL
© Foto: Fernando Moura

Upgrade do Ginga
Na opinião de David Britto Jr., engenheiro sênior de software da Mirakulo, “o SET EXPO é um elo importante para unir os fabricantes de TV e as emissoras, principalmente para atrair o interesse de compradores internacionais e, por isso, é importante mostrar que o padrão Ginga segue evoluindo e conta, cada vez mais, com novas possibilidades”.
A Mirakulo demonstrou no SET EXPO 2018 a evolução do AstroTV, seu middleware Ginga, apresentando cenários de uso híbridos que foram amplamente debatidos no âmbito do Fórum SBTVD e se tornaram base do padrão de receptores do Ginga Perfil D. Esse novo padrão permite combinar a experiência de se assistir TV linear (broadcast) com as muitas possibilidades de interatividade e personalização de conteúdo oferecidas pela internet (broadband), explicou Britto Jr.
Por meio de uma solução que integra a interatividade Ginga (DTVi) a diferentes serviços web, ao assistir TV o telespectador passa a ver conteúdo ofertado de acordo com seu perfil ou relacionado ao programa que estiver passando. Participação em enquetes, votações, oferta de conteúdo relacionado ou personalizado são algumas das muitas possibilidades que essa evolução do Ginga oferece.

As TVs da TCL

João Rezende (TCL) afirma que o Globoplay embarcado é uma espécie de “TV 2.0”
© Foto: Divulgação

A TCL desenvolveu um botão no controle remoto para acesso rápido aos conteúdos do Globoplay

A TCL já tinha se acercado à Globo e, mais precisamente ao Globoplay no ano passado, quando lançou a TV P2 Ultra HD, que foi a primeira a vir com o botão exclusivo para a plataforma no controle remoto. O era compatível com DTVi (decodificador digital para recepção de TV aberta com suporte à interatividade do padrão Ginga do ISDB-T), e o dispositivo tinha WiFi integrado.
O novo modelo, o L55S4900FS, é um LED TV 55 polegadas, Full HD que possui Wi-Fi Integrado e Wireless Display; PVR Ready; processador QUAD Core; e App TV Store. O formato da tela é 4:3, 16:9, Zoom Alongado, Zoom Amplo, Zoom Amplo 2 e Zoom 2. E para rodar o framework chega com DTVi, decodificador digital para recepção de TV aberta com suporte à interatividade integrado.
Em entrevista à Revista da SET, João Rezende, gerente de produtos, reafirmou a parceria e disse que o relacionamento é de longa data. “Desde o lançamento da marca TCL no Brasil temos uma forte parceria com o Globoplay, e desenvolvemos um botão no controle remoto para acesso rápido aos conteúdos do APP. Aceitar o desafio de criar junto com a Globo o que podemos chamar de “TV 2.0” e ser a pioneira nesta inovação foi um caminho natural dentro da nossa parceria. Buscamos sempre novos caminhos para melhorar a experiência dos consumidores para utilizar uma smarTV da forma mais natural e simples possível”.
A parceria é natural e necessária, comentou Rezende. “A smarTV já é parte do dia a dia dos consumidores no Brasil. Atualmente o mercado de smarTVs representa mais de 80% de todo o volume de TVs vendidas no país. O potencial para consumo de mídia nas TVs ainda está muito focado em utilizar aplicativos para consumir vídeos e músicas, porém acreditamos que pode haver uma maior integração entre diversos tipos de mídias”.
Por isso, avança o executivo, “podemos esperar no futuro uma integração dos conteúdos de TV aberta que tem características de massificação, combinado com interações via APP de forma personalizada, seja por região, faixa etária, hábito de consumo etc. Tudo isso irá acontecer de uma forma natural fazendo com que o consumidor não sinta diferença entre utilizar o aplicativo ou assistir aos conteúdos por transmissão por ar”.
Para Rezende, o Globoplay vai ao encontro dos desejos do espectador e da emissora. “Agora podemos utilizar a interação do App com o sinal aberto durante um programa com votação. Enquanto o programa acontece e o apresentador abre a votação para um determinado tema, um “pop-up” aparece na tela para que o consumidor possa escolher direto na TV em qual opção ele quer votar. Até agora, isso só poderia ser feito com o consumidor acessando um smartphone ou computador, mas esta nova versão do aplicativo do Globoplay pode permitir esse modelo de interação, entre muitas outras opções de interação”.