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Gerenciamento e arquivamento de conteúdo digital

Sony Brasil apresentou em São Paulo a terceira geração do seu sistema de arquivamento digital (ODA) e a sua integração com sistemas de MAM

por Fernando Moura, em São Paulo

O digital de longa duração foi o foco de um seminário organizado pela Videodata e Media Portal realizado pela Sony Brasil na sua sede em São Paulo. O evento apresentou o Optical Disc Arquive (ODA), uma moderna linha de armazenamento, no Content Manager Seminar 2017: “Gerenciamento e arquivamento de conteúdo digital”. O seminário contou com a presença de executivos das principais emissoras e programadoras brasileiras e, em dois dias, teve como objetivo mostrar ao mercado audiovisual brasileiro que os novos discos ODA podem ter “uma durabilidade estimada em 100 anos”, afirmou à reportagem da Revista da SET Luis Fabichak, gerente geral Professional Solutions Sony Brasil, transformando-os “na solução mais duradora da indústria”.

Luis Fabichak (Sony) afirmou que “este é o primeiro de uma série de seminários de tecnologia que lançamos no Brasil para levar conhecimento aos nossos clientes”

Em seu primeiro dia, o evento mostrou como os discos ODA operam com o sistema de Gestão de Conteúdo da Media Portal integrado no Brasil pela Videodata em cases no país. Como explicou Fábio Tsuzuki, diretor de Desenvolvimento e fundador da Media Portal, “a tecnologia ODA representa uma quebra na lógica de mercado baseado em obsolescência, essa tecnologia está amadurecendo e esperamos que tenha tanta longevidade quanto às mídias fabricadas com essa tecnologia”.
Nos dois dias, os participantes tiveram um panorama geral das novas tecnologias digitais para preservação de acervos, e “a busca diária pela diversificação e reutilização de conteúdos contribuem para a grande evolução dos sistemas de gestão de conteúdos e arquivamento digitais”, disse Rossalvo, CEO da Videodata.O seminário destacou as vantagens da tecnologia de armazenamento óptico utilizada nos mercados de Broadcast, Cabo, Telecom, Segurança, Governo, Bancos e Medicina, nos quais é distribuída em multiplataformas. A integração de bibliotecas robotizadas — atendendo às mais recentes demandas do mercado de IoT, Big data, Cloud e Virtualização — também estiveram em destaque.
Na abertura do seminário, Fabichak disse que o objetivo da Sony é “apresentar e aprofundar o conhecimento do mercado no ODA, mas avançar com a criação de novas demandas e segmentos de mercado que vão desde o Broadcast até outros mercados como a área médica com a gravação de cirurgias e fotografia da série Alfa”. Assim, “nossa ideia é mostrar a tecnologia e ver como ela é utilizada. Queremos passar um conceito e assim começar uma série de seminários para levar ao mercado o que há de melhor na nossa empresa”.

Evolução dos formatos
Erick Soares, especialista em Pré Vendas Professional Solutions Sony Brasil ministrou a primeira palestra do Content Management Seminar 2017, “Evolução de formatos digitais de arquivamentos e preservação de acervos. Crescimento dos Negócios de arquivamento de mídia Digital nos diversos mercados Broadcast, Telecom, Segurança, Educação, Defesa”.

As tecnologias de mídia estão em declínio porque o mercado procura tecnologias ópticas para arquivamento que possam ser utilizadas nas próximas décadas gerando uma ruptura na indústria, afirmou Erick Soares da Sony

Soares disse que até 2020 teremos um crescimento do volume de informação, um volume que aumentará sem parar passando de um armazenamento a escala mundial de “8.50ZB em 2015 para mais de 45ZB em 2020. Sabemos que hoje em dia é realizada uma média de upload de 48 horas de conteúdo de vídeo a cada minuto no mundo, o que gera uma busca incessante por novas tecnologias de armazenamento de vídeo”.
O executivo afirmou que a maioria dos players da indústria busca soluções com tecnologia óptica que passem pelo “cold storage” que permitam armazenar o conteúdo em longa data, pensando em 50 anos ou mais de duração, sabendo que “diferentes tipos de mídia poderei usar em diferentes ambientes, sem grandes gastos de energia em ar condicionado e preservação, por exemplo”.

Fabio Tsuzuki (Media Portal) analisou um case real da empresa e nele, como trabalhar um tempo de operação de 100 anos para um acervo que cresce 100TB por ano

Os formatos de armazenamento são fundamentais, afirmou Soares, porque eles serão os que de alguma forma garantirão o futuro, e ainda, dependendo do suporte no qual sejam armazenados, haverá ou não um controle sobre estes conteúdos. Neste aspecto, afirmou que “o volume de informação de vídeo tem aumentado exponencialmente com a introdução das novas tecnologias. Hoje uma hora de vídeo HD representa 13 GB e uma hora em UHD/4K mais de 800 GB”.
Além das diferentes formas de armazenamento, afirmou o executivo da Sony, “desde há alguns anos passamos pelo denominado dilema digital da indústria do cinema digital porque para os produtores de conteúdo a tecnologia têm feito que de 5 a 6 anos devam fazer a migração do acervo para novas tecnologias, o que é muito caro. Por este motivo, há menos de 10 anos, se resgatou o conceito de película para preservar os conteúdos.
Em 2012, a tecnologia óptica apareceu como uma possibilidade de armazenamento que sim é de longa data, e por isso a indústria começou a olhar para o sistema de armazenamento digital com bons olhos”.
Segundo Soares, a origem do ODA está no desenvolvimento do CD em 1982, que evoluiu para o DVD em 1996, passou pela primeira geração de discos XDCAM em 2003, e foi desenvolvida em 2012 quando foi apresentada a primeira geração da linha de armazenamento da Sony que tinha uma capacidade de 1.5TB. Avançou para o ODC-3300R com 3.3TB, desenvolvida apenas para arquivo com uma tecnologia de “múltiplas camadas com lazer encima e abaixo para leitura dupla ao mesmo tempo” com interfase USB3. Na NAB 2017, “apresentaremos os desenvolvimentos da 3ª geração do ODA”.
Daniel McDonald, gerente de integração de sistemas Professional Solutions Sony Latin America ministrou a palestra “Tecnologia Optical Disc Archive”, analisando diferentes cases da empresa em distintas áreas de implantação no mercado no que se refere a discos ópticos.
McDonald disse que, em quatro anos, a empresa já instalou mais de 240 livrarias no mundo e mais de 1580 unidades de armazenamento ODA, sendo que ambas “já foram instaladas em quase todos os países da América Latina”, mostrando a importância da região para a empresa. O executivo afirmou que o “armazenamento digital é uma forma de assegurar o futuro dos conteúdos digitais de forma agnóstica”. A tecnologia ODA é escalável e modular. Cada unidade ODS-L30M pode ser expandida podendo chegar até seis (6) unidades com discos de 3,3TB, “o que nos permite criar um storage, em um único rack, de até 1.7 PB”.
McDonald, chegado especialmente de Miami, nos Estados Unidos, onde se encontra a base operacional da marca japonesa para a América Latina, apresentou ainda a Everspam, uma empresa do grupo Sony que trabalha no desenvolvimento de DataCenters que podem chegar a até 64 sistemas ODA, e podem chegar a até os 724 PB “criando sistemas de DataCenters complexos, o que mostra que o ODA está indo para outras áreas do mercado”.

Gerenciamento de conteúdo
Marcelo Blum, gerente de sistemas da Videodata, especialista em sistemas de automação e playout e arquiteturas digitais para Multiplataformas analisou o “gerenciamento integrado de conteúdo digital em multiformatos e multiplataformas”. Para ele, a evolução da tecnologia de vídeo tem sido fundamental nos últimos anos, principalmente na última década.

A virtualização facilita a execução de testes, monetizar os conteúdos e desenvolver a ferramentas de análises de conteúdos, afirmou Marcelo Blum da Videodata

“Hoje a realidade da indústria mudou, os dados fazem parte da vida das emissoras e dos consumidores, e cada vez temos mais pessoas gerando conteúdos audiovisuais. Temos um maior número de canais de exibição, o que faz com que a receita publicitaria já não seja apenas da TV aberta, mas sim de muitos concorrentes em diferentes plataformas de distribuição”, afirmou Blum, ressaltando que o “conteúdo é o rei, mas o maior desafio de hoje é produzir o que importa, o que atrai o consumidor”.
Para o executivo, o grande desafio da indústria é como “fazer mais com menos, ou seja, aplicar a tecnologia, definir melhor os processos e automatizá-los sempre que possível, evitar o retrabalho nos conteúdos e resgatar e monitorar o acervo de mídia das emissoras assumindo que a tendência passa por aumentar a automação com maior interoperabilidade entre empresas de mídia com inteligência na gestão do trafego de mídia e a automação dos fluxos de trabalho”.
Para Blum, as infraestruturas precisam ser virtualizadas porque estas têm como principal função a de consolidar vários serviços e sistemas operacionais em menos servidores através de “instancias virtualizadas operando ambientes 100% virtualizados”, o que gerará vantagens como “redução de custo, aumento de confiabilidade, menor dependência de hardwares específicos e alta disponibilidade com ambientes de simulação de testes”.
Na indústria, “a transcodificação e a orquestração de workflows são fundamentais nos dias de hoje para gerenciar conteúdos em tempo real, realizando uma transcodificação inteligente com edição automática e inserção de gráficos. Converter tudo para tudo sem erros, e se os houver entendê-los e determinar como podem ser resolvidos. Ainda, precisamos trabalhar com um transcodificar adaptativo de Bit Rate para melhorar a experiência de streaming, por exemplo, como observam, é um grande desafio”. Ainda foram referidos temas como Cloud Playout, Recovery disaster, MAM, gerenciamento de sinais e automação.

Novas tecnologias
“Inovação e tendências, como o cliente pode virar seu cliente”, ministrada por rodrigo Arnaut (EraTransmídia/SET), atravessou a tarde do seminário. Arnaut falou de Big Data, sensoriamento e IoT (Internet das Coisas) e trouxe exemplos interessantes como o de um robô com inteligência artificial que participou de uma entrevista ao vivo em um importante canal de TV norte-americano.

Rodrigo Arnaut (SET) fez um balanço do uso das novas tecnologias na distribuição de conteúdos audiovisuais

Arnaut reforçou que em 2020 teremos 40 ZB de informação sendo processada em tempo real e por isso é essencial trabalhar o Data Mining. “Hoje, os dados, para serem úteis, precisam ser minerados, ou seja, precisamos minerar os dados que estão sendo incorporados no mercado. De fato, o Facebook minera apenas 1% ou 2 % dos dados que são subidos à plataforma por minuto porque não há como minerar tudo. O maior desafio de hoje é processar os dados, eles estão armazenados por volume, velocidade ou variedade o que nos gera um problema: como acessá-los para quem sejam de nosso interesse?”, questionou.
O diretor da SET mostrou o trabalho das StartUps que participaram do Desafio SETup de 2016 realizado no SET EXPO, e como estas empresas levaram soluções para emissoras de TV e distribuidoras de vídeo onde é possível minerar dados. O diretor do Esconderijo das Crianças explicou ainda como as startups trabalham em soluções para ser utilizadas em IoT, e como, por exemplo, a realidade virtual (VR), com imersão em ambientes além do mundo real; a realidade aumentada (RA) como uso de objetos gráficos sobrepostos em imagens reais; e a realidade mixada (MR) que permite a imersão com objetos gráficos associados ao ambiente virtual, já fazem parte do universo tecnológico.
Neste ponto, Arnaut disse que estas tecnologias “serão o fim dos smartphones, uma tendência que chegará em três ou quatro anos”, e afirmou que em “dois ou três anos vão desaparecer os aplicativos de celular, haverá chatbots, sistemas de atendimento automático nas redes sociais que solucionaram diversas questões”.
Damian Traverso, arquiteto de soluções da Amazon Web Services (AWS) explicou as principais funcionalidades da plataforma AWS da companhia, e como esta funciona no mercado audiovisual onde a segurança dos conteúdos é o principal objetivo.
Para Traverso, o armazenamento e a segurança são fundamentais porque o mercado de consumo está mudando e, com ele, está aumentando “o arquivamento. Nesse ponto temos de repensar como disponibilizá-lo aos consumidores. Neste aspecto o desafio passa por uma maior largura de banda, melhor capacidade de workload, e com isso, um crescimento da nuvem que permita melhorar o armazenamento”, porque os conteúdos são cada vez maiores – 4K/8K – tornando-se necessário definir como armazenar os conteúdos. Assim, estes devem ser escaláveis para que possam ser distribuídos segundo a demanda que eles tenham e os seus consumidores requeiram.
O executivo disse ainda aos participantes que a nuvem é uma realidade, mas que ela depende da utilidade e de como os clientes acessem a esse conteúdo, seja de objetos com armazenamento ilimitado em tempo e espaço, com armazenamento em buckets com diferentes camadas de acesso, seja online, nearline ou de longa duração, ou com soluções proprietárias.
Um dos cases apresentados pelo executivo da AWS foi o Sony DADC, um serviço na nuvem de vídeo on-demand. Ainda foram explicados os sistemas de nuvens híbridas que podem ser utilizadas pelas emissoras de TV.

O seminário acabou com um workshop onde foi mostrado todo o processo de gestão de um conteúdo 4K arquivado em Optical Disc

Cases brasileiros
Fabio Tsuzuki da Media Portal ministrou a palestra “Dados comparativos e de Desempenho realizados em uma Plataforma em Operação da EPTV”, um case real informado na edição N162 da Revista da SET de agosto de 2016.
Tsuzuki explicou o experimento realizado na EPTV, emissora de Campinas, interior de São Paulo, e que permitiu identificar os principais parâmetros que envolvem os processos de arquivamento e recuperação de conteúdos audiovisuais.
1) Agendar 12.000 vídeos jornalísticos para serem arquivados. Os vídeos contem matérias jornalísticas com duração média de 3 minutos, o volume total a ser arquivado é de 4.5TB.
2) Agendar 500 vídeos pós-produzidos para serem arquivados. Os vídeos contem matérias pós-produzidas com longa duração, o volume total a ser arquivado é de 1.2TB.
3) Recuperar os 12.000 vídeos jornalísticos arquivados.
4) Recuperar os 500 vídeos pós-produzidos arquivados.
As medições foram feitas tanto para tecnologia LTO como para tecnologia ODA. O fundador da Media Portal disse que “as mídias com tecnologia ODA são as primeiras mídias projetadas para arquivamento digital e suas características fortalecem a aplicação para esta finalidade. O acesso randômico permite inserir o seu uso em acervos jornalísticos onde a recuperação rápida é uma característica importante”.
“O custo da tecnologia LTO é bastante acessível, mas esse custo pode ser superado se considerarmos o panorama para arquivamento de longo prazo, pelo menos 100 anos. Neste panorama os custos operacionais precisam ser considerados e são referentes ao processo de migração do suporte físico, devido a obsolescência dos drives e das mídias. Garantia de 100 anos é algo inédito! Apesar deste nosso esforço para compreender o impacto desta nova tecnologia nos negócios, necessitamos de mais estudos e esperamos que novas tecnologias que garantam a longevidade dos acervos digitais sejam desenvolvidas e disponibilizadas ao mercado. A garantia da compatibilidade entre as gerações mais antigas de mídia e as novas gerações de drives é algo positivo”, afirmou.
Assim, explicou o que a plataforma Media Portal faz e como o Media Processing Workflow trabalha, e disse que no case se adotou “uma política de compatibilidade no desenvolvimento de nosso sistema. Recentemente fizemos um grande esforço para modernizar e integrar o Media Portal com o ambiente de cloud computing. Agora o sistema tem novos conceitos de arquitetura, mas será possível fazer um upgrade do sistema antigo e ter o novo sistema em produção, pois todo o trabalho de desenvolvimento foi executado pensando na compatibilidade. As qualidades que garantem compatibilidade e padronização são totalmente alinhadas com o conceito de longevidade nos negócios, a compatibilidade e padronização serão ainda mais efetivas se forem abertas e de domínio público”.
Finalizando sua palestra, Tsuzuki disse que “a tecnologia ODA representa uma quebra na lógica de mercado baseada em obsolescência, essa tecnologia está amadurecendo e esperamos que tenha tanta longevidade quanto às mídias fabricadas com essa tecnologia. Ela depende da luz, e por isso a sua longevidade”. Ao lado de Ercik Soares (Sony), o palestrante ainda desenvolveu um workshop de todo o processo de gestão de um conteúdo 4K arquivado em Optical Disc e projetado em 4K salvo em Optical Disc e projetado em uma TV 4K.