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A fusão definitiva do novo com o tradicional

NAB 2017 “O OLHAR DOS ESPECIALISTAS DA SET”

por Paulo Canno

Quem participou da NABShow na última década pôde constatar o avanço crescente das novas tecnologias sobre a radiodifusão tradicional. Muito embora esse avanço tenha se acentuado ano após ano, pareceu-nos até 2016 que as novas tendências tecnológicas não ocupavam o mesmo patamar das tecnologias tradicionais, apesar da enorme atratividade que essas tecnologias já vinham exercendo sobre o público em geral, que, em última análise, é o nosso cliente mais importante.
Finalmente, neste ano de 2017 foi diferente, até pelo tema (THE MET EFFECT, onde M-mídia, E-entretenimento e T-tecnologia), as novas tecnologias se destacaram, tanto no ambiente da exposição de equipamentos, como nos painéis de palestras. Apresentamos a seguir algumas tecnologias que entendemos como evoluções marcantes:

Cloud
Várias empresas, principalmente (mas não apenas) as gigantes (Google, Amazon) provenientes do ambiente de TI, apresentaram suas soluções em cloud. Porém, empresas tradicionais da área de broadcasting também se empenharam em oferecer recursos alinhados a essa tendência, como a Sony.

Machine Learning
Uma das tecnologias que mais apareceram em palestras e no ambiente da exposição. Tivemos oportunidade de assistir às demonstrações nos estandes da IBM (Watson) e da Quantum (Veritone). Assisti também ao painel de palestras da Google sobre o assunto. A tecnologia tem aplicações diversas, tais como pesquisa de vídeo e/ou áudio através do reconhecimento da face, da voz, da marca, da emoção e do texto, dispensando, de certa forma, a criteriosa e trabalhosa metodologia de indexação utilizada atualmente.
Há também muitas aplicações dessa tecnologia em processos de relacionamento com clientes (CRM), sob as mais variadas formas. Nas demonstrações às quais assisti, faziam-se muitas referências ao SalesForce – www.veritone.com/wp/meeting-of-the-minds-al-dealjoins- ibms-watson-with-salesforces-einstein/

Áudio e Vídeo sobre IP – VoIP e AoIP
Como era de se esperar encontramos uma profusão de produtos e palestras sobre o assunto. Constatase uma rápida e inexorável evolução da tecnologia. Robert Erickson, IP Evangelist da Grass Valley, em sua palestra “IP and COTS Infrastructure – What we learned” ironizou que embora se busque por um padrão IP universal – e se hoje existem 14 padrões IP – é provável que em breve existam 15 padrões. Ironias à parte, Erickson falou sobre o padrão SMPTE 2110, tido como de consenso na indústria de mídia e que se encontra em fase final de elaboração. O slide abaixo, da apresentação de Robert, ilustra o conceito no qual se baseia o SMPTE 2110.
Drone A performance dos drones continua evoluindo assim como suas aplicações. Na NABShow2016 ouvi, pela primeira vez, sobre a utilização do drone como auxílio para a supervisão e manutenção de torres (pontos de corrosão, situação dos estais etc.), como também para a obtenção de diagramas de irradiação de antenas já instaladas. Na NABShow2017 deparei-me com a SixArms-Airbone Radio Measurement Systems, empresa australiana que executa serviços de levantamento de diagramas de antenas, na faixa de 500kHz a 6GHz. Além do serviço, a SixArms — www.sixarms.com/what-we-do, também fornece o drone, dotado de antena, spectrum analizer e encoder, como na foto abaixo. Ainda, a título de ilustração, segue um slide da palestra “Development of Unmanned Aerial Vehicle for Measurement of Broadcast Antennas”, proferida por Mr. John Kean, Senior Engineer da Cavell Mertz and Associates.
Além das tecnologias acima citadas, destacamos o ATSC 3.0, cujas funcionalidades estavam sendo demonstradas no “NextGen TV HUB”. Os detalhes encontram-se no site www.nabshow.com/news-relea ses/nextgen-tv-hub-showcase -benefits-new-broadcast-tv -standard-2017-nab-show
O 4K teve um destaque muito especial, principalmente ao ser utilizado em uma transmissão ao vivo, desde a estação espacial internacional (ISS) para o centro de convenções de Las Vegas, onde se realizou a NABShow2017. A apresentação dos astronautas da ISS pode ser vista pelo link — www.youtube.com/watch? v=AExVC9RqIyc
Algumas das tecnologias emergentes já foram ou estão sendo introduzidas na operação das emissoras, com maior ou menor intensidade, como as câmeras 360°, cloud e drones. Outras, como Machine Learning, serão adotadas, na medida em que a relação custo/ benefícios tornar-se interessante.
Penso que ainda que algumas tecnologias, como Realidade Virtual, não se mostrem operacionais, dentro das limitações tecnológicas do ambiente de TV aberta, será necessária a inserção dessas tecnologias em nosso conteúdo, pois estão presentes no dia a dia e despertam muito interesse junto aos nossos telespectadores, principalmente entre os mais jovens.

Paulo Roberto M. Canno Paulo Roberto M. Canno
é diretor de Tecnologia da Rede Gazeta do ES/ SET. Graduado em Engenharia Elétrica pela Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo e Pós-Graduado em Gestão Empresarial pela FGV. Desde 1986 na Rede Gazeta do ES (Afiliada a Rede Globo), é responsável por toda a infraestrutura tecnológica que suporta as emissoras de Televisão e Rádio do grupo. Contato: pcanno@redegazeta.com.br