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Estudantes de Comunicação participam do Congresso de Engenharia de Televisão

Congresso SET

por Henrique da Silva Pereira, Fernanda Rúbia e Matheus Mello

O SET Expo 2017 contou, neste ano, com a participação de estudantes da Universidade Estadual Paulista, a UNESP. Os alunos do curso de graduação em Comunicação Social: Radialismo e do Programa de Pós-graduação em Comunicação da universidade acompanharam as palestras do evento como ouvintes e também puderam circular pelos corredores da feira. O destaque ao fato se dá pela aproximação de cursos que lidam com a produção e análise de conteúdo audiovisual em um congresso que focaliza suas atividades na área de engenharia do broadcast. Evidentemente há uma ressonância entre a “produção” e a “operação” dentro do ecossistema de emissoras televisivas, a realização narrativa – tanto ficcional como jornalística – se dá pelas possibilidades tecnológicas disponíveis no parque operacional da emissora. Sabe-se, entretanto, que a formação de profissionais da área televisiva muito se dá de forma segmentada. Há uma especialização em demasia às áreas que compõem a emissora. Faz-se, portanto, necessário o diálogo entre esses especialistas. Se para McLuhan “o meio é a mensagem” torna-se fundante compreender as possibilidades do meio para poder produzir variadas mensagens que consigam dar conta das características de tal meio.
Sabe-se que toda comunicação também é “técnica”, isto é, depende de um processo que envolve técnicas para conseguir comunicar a mensagem. Tomemos como exemplo a fala: o ato de falar depende de processos psicofísicos (processamento neural, movimentação de músculos bocais etc.) e também de um código, uma gramática, um conjunto finito de possibilidades que estarão disponíveis ao falante. Assim, um indivíduo hipotético que domine o código linguístico mas não domine os processos psicofísicos (a técnica) não conseguirá se comunicar; o contrário também se aplica: a técnica sem o conteúdo não passa de uma gramática.
Nesse sentido, imbricado à produção broadcast, faz-se necessária a participação de profissionais que lidam com a “comunicação” em discussões e estudos que contemplem a engenharia – o meio que permite que a “mensagem” se desenvolva.
Assim, a lógica de produção massiva em suas vertentes artística, jornalística e social muito tem a se desenvolver com esse olhar da comunicação para a operacionalização.

Os alunos participaram do Congresso SET
EXPO como parte do convênio
Unesp/Revista da SET

Sob o olhar destes alunos da UNESP alguns pontos dessa vertente (a engenharia sob o olhar da comunicação) se destacaram: primeiramente, os retornos acerca do switch-off do sinal analógico e seu avanço no mercado nacional. Em contraste, se há esse olhar ao presente com o desligamento analógico, o vislumbre das tecnologias futuras como transmissões em 4K e 8K e seu processo de captação e pós-produção foram extremamente presentes nas discussões dos alunos. Outro ponto que se destaca é percepção do fim da era-SDI e o começo da IPTV, evidenciando os desafios que as equipes de engenharia têm pela frente em conjunto com as equipes de infraestrutura de redes. Além do mercado puramente televisivo, muito se destacou no que se refere aos novos meios como de Realidade Virtual e também as possibilidades que a internet como plataforma de distribuição de conteúdos permite ao player e ao produtor audiovisual.
Há na participação dos alunos de graduação no congresso e na feira da SET um caráter didático que fundamenta a formação profissional. A velocidade de transformação das tecnologias envolvidas na transmissão broadcast nem sempre consegue ser aplicada em sala de aula. Dessa forma, um evento que traz profissionais experientes e que desenvolvem tecnologias relevantes representa um ganho à formação dos alunos, permitindo que, no momento em que se encaminhem no mercado, estejam alinhados ao que há de mais contemporâneo em termos de engenharia broadcast. Para os alunos de pós-graduação, há um ganho no sentido de visualizar os caminhos que o mercado audiovisual brasileiro e internacional vem seguindo, permitindo em suas pesquisas aplicar teorias e questionar fundamentos, possibilitando uma ampliação no desenvolvimento científico para área, balanceando a comunicação e a engenharia.