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A 28° Edição do Congresso SET EXPO contou com a presença de cerca de 2 mil congressistas, distribuídos em cinco salas do Expo Center Norte nas 60 sessões organizadas pela entidade que debateram o que está passando, o que passou e o que está por vir na indústria audiovisual brasileira e mundial

Congresso SET EXPO 2016 – Parte II

Congresso SET – Parte II

O 28º Congresso SET Expo apontou inovações e mudanças nas indústrias de broadcast e novas mídias. O evento contou com mais de 200 palestrantes de renome internacional, e sete keynote speakers, que se apresentaram durante quatro dias a cerca de 2 mil congressistas, em São Paulo. As palestras foram distribuídas em cinco salas do Expo Center Norte, nas 60 sessões organizadas pela entidade. As discussões abordaram o que está passando, o que passou e o que está por vir na indústria audiovisual brasileira e mundial

por Fernando Moura, Francisco Machado Filho, Gabriel Cortez e Isaac Toledo

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Localismo, mobilidade e participação dos usuários foram apontados como tendências na radiodifusão, por pesquisadores que estudam as relações entre a comunicação e as novas mídias, em uma das 60 sessões de debate que compuseram a programação do 28º Congresso SET Expo, realizado de 29 de agosto a 1 de setembro de 2016, em São Paulo, no Pavilhão Vermelho do Expo Center Norte.

Sessão contou com a presença de representantes de diferentes áreas de captação de áudio e acústica

Sessão contou com a presença de representantes de diferentes áreas de captação de áudio e acústica

Em um contexto de convergência midiática e de transformações nas formas de produzir conteúdos, palestrantes apresentaram “a visão da comunicação para o futuro do broadcasting e das novas mídias” em painel moderado por Fernando Moura (Anhembi Morumbi/Revista da SET). A sessão contou com as contribuições dos professores de jornalismo Francisco Machado Filho (Unesp/Bauru), Nivaldo Ferraz (Anhembi Morumbi) e Renato Curz (Senac/Inova.jor) e fez parte de convênio de cooperação SET/Unesp que, desde 2013, tem como parceiras a Revista da SET e a Unesp/Bauru.

Professores de jornalismo trocam experiências com aqueles que dão o suporte e ferramentas para produção e distribuição de conteúdo no Congresso SET EXPO 2016

Professores de jornalismo trocam experiências com aqueles que dão o suporte e ferramentas para produção e distribuição de conteúdo no Congresso SET EXPO 2016

Assim, em uma, das mais de 60 sessões que compuseram o Congresso, acadêmicos brasileiros da área de Comunicação tiveram a oportunidade de analisar as mudanças na cadeia de produção audiovisual, com ênfase na distribuição de conteúdo e em como o comportamento da audiência está mudando frente às novas demandas da engenharia de televisão na TV Digital Terrestre e nas novas plataformas de distribuição audiovisual por streaming, sejam estas VoD ou OTT.
Francisco Machado Filho abordou os novos modelos de negócio em TV aberta, com ênfase no localismo, e afirmou que “precisamos olhar para a TV aberta no Brasil a partir de ações de comunicação voltadas a engajar a audiência de áreas de abrangência local. Não pode ser apenas um aparato para divulgar informações regionais. É preciso conectar as pessoas localmente, a partir do uso de ferramentas de big data como fonte estratégica de engajamento do público”.
Renato Cruz citou o criador do site Buzzfeed, Jonah Peretti, e lembrou que, hoje, “se um conteúdo não pode ser visto pelo smartphone, ele não existe”. “Vídeos digitais, redes sociais e mobilidade são convergentes. A audiência [de sites como o BuzzFeed] é principalmente móvel. Passamos de um ambiente em que o conteúdo era escasso, para um ambiente em que o conteúdo é excessivo, mas, o tempo das pessoas é escasso. Por isso, o grande desafio é o engajamento”, argumentou.

Falando sobre a sua área de especialidade, Nivaldo Ferraz afirmou que as novas mídias possibilitam uma colaboração efetiva entre o ouvinte e as emissoras de rádio. “Essa cultura participativa, via aplicativos, é fundamental”, disse. O palestrante afirmou, ainda, que “o encontro entre o rádio tradicional e as vias e possibilidades digitais está em andamento, um bom andamento”, e que “o futuro passa por um contexto convergente onde a relação com o tempo seja atemporal e os espaços se deem em fluxos”.
Deste modo, referindo-se à migração da rádio AM para FM, o professor da Anhembi Morumbi lembrou que é preciso analisar as conse- quências sociais e de conteúdo dessa migração e entender que, muito provavelmente, teremos uma perda de ouvintes da área rural brasileira. Por isso, ele considera necessário que o governo “prove que uma parcela do público não terá diminuída a oferta de emissoras para ouvir em seu dial convencional, porque esta parcela do público que pode perder é rural, localizada a uma distância em que a onda AM alcançava e a FM pode não alcançar”.

A 28° Edição do Congresso SET EXPO contou com a presença de cerca de 2 mil congressistas, distribuídos em cinco salas do Expo Center Norte nas 60 sessões organizadas pela entidade que debateram o que está passando, o que passou e o que está por vir na indústria audiovisual brasileira e mundial

A 28° Edição do Congresso SET EXPO contou com a presença de cerca de 2 mil congressistas, distribuídos em cinco salas do Expo Center Norte nas 60 sessões organizadas pela entidade que debateram o que está passando, o que passou e o que está por vir na indústria audiovisual brasileira e mundial

É uma perda considerável, já que a decisão da migração parece beneficiar mais as emissoras de centros urbanos, com melhor poder financeiro, sendo que “os 24 milhões de ouvintes rurais podem perder opções. Estão fora da inclusão digital, e agora fora da inclusão formal que tinham pelas rádios AM locais”.

Desafios do VOD e OTT
A sessão que pretendeu discutir os desafios de plataforma que vem, ora competindo e ora ampliando a distribuição de conteúdo com a televisão aberta, teve início com a fala do presidente do Fórum SBDTV, Roberto Franco fazendo uma contextualização da utilização desta plataforma no Brasil e no mundo, com ênfase no mercado americano.
A partir da introdução de Franco, foi possível perceber que esta modalidade está, sim, impactando o mercado norte-americano, principalmente o mercado de TV paga. Aqui, no Brasil, Franco chamou a atenção para o fato de que, “neste momento, em nosso país, estamos vivendo uma guerra aberta”, pois não há modelos de negócios definidos, não há regulação e não há controle por parte do radiodifusor. O foco deve estar no consumidor, afirmou Franco. As demandas do consumidor que quer mais qualidade, controle de ver o que quiser onde e como e interatividade.
“O desafio é grande no Brasil”, considerou.

O presidente do Fórum SBDTV, Roberto Franco chamou a atenção para o fato de que, “neste momento, em nosso país, estamos vivendo uma guerra aberta”, pois não há modelos de negócios definidos, não há regulação e não há controle por parte do radiodifusor para as plataformas de OTT

O presidente do Fórum SBDTV, Roberto Franco chamou a atenção para o fato de que, “neste momento, em nosso país, estamos vivendo uma guerra aberta”, pois não há modelos de negócios definidos, não há regulação e não há controle por parte do radiodifusor para as plataformas de OTT

Marcelo Bechara, diretor executivo do Grupo Globo, apresentou os dados do consumo de conteúdos na internet e a faixa de público que consome toda essa gama nas diversas plataformas e redes sociais. Posto isso, Bechara entrou especificadamente na questão do vídeo sob demanda e classificou os tipos de VOD disponíveis atualmente em: Tradicional VOD – permite baixar o conteúdo por um preço fixo;
Subscription – permite o acesso com uma assinatura mensal;
Ad-supported – permite acesso gratuito ao conteúdo suportado pela publicidade;
Catp-up TV – permite ver o conteúdo da TV através de aplicação com ou sem publicidade e assinatura.
Bechara defendeu que, no futuro, o que hoje chamamos de plataforma serão na verdade os canais e que os canais atuais serão as plataformas. Isso quer dizer que chegaremos ao ponto em que o usuário poderá ser obrigado a escolher os canais que quer e excluir muitos outros, e isto não é interessante para a TV aberta. Ele afirma acreditar que a televisão aberta não irá acabar, mas como sua natureza é gratuita e de massa ela irá se dedicar a uma programação noticiosa, esportiva e para eventos de massa. E as pesquisas demonstram isso. Bechara apresentou uma série de dados que demostram essa tendência de consumo por parte da audiência mais jovem que tem acesso a toda esta estrutura de distribuição.

Skip Pizzi, representante da NAB (National Association of Broadcasters), trouxe sua experiência no mercado de VoD e OTT dos Estados Unidos

Skip Pizzi, representante da NAB (National Association of Broadcasters), trouxe sua experiência no mercado de VoD e OTT dos Estados Unidos

O palestrante ainda se mostrou preocupado com a falta de regulação do VOD no Brasil, que, em sua opinião, propositalmente, não foi incluído na Lei do Seac 12.485/2011. A Ancine (Agência Nacional do Cinema), a partir dessa própria lei, passou a ter a obrigação de seguir a direção do Conselho Superior de Cinema. Este conselho publicou, em 2015, uma intenção, ainda sem conclusão, de se criar uma regulação para o VOD, mas isso ainda não tem data e nem as diretrizes para esta regulação. E o que está por trás disso, imposto, na opinião de Bechara. Os impostos do Condecine e ainda, a questão das cotas, direitos autorais, neutralidade da rede e publicidade. Questões que influenciam diversos setores e players do mercado.
A questão é delicada e por isso mesmo não foi ainda tradada. Enquanto isso, o Brasil vai tentando se adequar ao gosto do consumidor e a suas novas tendências de consumo, em um terreno desconhecido, o que deixa tudo ainda mais difícil para a TV aberta.

O diretor Multiplataforma da SBT, Rodrigo Navarro, trouxe sua contribuição para o debate com a visão do negócio de OTT e suas similaridades e diferenças com o sistema aberto. Como as empresas de radiodifusão podem competir nesta nova ecologia dos meios? O mercado de OTT no Brasil é um mercado relevante, tem crescido significativamente nos últimos anos, então a tendência está confirmada e deve continuar nos próximos anos. Para Rodrigo, o principal foco de um negócio de OTT é o telespectador. Os sistemas de OTT devem ser usados como agregadores para a TV aberta e não concorrentes. Isso cria ameaças e oportunidades.
O modelo de lucro de uma emissora aberta é robusto, pois combina propriedade padrão e administração da cadeia de valor, mas ao mesmo já existem ferramentas e agentes globais distribuidores de conteúdo que oferecem modelos de geração de valor para produtores de conteúdo.

Ex presidente e fundador da SET, Adilson Malta analisou e expicou as competências necessárias que tem de possuir um profissional que quer atuar no mercado broadcast e de novas mídias

Ex presidente e fundador da SET, Adilson Malta analisou e expicou as competências necessárias que tem de possuir um profissional que quer atuar no mercado broadcast e de novas mídias

Skip Pizzi, representante da NAB (National Association of Broadcasters), trouxe sua experiência no mercado dos Estados Unidos neste segmento, que se assemelha ao brasileiro, mas com números mais expressivos, visto a popularidade da internet naquele país e que vem impactando o mercado de TV paga. Isto, ligado diretamente com o gosto da audiência que pode se libertar do controle da programação tanto da TV aberta quanto na paga, mas como a TV aberta é gratuita, a queda se dá na economia que o usuário faz ao deixar de assinar o pacote de TV paga.
O mercado de OTT nos Estados Unidos está concentrado em 6% das residências. De duas (2) a cinco (5) casas possuem uma TV conectada, e mais uma (1) entre três (3) são assinantes de streaming vídeo. Quando a pesquisa se debruça na audiência com idade entre 18-34 anos, os números são ainda mais expressivos.
Pizzi observa que o principal desafio para o SVoD é o tráfego na internet. Plataformas como Netflix e Youtube, sozinhas, foram responsáveis por mais da metade do tráfego de banda larga no horário nobre em 2015. Previsões apontam ainda que 80% do tráfego mundial de internet será vídeo em 2019/20. Além do que, são necessárias várias assinaturas de serviços o que pode comprometer o uso dos serviços OTT.
Assim, na sessão, os palestrantes deixaram claro que seja no mercado que se escolha para analisar, os serviços de OTT e VOD já confirmaram sua tendência de consumo pela audiência e não há volta nesse caminho.

Realidade virtual, imersão e experiências em 360 graus
A realidade virtual, a imersão e as experiências de vídeo em 360 graus foram apontadas como o futuro do audiovisual e do broadcast em sessão que debateu o tema no SET EXPO 2016. Essas novas formas de captação e produção de vídeo possibilitam inovação na maneira de contar histórias em linguagem audiovisual, com conteúdos personalizados e experiências em tempo real, segundo os palestrantes do Congresso SET EXPO. Sandro Di Segni, diretor de efeitos visuais da 02 Filmes, na comunicação “Criando realidades imaginárias”, afirmou que “o mercado está mudando com as possibilidades de produção de câmeras de realidade virtual, que captam imagens em 360 graus e em até 16 K”.
Frederico Grosso, diretor geral para a América Latina da Adobe, em sua palestra “Realidade Virtual: a nova fronteira do storytelling”, destacou que os pilares da experiência de realidade virtual devem ser as novas expectativas dos consumidores, que esperam personalização e relevância de conteúdos e tempo real. “Estamos começando a ver um dos fenômenos mais interessantes na maneira de contar histórias. A plataforma Premiere Pro CC já nos possibilita editar conteúdos em tempo real. O grande desafio é inserir objetos de duas realidades distintas em uma mesma imagem sem depender de estúdios e de chroma-key. O problema com o qual estamos trabalhando é extremamente complexo”, afirmou.
Roberto Citrini, representante da Samsung, lembrou que, “com a realidade virtual, você vai estar onde quer, sem realmente estar. O seu quarto pode se tornar uma grande sala de cinema com um óculos como o Gear e um celular como o S7”.
O palestrante contou ainda que, nos Jogos Olímpicos Rio 2016, em parceria com a Globosat, a Samsung ofereceu a possibilidade de usuários do celular acompanharem a chegada de Usain Bolt, nos 100 metros rasos, a partir de uma câmera instalada na linha de chegada.

Som acústico
Carlos Ronconi mediou a sessão “Áudio e Acústica”, a qual teve como uma de suas premissas o seguinte questionamento: em um mundo de Ultra Alta Definição em 4K ou 8K e de sistemas de áudio em 7.1 ou 22.2 canais, como captar áudio em ambientes não controlados? A pergunta foi desenvolvida por representantes de todos os setores envolvidos na questão da captação de áudio e acústica de estúdios e ambientes.
Renato Cipriane, projetista de estúdios e ambientes, começou explicando uma dúvida corriqueira: existe diferença entre estúdios de broadcast e ambientes de captação de áudio? As situações são muito semelhantes, mas onde o áudio captado será escutado é que faz a diferença. Tanto pode ser em uma televisão analógica ou em um ambiente sofisticado como um cinema. Com os equipamentos atuais é possível montar uma diversidade de ambientes em locais capazes de captar o som para transmissão broadcasting o que, em muitos casos, significa uma economia muito grande na implantação dos estúdios e no custo de produção dos conteúdos. Certamente, os equipamentos influenciam a captação do som e “hoje temos uma gama de equipamentos sofisticados e de última geração para, na verdade, entregar este conteúdo em baixa resolução como o mp3”. Por isso, o projeto de construção de um ambiente de captação tanto para broadcasting ou não, é fundamental.

Palestra moderada por Rodrigo Arnaut debate desafios de gestão em engenharia e tecnologia da televisão

Palestra moderada por Rodrigo Arnaut debate desafios de gestão em engenharia e tecnologia da televisão

O isolamento acústico é outro ponto importante na captação de áudio. Nancy Devai, gerente de Produto da OWA, que atua no Brasil de 1988, apresentou a solução da empresa para revestimentos dos ambientes de captação ou ambientes internos que necessitam de tratamento acústico. Produtos como Sonex e Nexacustic, que são revestimentos e forros de madeira utilizados tanto para aprimorar a acústica quanto para melhorar a estética de um estúdio. O que faz do isolamento uma parte tão importante é que ele tem por obrigação permitir a utilização conjunta de espaço sem transmissão de ruídos tanto externos quanto internos que podem escapar dos estúdios e incomodar vizinhos ou outros setores dentro de uma emissora. O tempo de reverberação é outro fator preocupante para a empresa.
Geraldo Ribeiro, Engenheiro de som da G3R Produtos e Serviços Audiovisuais, iniciou sua fala elaborando um cenário padrão para um mundo ideal da captação de som, mas rapidamente lembrou a todos que no mundo real é tudo é muito diferente. A função da captação e do tratamento de som é exatamente essa, trazer para o mais próximo possível os níveis deste mundo ideal.
Ribeiro também relembrou para a plateia as principais características do som e o trabalho específico que os profissionais especializados têm na captação da voz, principal elemento a ser captado quando se fala em estúdios de cinema e televisão. Para isso, os procedimentos técnicos se aliam a locais controlados de captação e se não são passiveis de controlar, que sejam trabalhos dentro dos orçamentos da produção e sempre com muita criatividade. Os fatores externos que influenciam a captação de áudio devem ser resolvidos e antecipados pelas equipes de áudio. Ribeiro relatou para os presentes sua experiência na produção do filme Cidade de Deus, do diretor Fernando Meireles, que na filmagem das externas na comunidade foram obrigados a recolher os cachorros e hospedá-los em hotéis de animais, para que os latidos não prejudicassem a captação de áudio.
Por fim, Luiz Kruszielski, com o tema “Acústica Voltada para a Dramaturgia”, relatou sua experiência como produtor de áudio na TV Globo e suas experiências em gravações de séries importantes como Liberdade Liberdade e Ligações Perigosas. O principal elemento de gravação é também a voz. “A dramaturgia brasileira ainda é sonora, mesmo na televisão e a televisão muitas vezes é a companhia da pessoa, ou seja, o áudio tem que estar inteligível, mesmo que a pessoa não esteja vendo a imagem”.
Kruszielski também apresentou exemplos, um deles a locação da série Ligações Perigosas que se passa nos anos de 1900 e utilizava como cenário um casarão em Laranjeiras no Rio de Janeiro que fica próximo a uma avenida onde circulam carros, motos e ônibus. O orçamento não permitiu uma intervenção grande na locação, a solução foi tapar, apenas com tapumes, todas as frestas de janelas e portas que permitiam o áudio de alta frequência que vinha da rua entrar no ambiente. “Soluções simples ou sofisticadas e dispendiosas para as produções devem ser definidas sempre em equipe e respeitando a criatividade e necessidade dramática dos demais diretores de uma dramaturgia”, lembrou.

As dificuldades em formar engenheiros de televisão
A multidisciplinaridade do meio broadcasting tem resistência para formar engenheiros especializados na área, afirmaram convidados do Congresso SET EXPO na sessão “Projetos e Perfil Profissional”, moderada por Vitor Chaves de Oliveira (Engenharia – Coach IT Group Inc./UNISAL/ DeVry Metrocamp/SET).
Adilson Pontes Malta (Fundador da SET) comentou como deve ser formado o profissional hoje. “O engenheiro de televisão deve ter imersão em novos conhecimentos. Serão necessários certificados dos formuladores das soluções digitais, saber linguagem de programação, inglês para interagir com os desenvolvedores e capacidade de transição planejada do legado atual instalado,” afirmou.

A cientista de Dados Criativa, especialista em arquitetura e visualização da informação, Letícia Pozza afirmou que é fundamental a democratização da informação, ou a capacidade de gerar conteúdo que gere valor, seja transparente e em um formato compreensível para todos

A cientista de Dados Criativa, especialista em arquitetura e visualização da informação, Letícia Pozza afirmou que é fundamental a democratização da informação, ou a capacidade de gerar conteúdo que gere valor, seja transparente e em um formato compreensível para todos

Reforçando o que Malta disse, Geraldo Ribeiro comentou a importância da formação de engenheiros broadcasting. “Os engenheiro das televisões enfrentam dificuldades pela falta de interesse na formação de um profissional que tenha os saberes multidisciplinares para ser um engenheiro de televisão de hoje, um engenheiro versátil.”
Ribeiro afirma que uma das saídas da situação é ter consciência de que “a categoria profissional e científica (engenheiros) deve pressionar e criar uma proposta de grade curricular para apresentar a algumas faculdades”.
Sergio Martinez, diretor executivo SM facilities, e Luiz Parzianello fundador e presidente da IIBA (International Institute of Businiess Analysis) completaram a mesa. O primeiro tratou do gerenciamento de projetos com foco no método a ser utilizado. Enquanto Parzianello falou de como o melhor gerenciamento de pessoas e o foco no processo merecem maior atenção do que o produto final.

A importância da Big Data
Cada vez mais a análise de dados em tempo real por meio de Big Data vem crescendo no mundo. Por este motivo, o Congresso contou com a palestra “Sensoriamento e Big Data”, moderada por Rodrigo Arnaut (Era- Transmidia/FAAP/SET/Esconderijo), que introduziu o tema ao apontar como uma oportunidade de inovação tecnológica pode garantir qualidade do conteúdo e de produção de TV para os usuários e consumidores. Também discutiu as novas janelas de receitas e negócios para a área comercial dos produtores de conteúdo utilizando a tecnologia como pilar destas soluções.
Os palestrantes foram Kaius Meskavem (empresa Choicely), Philippe Mendes (Co-fundador e presidente da Mediatree Group), Paulo Henrique Pichini (CEO e presidente da Go2neXt), Tatiana Tosi (Professora da Fundação Getúlio Vargas) e Letícia Pozza (Cappra Data Science).
Kaius Meskavem (Choicely), da Finlândia, explicou o desenvolvimento de uma plataforma de rotação envolvendo Big Data. O principal objetivo ao usar este recurso é “apresentar dados em tempo real em todas as plataformas e em aplicativos também, permitindo análise em tempo real em qualquer plataforma,” afirmou.
É, portanto, captar metadados em tempo real e, assim, filtrar a informação. Dessa forma, disse, será possível marcar tal informação com certos filtros, como sexo, localidade, idade e ter recursos em tempo real para determinado evento, como quem foi o melhor jogador de um jogo segundo a votação do público.
Na sequência, Phillipe Mendes (Mediatree) analisou soluções programadas em rádio e televisão para que sempre possam aproveitar o Big Data. “E, para que isto se torne ainda mais um fornecedor de relevância de dados, para qualquer tipo de uso: como a produção de programas, criação de arquivos audiovisuais, aplicativos para telefonia móvel e tablets, eventos esportivos internacionais, entrega de conteúdo para rede sociais e muito mais”. Paulo Henrique Pichini (Go2neXt), falou do processo de sensorização mundial e afirmou que “a transmissão digital dá forma à vida do consumidor, movimenta bilhões ou trilhões de dólares e o crescimento no investimento e os resultados são infinitos em todas as vertentes de mercado comercial ou pessoal”. O grande desafio é como extrair informação de tomada de decisão, planejar e melhorar a vida da população com as informações da rede. O executivo também comentou que o mundo funciona como um “sistema nervoso digital que escuta e fala através dos dispositivos de áudio”. Ele também afirma que “80% das informações serão em vídeo até 2020”. Isso gera demanda por imagens de melhor e maior qualidade e menor tempo de compartilhamento.
Tatiana Tosi, professora da Fundação Getúlio Vergas, analisou a codificação e recuperação de memória. Para ela, as redes sociais como Facebook e Snapchat têm criado mecanismos de cápsulas do tempo. O passado tem se tornado cada vez mais efêmero para esses usuários, então redes sociais têm trazido à tona as lembranças. Tal aspecto tem haver com as relações mais superficiais. Qualquer forma de contato fora da rede ou de aplicativos, ou uma simples ligação, atualmente é algo incomum. “Cada um vive encapsulado no seu mundo com seu smartphone,” afirma Tatiana.
Finalmente, Letícia Pozza (Cappra Data Science) fechou a sessão traçando um panorama do fluxo e gerenciamento dos dados. “O gerenciamento da informação era muito mais simples do que hoje chegando a um estado caótico,” afirmou.