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CALA ELF 2019: Wi-Fi 6 integrado com smart solutions para fundir broadband com wirelles no contexto da 4ta. Revolução Industrial

Líderes da indústria debateram em Miami, Florida, na edição 2019 do CALA Executive Leadership Forum 2019 (ELF), e afirmam que com as mudanças no consumo audiovisual e o aumento de demanda de banda é preciso reformular modelos de negócio e investimento. Até 2039 a indústria prevê a necessidade de um acesso de 40 Gbps por segundo, hoje a maioria dos países da América Latina não chega a 1 Gbps.

por Fernando Moura, em Miami, Florida

German Iaryczower, gerente de banda larga, e Marcos Takanohashi, VP sênior de Vendas para CALA da CommScope

Dos 3 dias de encontro para trocar visões e experiências entre especialistas da CommScope (anteriormente ARRIS) e executivos de nível C dos principais operadores de mídia da América Latina, fica a sensação de que as grandes empresas da indústria convergem para tentar entregar aos seus clientes soluções cada vez mais integradas e com workflows transparentes, que permitam que, além de infraestrutura de hardware e soluções de software que introduzam na cadeia uma série de micro-serviços que considerem soluções de “asset managents” na cadeia end-to-end.
Os executivos analisaram como a transformação tecnológica e a mudança nos hábitos de consumo afetam a maneira que as pessoas se conectam, especialmente na América Latina. Nesse marco, em reportagem à Revista da SET, Trevor Smith, Vice-Presidente Global de Estratégia e Desenvolvimento de Negócios, disse que a empresa se encaminha para soluções integradas. “Somos essencialmente uma companhia de conectividade e, por isso, acreditamos que o futuro passa por melhorar as soluções de conectividade com redução drástica da latência. Acreditamos que o Docsis 4.0 possa ser uma ferramenta chave nesse processo”. De fato, no Keynote “qual o próximo passo com 5G e qual será a evolução do wireless”, o executivo disse as várias dezenas de executivos da América Latina reunidos no Fórum que “o futuro é a junção do broadband com o wireless”.

Isso porque, segundo afirmou Charles Cheevers, CTO da CommScope, “o novo conceito de Home Network (rede residencial) trabalha com a convergência de cinco grandes áreas do ecossistema para transformar as caixas em Smart Media Solutions onde se privilegie os pequenos processadores (Edge Computer) com serviços de broadband”. Assim, as novas soluções que estarão no mercado em 2020 comportam set-top-boxes (STBs) tribanda (2+5+6 GHz) que ocupam smart solutions que utilizam telas como interfaces de seis (6) diferentes devices integrados: SBT 4K+ IoT Hub + Soundbar + Telefone/VC + Controle remoto, e trabalham com Inteligência Artificial (IA) para fornecer Data Driven aos operadores, um ponto pouco explorado ainda pela indústria.
Ante a pergunta da reportagem da Revista da SET se essas caixas já suportam soluções para 8K e, com elas, os soundbars para 22.2 canais de áudio, Cheevers disse que ainda não, mas é questão de tempo. “O que nós pretendemos é oferecer uma experiência cada vez mais ágil e interativa para o cliente final, na qual se ofereçam serviços de triple play com e-services que tenham incluído Data Driven (ML/AI – Machine Learning/Inteligência Artificial) para gerar não só experiência, mas também dados para que o operador possa melhorar o serviço”.

Equipe da CommScope apresentou as principais tendências tecnológicas para América Latina desde o ponto do vista da empresa

Novos olhares
Do encontro, percebe-se que aparecem Novas estratégias de players, programadores e empresas de telecomunicações para enfrentar a 4ta. Revolução Industrial. Em entrevista à reportagem da Revista da SET, German Laryczower, gerente de banda larga da Commscope disse que os clientes finais são cada vez mais importantes na cadeia de distribuição de áudio e vídeo.
O executivo afirmou que a área de Customer Premises Equipment (CPE) é fundamental para a multinacional, já que hoje é preciso entender o consumidor, e quais as suas premissas na hora de escolher um serviço de banda larga. O cliente quer ter um “serviço igual em toda a casa, ou seja, se contrata 100 megas, quer tê-los em todos os cômodos. A segurança da rede é cada vez mais importante, e a visibilidade da rede, que pode ser, por exemplo, acompanhada por meio de uma aplicação (App)” para, desta forma, controlar o fluxo e saber onde a percas de sinal.
Iaryczower disse que até há alguns anos os players, tanto os desenvolvedores de tecnologia como os distribuidores de sinais se preocupavam com a chegada do sinal até a porta de casa, hoje com a “evolução do cliente”, é necessário pensar em soluções e estratégias que sejam desenvolvidas “dentro da casa dos usuários para que estes possam ter uma experiência satisfatória”.

 

O VP sênior de Vendas para CALA de CommScope, Marcos Takanohashi, disse que “a indústria está mudando muito rápido porque a tecnologia avança e avança, por isso necessitamos pensar em uma mudança na estratégia para o futuro”, já que para o executivo a “convergência vai mais além da forma como se recebem os sinais, mas sim como trabalham em comum”. Ele disse que já não importa se o sinal chega por fibra ou rede sem fio, o que importa é como esse sinal converge com o usuário para que e ele tenha uma experiência satisfatória.
Assim, parece ser uma tendência pensar que é preciso uma redefinição das empresas (players) e de como as companhias de telecomunicações pensam o futuro, “Os intercâmbios entre as indústrias são fundamentais para trocarmos elementos”, já que, disse o executivo, o futuro passa por tecnologias que sejam desenvolvidas junto com os players para, dessa forma, chegar aos usuários.

Guillermo Paez, diretor de Plataformas de Entrega de Conteúdo de Telecom Argentina, que administra a plataforma de streaming Flow, disse à reportagem que o futuro passa por uma experiência compartilhada onde o centro das atenções seja o cliente e as suas necessidades

De fato, Morgan Kurk, CTO da CommScope, disse no seu Keynote que vivemos em um momento de crise da indústria de telecomunicações na América Latina e é fundamental ouvir os players para entender as suas necessidades. Mas a crise não é regional, é mundial, já que estamos atravessando a 4ta. Revolução Industrial, uma revolução convergente, e com isso, há “uma mudança estrutural” não só da tecnologia, mas sim de todas as formas de relação e produção. “A chegada do IoT e das redes sociais mudou toda a forma de relacionamento” e “interação das pessoas e a indústria”.
Nesse sentido, Luciano Ramos, SVP de desenvolvimento de redes e planejamento da Rogers, maior distribuidor canadense de telecomunicações afirmou que nos novos tempos, os serviços de TV paga e internet precisam ter ofertas diferenciadas. Por exemplo, na empresa que lidera, os serviços são fatiados em três (3) produtos com nomes e empresas diferentes, dessa forma “temos o produto de entrada que é pre-pago, e os outros dois para públicos com pretensões e necessidades diferentes. Hoje não é possível oferecer o mesmo serviço para pessoas de 50 anos que para os millennials, os primeiros querem qualidade e organização com um call center que os atenda. Os segundo querem serviços que sejam baratos, virtuais e transparentes”.
Pela sua parte, e no contexto das mudanças de hábitos, Kenneth Florenz, diretor de ICT da Altice, empresa norte-americana, afirmou que “em media, nos Estados Unidos, as pessoas fazem 26 mil click nos seus smartphones por dia”. Desses, entre os mais jovens, “quatro (4) mil são para ver se há sinal Wi-Fi, e que qualidade oferece”, e assim, utilizá-la. O que segundo ele, muda a forma não só de relacionar-se, mas também de comprar, vender e trabalhar.

A Revista da SET, foi o único meio  de comunicação impresso do Brasil  a cobrir o evento da CommScope.