Crescimento exponencial do podcast abre grandes oportunidades de negócios

Criado há 15 anos, o podcast (junção de iPod com broadcast) foi tratado por muitos tão-somente como uma mídia de nicho. Entretanto, há alguns anos essa plataforma vem ganhando destaque e chamou a atenção de gigantes como Spotify e Google, empresas que enxergam neste formato uma mídia estratégica.

O tema foi alvo de debate no painel “O podcast viralizou”, uma das atrações do SET Rádio. O painel contou com a moderação de Marco Túlio Nascimento, diretor da ZYDigital.  Ele mostrou uma pesquisa sobre a percepção dos ouvintes do podcast. No Brasil, 68% dos entrevistados pelo Ibope disseram conhecer o que é o podcast.  Na mesma pesquisa, 40% disseram ter ouvido um podcast. “Quanto maior o aumento do consumo [de podcast] maior o faturamento do mercado”, afirma Nascimento, também integrante do Conselho Deliberativo da SET.

O diretor executivo de jornalismo da Rede CBN, Ricardo Gandour, citou exemplos de podcasts bem sucedidos adotados pela emissora, afirmando que esta é uma preocupação existente no grupo desde 2005.

Na Folha de S.Paulo a experiência com podcasts nasceu em 2018 com uma série sobre a história dos presidentes brasileiros. No início deste ano teve início o Café da Manhã, apresentado pelos jornalistas Rodrigo Vizeu e Magê Flores. O programa veiculado logo cedo apresenta os assuntos mais relevantes do dia, sejam eles sobre política, economia, ciência e cultura.

Segundo contou a jornalista Magê Flores, o novo formato  foi produzido a partir da aceitação do público. Hoje o podcast se tornou uma editoria na Folha, tendo uma equipe própria. Os jovens respondem por 85% da audiência do produto, segundo pesquisa divulgada pela jornalista.

Rodrigo Tigre, country manager na RedMas/Audio.ad, apresentou um histórico com momentos relevantes e de impacto do rádio. Entre eles, a transmissão, em formato jornalístico com técnicas de radio teatro do livro “Guerra dos Mundos”, do inglês H.G.Wells, levada ao ar pelo então jovem ator Orsen Welles. A dramatização ficou célebre por causar pânico nos ouvintes na véspera do Dia das Bruxas de 1938.

O palestrante mostrou como o rádio foi personalizado a partir da década de 1950, tomou impulso com o surgimento das fitas K-7 da década de 1960, que permitia gravar parte da programação, até chegar a era do CD. Segundo disse, foram muitas as evoluções nesse período, entre elas o surgimento do Napster, iPod, smartphones e agora as smart speakers. “E o rádio permanece”, afirmou.

De acordo com dados apresentados por Tigre, as projeções indicam que o mercado de podcast irá gerar R$ 1 bilhão até o ano de 2020, o que evidencia que o rádio pode sobreviver e lucrar nesse contexto.