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SET Sul 2018: Soluções para produção de TV driblam espectro e tempo com tecnologias

A evolução da tecnologia têm apresentado dificuldades para a cadeia de produção de notícias, desde a captação até a veiculação, afirmam broadcasters em Porto Alegre

No segundo painel da manhã desta quarta-feira , 13 de junho, o SET SUL apresentou algumas soluções de fabricantes para driblar a questão do espectro de frequências, e produção de áudio em jornalismo e eventos.

Isso, porquê segundo os executivos, o impacto do desligamento da TV analógica nos sistemas sem fio reflete diretamente na questão do espectro e, de acordo com o especialista sênior de Desenvolvimento de Mercado Pró-Áudio da Shure do Brasil, Fernando Fortes, “ainda não demos conta disso. Algumas instalações começaram a sentir esse problema, mas não o encararam com a devido intensidade. O espectro que se usa no microfone sem fio é limitado. Quem trabalha com produção sabe que a solicitação de 40 microfones sem fio vai chegar, mas é preciso saber que a onda eletromagnética é limitada. Comparo com a água: se usar e abusar do recurso vai acabar, ou seja, não vai ter espectro pra todo mundo”, analisou no auditório da UniRitter.

Microfones sem fio operam em caráter de radiação restrita, em determinadas faixas de frequência. Para isso, é necessária certificação e homologação para funcionar. Uma das faixas mais usadas é de UHF 470-806 MHz. Recentemente essa permissão foi alterada, reduzida a 470-698 MHz, devido ao desligamento analógico. “Esse espectro que foi reduzido para a microfonia móvel está ocupado com canais digitais. Outro influenciador é a implantação do sistema 4G, que se encontra adiantado, ocupando a faixa de 698 à 806 MHz. Acima disso, também não é permitido usar microfone sem fio”, explicou à plateia.

Assim, disse, sobra para o microfone sem fio a faixa de 470 a 698 MHz. “Com essa limitação, a solução que temos encontrado é usar o espectro de forma mais eficiente, aplicando modulação digital também para microfones. Também desenvolvemos sistemas sem fio mais modernos, que ocupam o espectro de forma mais inteligente. Nesse modelo, consigo por dois microfones funcionando lado a lado sem interferência”, enumerou Fortes.

Com essa solução ganha-se aumento da densidade do microfone sem fio no mesmo ambiente; ganha-se encriptação de áudio (segurança); menor consumo de bateria, e consegue-se trabalhar com áudio totalmente digital (Dante/AES67) facilitando infraestrutura. “É menos ruído de piso de áudio, maior range dinâmico e menor interferência”, finalizou o executivo.

Mochilinks

A solução para ganho de tempo na captação e edição ganhou um nome nos últimos anos: mochilinks. O termo pode ser definido como uma ferramenta inteligente e integradora da área de jornalismo, oferecendo um trabalho fim a fim, desde o planejamento do jornalista até a ponta de captação e a volta do vídeo para o estúdio.

“É uma transmissão mais confiável porque o equipamento tem maior redundância de bateria conectividade e codificação, e oferece informação roteada via IP. Outra vantagem é poder se interconectar com outras mochilas em campo, sincronizando as informações no tempo e fazendo corte de imagem de uma mochila para a outra, criando automação da informação gerada no campo até o estúdio”, sintetizou Cláudio Frugis, diretor de Vendas no Brasil da TVU Networks.

“Esse processo é feito em partes: por hardware (transmissor e receptor) e softwares (carregadas no servidor ou na mochila), divididos em quatro campos: obtenção, compartilhamento, execução de busca informação, e busca de informação via inteligência artificial (IA) para identificar conteúdo captado e montagem da história”, comentou Frugis.

O processo permite integração com componentes da TV, como o MAM (gerenciamento de mídia). “O ponto chave para tudo isso são os metadados. Ou seja, não adianta nada ter essa informação e tentar inserir metadados no estúdio. Eles são inseridos já na captação, indo pra dentro do estúdio ser trabalhado”, explicou.

Quanto à monetização, Frugis disse que existe o Grid no qual comprador e vendedor disponibilizam conteúdos disponíveis feitos com a mochila em um painel comum. “Houve interesse, mando solicitação para o vendedor. Este recebe e autoriza. A vantagem é que a monetização poder ser feita de duas formas: pelo valor do conteúdo ou pelo megabit transferido. Aí cada um escolhe o que é mais vantajoso”, comentou.

O conceito do Grid foi gerado junto à CNN nos Estados Unidos, um dos clientes que faz uso desse modelo para disponibilizar conteúdo para vários clientes no mundo. “Os serviços são capturados por outra empresa para a CNN, e a emissora compra esse conteúdo para disponibilizar depois”, esclareceu Frugis.

Interconectividade de câmeras

A JVC aposta na interconectividade entre câmeras para transmissão ao vivo. “Estamos fazendo uma ponte entre o mundo de vídeo e o mundo em IP, o qual não somos especialistas. Estamos integrando produtos para formar essa solução”, explicou Armando Ishimaru, gerente de Desenvolvimento de Negócios da JVC.

A empresa partiu das soluções tradicionais em micro-ondas via satélites, passou pelas mochilas e agora apresenta o Pró HD Bridge. “É uma tecnologia integrada, com diferentes conexões para cada situação. Uma vez que coloco as câmeras conectadas na minha rede é como se eu estivesse, mesmo que remoto, na planta de televisão, toda a parte de retorno de vídeo, tele-prompter, e intercom são em IP. Se conseguir linha VPN, estendo o telecom para localidade remota, ai tenho banda garantida”, explicou Ishimaru em Porto Alegre.

No grupo Televisa, no México, a JVC instalou a tecnologia em 25 veículos, espalhados em 21 regionais. “os sinais são configurados para transmissão ponto a ponto. A informação vai para o cloud da empresa Zixi, e este é transmitido para a emissora de volta”, exemplificou o gerente.

Programação Completa do SET SUL

SERVIÇO:
Local:
Auditório da UniRitter, Porto Alegre – RS
Data: 12 e 13 de junho
Horário: 10h às 19h

Por Tainara Rebelo (Porto Alegre) e Fernando Moura (São Paulo). Fotos: Anselmo Cunha (Porto Alegre)