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SET Sul 2018: Executivos apontam desafios para o futuro das emissoras de TV

Formação de profissionais na área foi apontada como ponto crítico

Quais são os desafios que se apresentam na gestão, manutenção e operação das emissoras de TV e que passos são necessários para a modernização das redes? Executivos das principais emissoras do país se reuniram no último painel desta terça-feira, 12 de junho, para responder a algumas dessas inquietações no setor, em rodadas de perguntas comandadas pelo superintendente da SET, Olímpio José Franco.

A qualidade de formação de novos profissionais na área de engenharia foi uma das maiores preocupações entre os executivos do debate. Para o diretor técnico da Fundação Padre Anchieta, Gilvani Moletta, o Brasil corre o risco de precisar importar profissionais, se a economia do país voltar a crescer entre 2% e 3% ao ano.

“A formação em Tecnologia da Informação está muito aquém da demanda das emissoras. Na década de 1980, havia plena certeza de que o engenheiro formado tinha total condição de atender a essas necessidades. Não quero ser derrotista, mas o profissional hoje não é o ideal e a empresa, por sua vez, está despreparada no setor de recursos humanos com ferramentas para fomentar isso”, avaliou Moletta.

O papel da SET nas últimas três décadas também foi lembrado como primordial na aproximação entre a pesquisa e a academia com o mercado. Norton Marcon, da diretoria de tecnologia e operações da TV e Rádios Bandeirantes e BandNews, afirmou que a SET “tem sua parte de grupos de trabalhos para entender as novas tecnologias que estão surgindo” e que as empresas devem seguir o exemplo.

Já o professor da Universidade Positivo, o diretor da SET e da TVCI, José Frederico Rehme, disse que está sempre em busca de rostos novos nas salas de aula. “Em 40 alunos, veremos dois que darão certo. Ficou muito fácil conseguir um diploma. Há uma solução: pagar melhor salário, mas isso entra em outra conta”, analisou.

Frederico Rehme acrescentou outros pontos que são vistos como desafios no setor. Ele disse que engenheiros, diferente de outros profissionais liberais, não se acham deuses em seu conhecimento, “mas nossos chefes acham que somos”, brincou.

Ele ressaltou, ainda, que é preciso ter cuidado com modismos. “Agora, achamos que o IP resolve tudo. Não é conversa de velho, vamos cair no IP porque é o que vai ter, mas ele ainda não está pronto para substituir os sistemas baseados em hardware. A gente tem muito o que aprender ainda para aplicar esse mundo que vai vir”, complementou.

Segundo o Diretor de Tecnologia RBS TV e Diretor de Tecnologia da SET, Carlos Fini, a velocidade da informação tende a superestimar as novas tecnologias, mas cabe ao profissional especializado avaliar com maior distanciamento os efeitos no longo prazo.

“Não tenho dúvida de que IP é um caminho, mas modismos aparecem e desaparecem. Hoje, com as redes sociais e um sistema de informações que fazem as coisas se pulverizarem muito rápido, há muito encantamento com coisas que só depois vão ter o devido tamanho adequado para a solução”, ponderou Fini.

O atual contexto de economia em recessão também foi preponderante em algumas análises, como na avaliação do Diretor de Operações e Engenharia da Record RS, João Carlos Bernardi. “Chegar a todo momento com um novo investimento como forma de resolução para um problema, em um cenário de crise no país, definitivamente não é a melhor solução”, apontou o executivo.

Programação Completa do SET SUL

SERVIÇO:
Local:
Auditório da UniRitter, Porto Alegre – RS
Data: 12 e 13 de junho
Horário: 10h às 19h

 

Por Eduardo Miranda (Porto Alegre) e Fernando Moura (São Paulo). Fotos: Anselmo Cunha (Porto Alegre)