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SET Sul 2018: Especialistas debatem MAM, que vai muito além de arquivamento

Em uma indústria em transformação indústria e broadcasters avaliaram em Porto Alegre soluções de arquivamento de mídia

As novidades do MAM (Media Asset Management), processo que envolve tarefas como ingestão de conteúdos, edição, finalização, exibição, conservação e inserção de metadados em arquivos digitais, estiveram em debate no penúltimo painel da SET Sul, nesta quarta-feira, 13 de junho.

O moderador do painel, Roberto Hoffmann, que é coordenador de projetos na área de tecnologia da RBS TV de Porto Alegre, lembrou que ainda hoje algumas pessoas pensam que a ideia de MAM se resume apenas ao arquivamento de dados.

“A rápida evolução e a complexidade dos tipos de arquivo nos impede de pensar apenas em armazenamento. Antes de tudo, é preciso pensar na entrada da Inteligência Artificial (IA) no MAM e como estão sendo repensados a partir daí conceitos como catalogação e workflow”, pontuou o moderador no Auditório da UniRitter, na capital gaúcha.

Eliésio Silva Junior, gerente de vendas na Seal Broadcast & Content

O gerente de vendas na Seal Broadcast & Content, Eliésio Silva Junior, também chamou a atenção para o foco no fluxo de trabalho. Segundo o executivo, a maior preocupação atualmente tem relação direta com o aumento exponencial de conteúdo que vem sendo catalogado e como acessá-lo de forma mais eficiente.

Novos conceitos que envolvem MAM, como PAM (Production Asset Management), a adoção da tecnologia de File System Compartilhado de Alta Performance e Escalabilidade e novas ferramentas de armazenamento auxiliam o workflow a ter eficiência, segurança, disponibilidade com o investimento mais otimizado possível”, afirmou.

O manejo simplificado de conteúdos mais robustos como Ultra HD, 4K, 8K e 16K também é uma novidade, segundo Eliésio. Por fim, ele apresentou como diferencial a possibilidade de estabelecer políticas diferenciadas de acesso ao MAM para cada tipo de funcionário.

“Antigamente, criava-se um gargalho, com todos podendo acessar da mesma forma os arquivos. Atualmente, podemos criar grupos de pessoas que acessam com prioridade ou não e em diferentes níveis o MAM”, explicou, acrescentando que acessos remotos de um único sistema a partir de outros países e trabalho 24/7 do arquivamento também são uma realidade.

Maior acervo da televisão brasileira é caso de sucesso

Gilvani Moletta, diretor técnico da Fundação Padre Anchieta (TV Cultura)

Para falar do desafio de armazenamento de um dos maiores acervos da televisão brasileira, o da TV Cultura, que reúne arquivos de muitas outras emissoras, como a Tupi, o diretor técnico da Fundação Padre Anchieta (FPA), Gilvani Moletta apresentou algumas das soluções adotadas nos últimos anos pela emissora.

O diretor técnico contou que quando entrou na TV Cultura em 2013 havia lá um cenário bem difícil de implementação do MAM, “por falta de recursos e de investimentos”. Segundo Moletta, o que era gasto com fita magnética passou a ter um investimento mais eficiente e atualizado a partir da digitalização de todo o acervo.

“Quase toda a história da TV brasileira está na FPA e muita gente mandava acervo para lá quando não tinha como guardar. O acervo da Tupi e de outras emissoras privadas está sob nossos cuidados. Mas antes da implementação do MAM, o cenário era catastrófico, porque o setor estava abandonado”, lembrou Moletta.

Roberto Hoffmann, coordenador de projetos na área de tecnologia da RBS TV

Segundo o executivo da FPA, o presente seria “ainda mais catastrófico” sem a atualização dos sistemas de armazenamento. Atualmente, a TV Cultura produz o equivalente a 3,8 terabytes por dia, “e não é a emissora que mais produz no Brasil”, frisou Moletta.

Depois de muito investimento na digitalização do arquivo no passado, da constante atualização tecnológica e do consequente processo de “tapeless”, ele afirmou que a razão da FPA em 2018 é de 40% de defasagem e 60% de inovação tecnológica.

“Se há algo que pode gerar economia, esse algo é dispensar recursos sem apelo criativo. Fazer um profissional apertar Play e Rec e colar etiqueta com nome do arquivo chega a ser um crime com a pessoa que faz isso e para a empresa, quando podemos fazer isso de forma mais inteligente e menos custosa”, disse ele, que enxugou o setor de 52 para 12 pessoas.

Por Eduardo Miranda (Porto Alegre) e Fernando Moura (São Paulo). Fotos: Anselmo Cunha (Porto Alegre)