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SET Sudeste 2018: Som e ambientação nas realidades mixadas

Engenheiros e profissionais do áudio debatem desafios colocados pelas novas tecnologias e hábitos de consumo na produção audiovisual

Participantes do painel PAINEL 3
Atualizando as Várias Faces do Áudio nas Diferentes Redes e Aplicações / Foto: Eduardo Miranda

Há anos que a Engenharia de Áudio se utiliza das leis da física e da psicoacústica para enganar a audição humana e criar um palco virtual nas apresentações artísticas e de entretenimento, afirmam os engenheiros do setor que participaram nesta sexta-feira, 11 de maio do SET Sudeste 2018. Com a realidade virtual (VR) e aumentada (RA), a televisão está se adaptando e recebendo novos recursos para possibilitar uma experiência imersiva ao usuário final do produto. Mas quais são esses recursos e para onde estamos caminhando quando o assunto é áudio?

“O áudio precisa ser percebido de maneira a transmitir uma emoção, e isso só conseguimos usando o som de forma criativa.  Não é mais o repórter no campo com o microfone para o telespectador ouvir o som da bola. É captar o que o espectador não vê para dar ideia de localização, mesmo dentro de casa”, explicou Fernando Fortes, especialista sênior de Desenvolvimento de Mercado Pró-Áudio da Shure do Brasil.

A maneira com que as empresas e produtoras vem conseguindo transmitir essa emoção é criando novas fontes sonoras e incrementando aquilo que já existia. “Colocar microfone no juiz? No técnico? No jogador? Claro que temos a questão jurídica, mas é preciso ter ideias malucas para ver depois o que é viável”, analisou.

A realidade virtual e aumentada vêm testando situações e realizando experimentos nesse sentido, mas ainda existe um grande campo a ser explorado. “O áudio é 50% dessa experiência. A produção pode ter um gráfico incrível, mas se falta áudio tem um grave problema. Por isso, é necessário que os dois setores conversem para ter engajamento”, enfatizou no painel realizado na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, Gabriel Thomazini, coordenador de Áudio da Globosat.

Thomazini mostrou que, em 2016, a indústria investiu 6 bilhões de dólares em recursos para Realidades Mistas (aumentada e virtual). Para 2018, a estimativa é de movimentar 17 a 18 bilhões de dólares, com estimativa para 2020 de cerca de 140 bilhões de dólares, e em 2021, quase o dobro, alcançando 215 bilhões de dólares. “Todo mundo quer uma fatia desse bolo, e isso reflete numa gama enorme de possibilidades nessas Realidades”, explicou.

Para utilizar estes recursos, a base são os óculos e os headphones, mas é o áudio quem vai guiar o usuário para se mover e captar o melhor da experiência 360. “A tecnologia ambisónica é um padrão conhecido com mais poder de processamento. Funciona em tablets, telefones. Com o uso dos headphones difundido, a Realidade Mista consegue simular como ouviríamos in loco e colocar isso dentro do fone de ouvido. Aí vai depender de renderização em tempo real e de perceber como utilizar essas técnicas sem quebrar a imersão”, pontuou.

Na prática
Há dois anos, a Globo vem fazendo testes com o Carnaval como fonte de utilização de áudio imersivo. “Utilizamos mixagem Dolby Atmos, realidade remota e captação 360 graus para situar o espectador dentro da escola de samba”, explicou Carlos Ronconi, assessor técnico de áudio da emissora. O tratamento desse áudio precisou percorrer ao vivo 34 km entre Sambódromo e Escola de Samba (Vila Isabel) para chegar na casa das pessoas com a qualidade desejada. “Levamos 40 canais de áudio para mixar no estúdio Globo e fazer essa realidade funcionar. Áudio analógico captado com o Dante foi transportado por rede corporativa de internet de 150 Mega para o estúdio. O tempo de latência: menos de um frame. Totalmente viável captar, mixar e devolver para a transmissão”, sintetizou.

A tecnologia está sendo testada também pela emissora em algumas partidas do Campeonato Brasileiro de Futebol, e no finalizado Paulista.

Palestrante: Fernando Fortes, especialista sênior de Desenvolvimento de Mercado Pró-Áudio, Shure do Brasil – Foto: Eduardo Miranda

Protocolos de Interoperabilidade
Uma das maiores dificuldades encontradas na conversão para o digital é fazer com que os protocolos conversem entre si. “Se não, fica Dante conversando somente com Dante, Ravenna com Ravenna e assim vamos. A AES (Audio Engineering Society),  percebeu e afirmou que essas tecnologias precisam conversar entre si, por isso a importância de termos protocolos de interoperabilidade”, analisou o consultor técnico da Yamaha Musical do Brasil, Giuliano Quiqueto.

O modelo usado tem sido o AES 67, que pede que equipamentos situados num mesmo protocolo funcionem como uma ferramenta perfeita. “Temos o AES 70 que está sendo discutido ainda com mais detalhes, mas está só no papel”, acrescentou.

Mercado
Na prática, depois de mixado, o som chega ao público final e necessita da tecnologia adequada para propiciar o resultado esperado. “Trabalhamos pensando em dois grandes campos: o headphone e o autofalante. Em 2017 a venda dos headphones alcançou uma média de 75 milhões de unidades em todo o mundo, e esse número vem crescendo. Por isso, o mercado começou a prestar-lhes atenção”, avaliou Joel Brito, diretor da AES e sócio-diretor da Vikel Engenharia.

De acordo com Brito, esse sucesso depende de uma questão específica: ter um algoritmo específico para criar uma sensação de localização no headphone. “É o som quem comanda os seus sentidos, então quando reproduzimos um som na sala, temos soluções que permitem essa ambientação baseada em reflexão e posicionamento de soundbar”, afirmou.

Para o futuro, estima-se que sejam desenvolvidos “laboratórios de imersão”, na qual o consumidor nem precise sair de casa para testar algumas experiências. “A Disney desenvolveu uma montanha russa em que coloca o carrinho no laboratório, mas com ambientação real. Tudo isso vai chegar para as residências do futuro”, pronosticou Joel Brito.

Para assistir ao SET Sudeste 2018, não é necessário realizar inscrição prévia no evento. Basta acessar o link: https://www.youtube.com/user/SETengenhariaTV

SERVIÇO:

Local: Centro de Convenções da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Praça XV de Novembro, 20, térreo, centro. Rio de Janeiro/RJ

Data: 10 e 11 de Maio

Horário: 8h às 19h

Por Tainara Rebelo (São Paulo), Eduardo Miranda (Rio de Janeiro), e Fernando Moura (São Paulo)