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Textos Importantes

TV Digital Brasileira – Grupo ABERT/ SET

 

CONJUNTO DE REQUISITOS PARA A TV DIGITAL BRASILEIRA
  • Para que a TV aberta tenha perspectiva de sobrevivência no cenário acima descrito, é imprescindível que o sistema a ser escolhido permita o oferecimento simultâneo das seguintes a plicações, com total flexibilidade na sua composição, dentro do que se mostrar adequado e viável para cada emissora, com variações entre diferentes empresas, de uma região para outra e de uma cidade para outra:

    • HDTV alternada com múltiplos programas;
    • Recepção móvel;
    • Recepção portátil;
    • Interatividade e Multimídia.

    Alta Definição – HDTV

  • A TV do futuro será HDTV. EUA, Japão e China já optaram pelo HDTV e isso representa quase 2/3 de todo o mercado mundial de televisores. Essa escala global permitirá a redução drástica de preços dos componentes, com a conseqüente massificação dos produtos HDTV.
  • Tendo em vista que há outras mídias, como o cabo e o satélite, que praticamente não têm problemas de limitação de banda, a transmissão de conteúdo em alta definição através de meios pagos é apenas uma questão de tempo. É importante disponibilizar o HDTV também de forma gratuita, através da TV aberta, permitindo que a maioria da população, de menor poder aquisitivo, possa usufruir da mesma qualidade de imagem, na medida em que caiam os preços dos televisores de alta definição.
  • Adicionalmente, o HDTV fortalecerá o mercado produtor/exportador de conteúdo, pois, com o passar do tempo, só os conteúdos em alta definição terão real valor no mercado internacional. Com a base tecnológica adequada aliada à criatividade brasileira, há perspectivas do real desenvolvimento de um mercado produtor nacional, gerando novos empregos e divisas para nosso país.
  • Alguns fabricantes de equipamentos profissionais para TV já anunciaram que deverão descontinuar linhas de produção de equipamentos em definição convencional. Hoje os valores de investimentos em equipamentos profissionais em HDTV estão muito próximos aos preços dos similares em SDTV (standard definition television). As redes brasileiras já estão se equipando com equipamentos em HDTV, e começam a surgir no mercado consumidor câmeras, DVDs e outros produtos com capacidade para HDTV. Em breve, mesmo as gravações domésticas de casamentos e festas de aniversário serão feitas em HDTV.
  • Acrescentamos que a introdução do HDTV na televisão brasileira não deve ser protelada para uma possível segunda etapa. O primeiro motivo é que acreditamos que a oferta de HDTV seja importante para atrair os primeiros consumidores da TV digital. Mas, além disso, é absolutamente inviável a realização de uma transição de definição sem onerar desnecessariamente o consumidor, que teria que arcar com um segundo processo de troca dos equipamentos domésticos de recepção ou então com o ônus de um eterno isolamento tecnológico, alto custo e falta de eficiência provocados pela implantação única no Brasil de um sistema dito escalonável . A única maneira de alcançarmos o desejado sucesso da televisão digital brasileira, que não acontecerá sem o HDTV, é a disponibilização em todos os receptores da capacidade de receber a TV de alta definição.
  • Múltiplos programas

  • Como uma alternativa mutuamente exclusiva ao HDTV, o modelo de negócio da TV Digital deverá também permitir a possibilidade de transmissão de múltiplos programas em definição convencional, que poderá servir como uma estratégia para o período de transição, enquanto as emissoras ainda não estiverem disponibilizando programas em HDTV.
  • Como alternativa, pode também ser útil para aplicações com interatividade, transmissão de eventos que estejam ocorrendo simultaneamente, ou diversidade de ângulos de tomadas de cena por várias câmeras.
  • A transmissão de múltiplos programas de forma permanente não é economicamente viável, uma vez que a multiplicação de programas não seria acompanhada por uma multiplicação de verbas do mercado publicitário que possa sustentar seus custos de produção.

Recepção Móvel

  • Dentro das possibilidades que se vislumbram e da preocupação com a universalização do acesso do cidadão ao serviço, a qualquer momento, em qualquer lugar, também não podemos conceber a televisão do futuro não associada à mobilidade e à portabilidade. O tempo cada vez maior que as pessoas despendem no trânsito, quer em veículos coletivos, quer em particulares, torna cada vez mais interessante e adequado que elas possam ter acesso a programas e informações enquanto se deslocam.
  • Para o cidadão, a TV móvel amplia o acesso à informação e ao entretenimento, a qualquer hora em qualquer lugar. Hoje as pessoas só têm acesso ao conteúdo da TV quando estão em casa, pois as transmissões analógicas não possibilitam a recepção em terminais móveis. Com a tecnologia digital, o cidadão não precisará ter que resolver o impasse de ter que optar entre assistir ao jogo do seu time favorito ou sair de casa. O acesso ao conteúdo das emissoras será efetivamente irrestrito.
  • Evidentemente, por ser um produto inteiramente novo, a recepção móvel desenvolverá um mercado novo, gerando a necessidade de uma nova indústria para esses televisores que, por conseqüência, alavancará a geração de novos empregos.
  • Por fim, a mobilidade é a aplicação, juntamente com a TV portátil, que melhor justifica a utilização do espectro, um recurso limitado da sociedade, já que o espectro das faixas de VHF e UHF, hoje ocupado pelas emissoras de TV, é o mais apropriado para a recepção móvel.
  • TV Portátil

  • O rápido desenvolvimento dos terminais de telefonia celular, com progressiva capacidade de recepção de vídeo e dados em alta velocidade possibilitará, em breve, a agregação de um chip receptor dos sinais transmitidos pelas emissoras de televisão, o que trará inúmeros benefícios e opções para os usuários, bem como agregará valor para ambos os serviços, que poderão operar em complementaridade.
  • A peça central dessa convergência será o terminal, que passará a ser uma mistura de telefone celular e televisão. A rede de telefonia celular das próximas gerações permitirá ao cidadão acessar diversos novos serviços personalizados, como videoconferências, internet, downloads de conteúdo multimídia de seu interesse particular, incluindo vídeo. Os sinais de TV digital, ao contrário serão acessados , sempre que o cidadão desejar assistir ao seu programa preferido ou receber informações de interesse geral, consistentes com a estrutura da rede ponto-área da TV aberta.
  • A integração dos serviços de telefonia e televisão, em um único terminal, será extremamente benéfica para o consumidor, pois este terá, em um único aparelho, que poderá acompanhá-lo durante as 24 horas do dia, o seu telefone, a sua agenda pessoal, o seu computador e também a sua televisão. Será a união dos dois produtos de consumo mais populares no Brasil, a televisão e o telefone celular.
  • A TV móvel e portátil são as ferramentas fundamentais para a promoção da inclusão digital da sociedade móvel brasileira. Sem elas, estaríamos condenando grande parte dos consumidores a não terem acesso, quando em deslocamento, a importantes formas de conteúdo, informação e entretenimento gratuitos que, de outra forma, apenas estariam disponíveis através de assinaturas pagas ‘as operadoras de telefonia celular.
  • Interatividade e Multimídia

  • Utilizamos o termo datacasting para designar a transmissão, através do canal de radiodifusão, de dados adicionais aos programas de televisão para viabilizar aplicações interativas. Eles permitirão, por exemplo, que o telespectador assista, na hora que desejar, ao tira-teima dos lances decisivos de um jogo de futebol ou responder, através do seu receptor, às perguntas do Show do Milhão, obter informações sobre personagens de uma novela ou de um filme, ou sobre seus atores, autores e diretores. Uma outra aplicação poderá ser o comércio eletrônico, ou seja, a venda direta de produtos, em contraposição ao atual modelo de venda de anúncios desses produtos.
  • Poderão, também, ser oferecidas informações para o cidadão, como Governo Eletrônico, informações para educação etc…
  • O datacasting já está hoje disponível em outras mídias, como cabo, satélite, e telefones celulares, mas nenhuma delas oferece os seus serviços de forma livre e gratuita.

Flexibilidade

  • O estabelecimento de um modelo rígido cercearia as estratégias que as diferentes emissoras, com realidades econômicas diversas, pudessem criar para a TV digital e limitaria a customização de soluções para diferentes regiões do país.
  • Além disso, por mais que pesquisas de mercado ajudem no lançamento de novos produtos, é impossível prever as necessidades futuras e as expectativas do povo brasileiro em relação à radiodifusão ao longo das próximas décadas. Mais ainda, considerando o enorme leque de novas aplicações que poderão ser oferecidas, por conta da evolução dos softwares e da capacidade de processamento dos microprocessadores.
  • Dessa forma, qualquer limitação imposta à plataforma e/ou ao respectivo modelo de negócio poderá significar um preço muito alto a ser pago no futuro pela sociedade brasileira. Assim, a viabilização da implantação bem sucedida da TV digital passa necessariamente pela máxima flexibilidade com relação às aplicações que poderão ser desenvolvidas, às soluções individualizadas de cada rede, às soluções adequadas a cada região do país e à possibilidade de adequação da oferta às necessidades e demandas do público consumido
PONTOS DE ATENÇÃO – SISTEMA BRASILEIRO DE TV DIGITAL

  • Enquanto reconhecemos como válidas e louváveis as intenções do Governo no sentido de promover a inclusão digital, valorizar a pesquisa no Brasil e incentivar a indústria nacional, nossa posição em relação ao desenvolvimento de um padrão brasileiro de TV Digital é de preocupação.
  • Tememos que a idéia do desenvolvimento de um padrão nacional possa nos levar auma situação de isolamento tecnológico em relação ao resto de mundo, com conseqüências irreversíveis para a televisão aberta brasileira, hoje uma das mais avançadas do mundo.
  • Entre as nossas principais preocupações com o tema, destacamos:

    Falta de um conjunto de requisitos e diretrizes para a introdução da TV digital – É preciso definir um conjunto de requisitos para o desenvolvimento do SBTVD, o que ele deve permitir realizar, à similaridade do modelo por nós proposto. Essa definição deve ser formulada pelo Governo antes do início do desenvolvimento do sistema brasileiro. Sem essa definição governamental, as pesquisas e estudos serão realizados sem foco, sem resultados práticos, desperdiçando os recursos a elas destinados. Também devem ser definidas as diretrizes para a implantação do SBTVD, ou seja, os prazos para início de operação, o modelo de transição da atual TV analógica para a futura TV digital, para que todos os envolvidos, como a indústria eletroeletrônica e as emissoras de televisão possam se preparar corretamente.

    Alongamento do Prazo para Implantação – É preocupante o atraso do Brasil em relação aos outros países que já introduziram ou estão prestes a lançar a TV digital, como é o caso do México, que já se decidiu por um padrão e outros países latino-americanos já estão próximos a decidir. Isso implica na perda de oportunidade da indústria nacional em mercados potencialmente importadores de produtos e de patentes brasileiros, tanto na área de eletroeletrônica como na área de aplicações em software.

    Política de Royalties – A indústria brasileira vai necessariamente pagar royalties, pois o SBTVD incluirá, em maior ou menor escala, tecnologias já consagradas mundialmente. É importante que, desde já, o Governo inicie estudos para mapear os direitos de propriedade intelectual associados a cada uma das dezenas de tecnologias envolvidas nos padrões internacionais, identificando seus gestores e iniciando negociações.
    O desenvolvimento de soluções locais não implicará em redução de royalties suficiente para financiar o projeto. Por outro lado, a negociação internacional pode reduzir significativamente o valor dos royalties.
    Além disso, os valores envolvidos com o pagamento de direitos de propriedade intelectual, mesmo se considerando o pior cenário, sem negociação, não compensam o prejuízo das indústrias de consumo e das empresas nacionais desenvolvedoras de software e o risco de descontinuidade da radiodifusão brasileira.

    Perda de escala – Escolhendo um padrão diferente dos padrões internacionais, perdemos uma importante vantagem que é o aproveitamento da escala, por similaridade, dos principais mercados. Dependendo do nível de nacionalização do padrão brasileiro, e em função do tamanho do mercado brasileiro frente aos principais mercados, é possível que não se ache interessados em fabricar componentes exclusivos para o Brasil, e mesmo que se encontre algum, os preços serão mais altos que os praticados para maiores volumes.Além disso, a integração de componentes utilizados em larga escala em chips é um dos principais fatores de barateamento dos circuitos eletrônicos, e o desenvolvimento de circuitos exclusivos ao Brasil impediria esse caminho natural de barateamento.

    Obsolescência e Suporte – Todos os padrões estão evoluindo continuamente, já que um congelamento significaria rápida obsolescência no mundo digital. Um padrão exclusivo não aproveitará os desenvolvimentos e maciços investimentos realizados para a evolução dos padrões internacionais. Além disso, o Brasil precisará investir, para todo o sempre, para mantê-lo atualizado.

     Sensível atraso da TV Aberta em relação às outras mídias – Enquanto isso, as TVs a cabo e satélite já anunciaram a digitalização. As demais mídias, como a banda larga das empresas de telecomunicações, estão evoluindo sem amarras técnicas ou regulatórias. Condenar a TV aberta à obsolescência, impedindo que a grande massa da população tenha acesso a recursos semelhantes aos que, em breve, estarão disponíveis mediante assinatura às classes sociais mais altas é a verdadeira exclusão digital.

    Participação efetiva das emissoras – Além da inerente importância dos radiodifusores de qualquer país na discussão de seu sistema de TV digital, aqui no Brasil realizamos um trabalho insuperável pelo de qualquer radiodifusor privado estrangeiro, gerando um ativo de conhecimento acumulado em 10 anos de estudos e atividades relacionadas ao tema, algumas das quais utilizadas como referência por desenvolvedores de tecnologia no mundo inteiro. Somos os principais interessados no sucesso da TV Digital brasileira, pois dele depende a nossa sobrevivência como indústria, geradora de empregos e de produção de conteúdo e cultura brasileira.
    Somos os únicos com a experiência no negócio de televisão e podemos contribuir ativamente para a construção de um padrão brasileiro vencedor.

     

PROPOSTA PARA SISTEMA BRASILEIRO DE TV DIGITAL

  • SOBRE A INCLUSÃO DIGITAL: A TV aberta poderá ter papel importante no processo brasileiro de inclusão digital, uma vez que o televisor digital, seja ele fixo, móvel ou portátil, será o primeiro passo de muitos brasileiros na direção da interatividade.
    A inclusão de um modem telefônico nos receptores de TV digital os transformará em computadores simples, em que a tela do televisor assumirá o papel de monitor. Contratando uma linha telefônica, através de condições facilitadas pelo Governo, o cidadão passará a estar conectado à internet.
    Mesmo que não tenha acesso, de imediato, a uma linha telefônica que lhe permita navegar livremente pela internet, o cidadão poderá receber informações importantes, como as de Governo Eletrônico – pelo processo de datacasting, descrito anteriormente, essas informações poderão ser enviadas nos canais disponíveis, ficando armazenadas no receptor, à disposição do cidadão.
  • SOBRE O CONJUNTO DE REQUISITOS PARA O SBTVD E PRAZO DE IMPLANTAÇÃO: Acreditamos que o estabelecimento de um conjunto de requisitos deva ser iniciado imediatamente e, em paralelo ao desenvolvimento do sistema brasileiro, devam ser fixadas as diretrizes para sua implantação. Quanto ao prazo de implantação, acreditamos que deva ser o menor possível para atender às demandas do atual governo, e não comprometer a urgência de atualização da TV aberta em relação às outras mídias.
  • SOBRE A POLÍTICA DE ROYALTIES: No nosso entendimento a negociação internacional deve ser iniciada imediatamente, pois é o processo mais produtivo para a redução do pagamento de royalties.
  • SOBRE O DESENVOLVIMENTO LOCAL: A camada de middleware do televisor digital, que vem a ser o software que controlará suas principais facilidades, incluindo a interatividade, deve ser o foco de desenvolvimento local do sistema brasileiro de TV digital. Adicionalmente, há um vasto campo de desenvolvimento local de aplicações, para concorrer com as soluções internacionais. Quanto ao restante do sistema, que inclui as camadas de transmissão e codificação, acreditamos que o caminho correto seja a escolha da melhor solução internacional.
    O middleware é a camada de maior carga potencial de royalties e, por outro lado, envolve uma das áreas de maior competência brasileira, a de software, constituindo, portanto, o alvo perfeito para investimentos em pesquisas nacionais.
    É importante observar que o mercado mundial de TV digital caminha para uma solução de middleware global baseado no padrão europeu. Nesse cenário, o ideal é que os esforços brasileiros se concentrem no desenvolvimento de extensões desse middleware voltadas à inclusão digital, cujas patentes podem ser incorporadas ao padrão internacional, e que. com certeza interessarão aos países que ainda não adotaram a TV digital. Mas, para tanto, o fator tempo é fundamental.
  • SOBRE A DISPONIBILIDADE DE COMPONENTES E PERDA DE ESCALA: A solução via “extensão de middleware internacional” elimina essas preocupações, uma vez que torna os produtos fabricados localmente absolutamente compatíveis com os componentes de hardware vendidos no mercado internacional. Fica, com isso, beneficiado o consumidor que poderá adquirir produtos a preços mais palatáveis.
  • SOBRE A OBSOLESCÊNCIA E SUPORTE: Com a afiliação do Brasil a um padrão internacional, fica garantido o desenvolvimento e o suporte para as nossas soluções.
  • SOBRE A PARTICIPAÇÃO EFETIVA DAS EMISSORAS: A participação das emissoras não deve ficar restrita aos encontros do Comitê Consultivo. Julgamos que exista espaço para a criação de um grupo de trabalho envolvendo as emissoras, a indústria de consumo e o Governo, para que possamos trabalhar juntos na construção de um sistema brasileiro de TV digital que atinja todos os interesses do povo brasileiro.