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NHK e a 8K Super Hi-Vision

NAB 2019 – “O OLHAR DOS ESPECIALISTAS DA SET”

Professor analisa a sensação de imersão, de senso de realidade  e de estar presente provocada por esta tecnologia

por Almir Almas

Este artigo é fruto de entrevista e conversa exclusivas com o engenheiro Ph.D. Kamoda Hirokazu, Senior Manager, Planning & Coordination Division da NHK Science & Technology Research Laboratories (NHK/STRL – [NHK放送技術研究所 – NHK Housougijutsukenkyuujo]), da NHK (Japan Broadcasting Corporation [日本放送協会 – Nippon Housou Kyokai]), no dia 10 de abril de 2019, em Las Vegas, Estados Unidos, durante a NABShow 2019.
O estande da NHK estava num espaço chamado de “Futures Park”, numa clara alusão de que o que ali se expunha era uma visão de futuro para a radiodifusão. Não à toa, esse espaço estava ao lado do espaço chamado “StartUp Loft”. Além da NHK, no estande N236, expunham por lá também o (DiBEG) Digital Broadcasting Experts Group (Japão). O DiBEG é um grupo fundado em setembro de 1997, para a promoção, troca de informações e cooperação internacional do ISDB -T (Digital Terrestrial Broadcasting System), em todo o mundo; nele diversos estandes como o da “Korea UHD on air”, o Ultra HD Forum, a “Advanced Media Workflow Association (AMWA)”, dentre outros. E havia também um estande de boas-vindas, “Futures Park Welcome Booth”.
A NHK nomeou o seu local de exposição como “8K Technology and beyond ”, trazendo, assim, uma amostragem não apenas sobre a recém-inaugurada transmissão 8K Super Hi-Vision, a primeira transmissão mundial em sinal de televisão em 8K UHDTV, como também sobre os caminhos da pesquisa da NHK para a radiodifusão. Dentre as pesquisas que contemplavam o futuro, destaca-se a televisão 3D com projeção fora da tela. Ou seja, a NHK apresentou suas pesquisas tecnológicas sobre a “Advanced 8K UHDTV” e o futuro da mídia broadcasting. Em sua divulgação oficial, no site da NABShow 2019, a NHK afirma que em seu espaço expositivo é mostrado o lançamento do primeiro canal de transmissão em sinal de televisão em 8K UHDTV do mundo, ocorrido em 1 de dezembro de 2018, no Japão, com a apresentação do sistema de transmissão via Satélite, para o sinal em 8K Super Hi-Vision e também toda a cadeia de transmissão para o canal de 8K, desde a produção, o play out, até a entrega do sinal em 8K Super Hi-Vision nas casas dos telespectadores.
Para tais demonstrações, foi montado nesse espaço um home theater em 8K, com uma tela super fina, de OLED, de 88 polegadas, e com um arranjo de som com multicanais 22.2, do sistema exclusivo da NHK, recepção do sinal de televisão em aparelhos domésticos.
Foi feita uma seleção de programação em 8K Super Hi-Vision, para serem exibidos nesse home theater. São programas que são exibidos normalmente na programação diária da NHK, em 8K Super Hi-Vision.
Também foram apresentados ao público o Codec 8K, em vídeo de 120Hz, para a transmissão, com a compreensão e transmissão em tempo real do 8K com high frame rate (vídeo em alta velocidade). Além disso, o espaço expositivo da NHK apresentava também as pesquisas em desenvolvimento nos laboratórios STR/NHK, sobre os avanços da radiodifusão terrestre, com destaque para a nova geração de transmissão do ISDB.
A imagem em 8K apresenta uma resolução de 7.680 x 4.320 pixels, o que equivale a 33 megapixels, 16 vezes a resolução de uma imagem de televisão de alta definição (HDTV). Para que se tenha a sensação de imersão, de senso de realidade, de sensação de estar presente, é preciso mais do que o aumento da resolução da imagem. Por isso, o sistema 8K Super Hi-Vision apresenta, também, um frame rate (HFR) de 120Hz, o Wide Color Gamut (WCG) padrão REC. ITU-R BT.2020, o range de luminância com SDR e HDR (High Dynamic Range) simultaneamente, padrão REC. ITU-R BT.2100, com HLG (Hybrid Log-Gamma), desenvolvido pela própria NHK, em conjunto com a BBC (Reino Unido).


Na parte sonora, o 8K Super Hi-Vision usa uma composição de multicanal de 22.2, que reproduz o som espacial tridimensional. O sistema, que é nomeado como Sistema de som Multichannel 22.2, possui três camadas (layers), assim distribuídas nove canais de som no nível de cima, dez canais no nível da altura do telespectador, e três canais ao nível do chão, totalizando assim, 22 canais e mais 2 canais para subwoofer (efeitos de baixa frequência).
Para a transmissão do 8K Super Hi-Vision, a NHK optou pelo uso de um canal de satélite, chamado NHK BS-8K, com 34.5 MHz de largura e de 100 Mbits/s (megabits por Segundo – velocidade de transmissão de dados), com uma compressão com o codec HEVC (High Efficiency Video Coding) – H.265, codec com padrão da ITU.
Junto com o lançamento do canal NHK BS-8K, a NHK lançou, também, o canal NHK BS4K, para transmissões do sinal de televisão em 4K (UHDTV). Tanto em um, quanto em outro canal, padrões tecnológicos específicos e direcionados a cada uma dessas resoluções foram necessários para que os sinais pudessem entrar no ar. Sobre a transmissão em 4K e o canal NHK BS4K, deixo para um próximo artigo.
Pesquisa avançada
Um dos grandes destaques dessas pesquisas para o futuro, apresentadas pela NHK, é a nomeada Aktina Vision, imagem de televisão em 3D, imagem espacializada, que, segundo o road-map da NHK, está prevista para estar no ar, para o público telespectador, em 2030. Aktina pode ser traduzida por “Raio de luz”. A palavra Aktina tem sua origem etimológica em aktís, do grego, que significa “raio”. Segundo as informações trazidas pelo estande e o que me foi apresentado durante minha visita ao STRL/NHK, no Japão, em novembro de 2018, a Aktina Vision será uma visualização espacializada da imagem de televisão, em 3D, sem a necessidade de uso de óculos especiais. Com essa tecnologia, a imagem se forma fora da tela, espacialmente, e independentemente do movimento do telespectador (horizontal ou vertical) pode ser vista como “real”.
Este artigo terá continuidade no próximo número da Revista da SET, no qual trarei mais detalhes e informações sobre o andamento da transmissão do sinal de televisão em 8K Super Hi-Vision da NHK, bem como, sobre as pesquisas que apontam para o futuro da mídia televisiva. Dois momentos compõem este novo artigo; a entrevista e conversa na NABShow 2019, em Las Vegas, Estados Unidos; e a visita ao STRL da NHK, em Tokyo, Japão, em 6 de novembro de 2018; em ambos momentos fui recebido pelo engenheiro Ph.D. Kamoda Hirokazu. Em 2018, na visita de pesquisa ao STRL/NHK, além do engenheiro Kamoda Hirokazu, estive também com os engenheiros Ph.D. Takada Masayuki, e Ph.D. Hisatomi Kensuke.

Para a visita de 2018 contei com o inestimável apoio da Senhora Mani Matsui, em Tokyo, representante da SET no Japão, e, aqui no Brasil, da engenheira Liliana Nakonechnyj e do engenheiro Olímpio Franco, ex-Presidenta e ex-Presidente da SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão), respectivamente.

 

Almir Almas é professor Associado,  Chefe do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão, Pesquisador  e Professor do Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais, da Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo. Doutor e Mestre em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Coordenador Geral do Grupo de Pesquisa LabArteMídia – Laboratório de Arte, Mídia e Tecnologias Digitais e Co-Coordenador do Obted – Observatório Brasileiro de Televisão Digital e Convergência Tecnológica. Cineasta/ Videoartista/VJ; Artista do Coletivo de Arte Cobaia. É membro da Diretoria da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET). Possui participações em diversos festivais de cinema, vídeo e arte eletrônica, nacionais e internacionais; e publicações em livros, periódicos acadêmicos, jornais e revistas. É autor do livro “Televisão digital terrestre: sistemas, padrões e modelos”, publicado pela Alameda Editorial, em 2013. Contato: [email protected]