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SET celebra os dez anos da implantação do padrão ISDB de TV Digital no Brasil

Congresso SET

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28º Congresso SET Expo aponta inovações e mudanças nas indústrias de broadcast e novas mídias. Presidente da entidade, Olímpio José Franco se emocionou na abertura do SET EXPO 2016, o último evento nacional de seu mandato à frente da associação. Também presentes à cerimônia, Gilberto Kassab e o ministro das comunicações do Japão, Jiro Akama, trocaram homenagens pela década de cooperação entre brasileiros e japoneses na implantação do padrão de TV Digital terrestre do país

por Fernando Moura, Francisco Machado Filho, Isaac Toledo e Gabriel Cortez

O 28º Congresso SET Expo contou com mais de 200 palestrantes de renome internacional

A solenidade de abertura do SET EXPO 2016 ocorreu na manhã da terça-feira, 30 de agosto, no Pavilhão Vermelho do Centro de Exposições Expo Center Norte. O evento marcou os dez anos da adoção do padrão ISDB- T de TV Digital no Brasil. Além da presença da diretoria da SET e de seu presidente, Olímpio José Franco, a cerimônia teve participação do ministro da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, Gilberto Kassab; do ministro das Comunicações do Japão, Jiro Akama; e de autoridades de países da América Latina e do Caribe. O ex-ministro das comunicações Hélio Costa, responsável pela assinatura do acordo entre Brasil e Japão em 2006, também integrou a celebração. “A SET vive um momento bom. A nossa missão, como uma sociedade de engenharia, tem sido elevar o nível de conhecimento do setor.
Foram anos de transformações. Estamos celebrando, neste evento, os dez anos do padrão de TV Digital do Brasil, nos quais a SET teve importante participação, que só foi possível pelo incondicional apoio de entidades parceiras”, declarou Olímpio José Franco, em um discurso emocionado, já em agradecimento aos profissionais e aos associados da SET que o acompanharam em seu mandato à frente da entidade, o qual se encerra em dezembro de 2016.
O presidente da SET que “transcorridos estes 10 anos, o momento da Televisão Digital ainda é de transição. Estamos acompanhando todos os passos, agora com o inicio dos desligamentos das transmissões analógicas de TV, colaborando com as nossos conteúdos técnicos ao setor e atualizando as discussões sobre normas e regulações, através de nossos seminários e congressos. Nossos desejos são que os sinais de melhorias do momento politico, econômico se consolidem e que a normalidade e a regularidade e crescimento se restabeleçam”.

Olímpio Franco, presidente da SET

“Para as transmissões terrestres da TV Aberta é fundamental possuir canais disponíveis para as futuras transmissões em UHDTV. Exige-se planejamento prévio dos canais, evitando-se assim o saturamento do espectro e inviabilizar as transmissões futuras. Contamos evidentemente com o apoio do governo”, afirmou Olímpio Franco, presidente da SET na cerimônia de abertura do SET EXPO 2016

“A todos, sem sombra de dúvida a todos, o meu sincero agradecimento, do fundo coração”, concluiu Olímpio.
Gilberto Kassab ressaltou a atuação da SET na implantação do padrão de TV digital brasileiro. “A sua emoção aqui emocionou a todos nós, Olímpio Franco. É um momento muito importante não apenas para a televisão, para o Brasil e para o Japão, mas, para a humanidade. Esse projeto é de extrema importância para o nosso país e para as nossas relações internacionais. É um dos acontecimentos mais importantes da história das comunicações e só foi possível pela atuação de entidades como a SET”, afirmou o ministro.
“O Brasil se colocou como um expoente para as tecnologias de TV Digital na América Central e na América do Sul”, ressaltou Jiro Akama, ministro de assuntos internos e comunicações do Japão, que, ao final dos discursos, trocou homenagens oficiais com Gilberto Kassab. Implantado no Brasil em 29 de junho de 2006, após mais de dez anos de pesquisa, o ISDB-T com as modificações realizados ao padrão original japonês, já está em outros 13 países, incluindo vários em América Latina e o Caribe.
Kuoki Morinaga, diretor da emissora pública japonesa NHK (Nippon Hoso Kyokai), também parabenizou os brasileiros pelos dez anos do padrão ISDB-t. “A cooperação mútua é a chave para a construção de uma tecnologia de transmissão do futuro, desenvolvendo padrões e conteúdos”. Morinaga também mencionou a parceria entre a NHK e a Globo nos testes com as tecnologias 8K durante a Olimpíada Rio 2016. “Nós desejamos que, em 2020, tenhamos acelerado o desenvolvimento do padrão Ultra Alta Definição (UHD) para a transmissão dos jogos de Tóquio”.
Roberto Franco, presidente do Fórum SBTVD, saudou o ministro Gilberto Kassab pela presença no evento e enalteceu a grande quantidade de estrangeiros. “Desde o dia em que foi fundada, a SET produziu mudanças a partir da emoção, mas, também, da razão. A SET aprendeu a ser um órgão estratégico. É com muita felicidade que vejo a presença de profissionais e chefes de governo estrangeiros em nosso evento. Apesar de incompleto o switch-off, já se faz necessário discutir os novos padrões e tecnologias que podem manter a televisão como um meio de entretenimento e informação que é para os brasileiros até hoje. Eu tenho certeza que a SET dará conta dessa missão”, ponderou Franco.

Jiro Akama, Ministro de Assuntos Internos e das Comunicações do Japão afirmou no SET EXPO, que o trabalho com a SET foi fundamental para internacionalizar o padrão ISDB-t de TV Digital

“Adotar o sistema japonês não foi uma decisão trivial. Foram decisões que, à época, resultaram em muita polêmica. Mas, hoje, vemos que foram acertadas”, afirmou o vice-presidente da SET, Fernando Bittencourt, que, em 2013, foi condecorado pelo governo japonês por seu trabalho na implantação do padrão ISDB-T no Brasil.
Jiro Akama, Ministro de Assuntos Internos e das Comunicações do Japão, chegado ao Brasil para participar da cerimônia de abertura do SET EXPO afirmou, ainda, que “o 8K é o futuro da TV. Apostamos nele e a na criação de conteúdos nessa tecnologia. Quero agradecer aqui a colaboração da TV Globo na produção na Copa do Mundo em 2014, e dos Jogos Olímpicos Rio 2016 onde realizamos transmissões com esta tecnologia. Acreditamos que os Jogos Olímpicos de Tóquio serão uma excelente opção para mostrar a tecnologia 8K e os seus benefícios para a indústria broadcast e de esta forma, disseminar a tecnologia no mundo”.

 

Histórico: o cronograma de implantação e a participação de Hélio Costa
Em seu discurso, Fernando Bittencourt apresentou o cronograma de implantação da TV Digital no Brasil e ressaltou a importância da parceria entre a SET e a Abert desde o início do processo. “A primeira atividade para discutir TV digital no Brasil começou em 1994, com um grupo formado pela SET e pela ABERT (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV), cada uma responsável pelos aspectos técnicos e políticos, respectivamente. Foram treze anos de muito trabalho, de muita discussão e de muito debate. O grupo foi formado com alguns subgrupos, nos quais discutimos desde aspectos de transmissão, estúdio, transmissão, recepção, modulação e canalização”.

O VP da SET, Fernando Bittencourt afirmou que a escolha foi acertada. “Hoje, podemos dizer que o sistema brasileiro é o melhor sistema de Televisão Digital do mundo”

Este grupo estava formado por integrantes do CPQD/ Universidade Mackenzie/ Grupo Abert/SET e trabalhou na avaliação dos padrões ASTC/DVB/ ISDB que se estenderam até o inicio de 2000. Em 1999, realizaram-se os primeiros testes para a implantação da TV Digital no Brasil, com um canal de televisão no ar, em parceria com a Universidade Mackenzie, contou Bittencourt. “Buscávamos ali um padrão. Tínhamos um boletim informativo e tudo o que foi feito era divulgado pela comunidade. Entregamos um relatório para a Anatel, concluindo que o padrão japonês era o mais adequado, por conta de sua robustez e flexibilidade”.
E, “fizemos mais”, afirmou o VP da SET. “Nessa época montamos uma unidade móvel para testar o sistema ISDB porque era o único que podia ser utilizado de forma móvel,” e isso, “nos deu luzes para avançar”.
No ano de 2004, já no governo Lula, foi proposto que se discutisse e se pesquisasse um sistema exclusivamente brasileiro mediante a criação de um consórcio de desenvolvimento para criar um modelo brasileiro de TV Digital. Um ano depois, já com o ministro das Comunicações Hélio Costa, concluiu-se que não fazia sentido criar um sistema próprio. Os estudos e as análises de um grupo de pesquisadores ad-hoc indicavam o modelo japonês como o melhor sistema, lembrou Bittencourt.

O ex-ministro das comunicações Hélio Costa

O ex-ministro das comunicações Hélio Costa, responsável pela assinatura do acordo entre Brasil e Japão em 2006 comemorou os 10 anos do padrão nipo-brasileiro

Em 2006, um decreto definiu o sistema brasileiro de TV Digital que tinha como objetivo alcançar e defender um melhor padrão: o ISDB com a inclusão de novas tecnologias (MPEG-4 e do middleware Ginga). “Hoje, podemos dizer que o sistema brasileiro é o melhor sistema de Televisão Digital do mundo”.
Em 2007, ocorreram as primeiras transmissões digitais na cidade de São Paulo. “Adotar o sistema japonês não foi uma decisão trivial. Foram decisões que, a época, resultaram em muita polêmica. Mas, hoje, vemos que foram decisões acertadas”, declarou Bittencourt. Ele ressaltou ainda a importância da atuação do ex-ministro das comunicações Hélio Costa, na fase “decisiva” do acordo. “Graças a Hélio Costa, hoje temos a TV Digital, senão teríamos estado mais 10 anos discutindo”.

Hélio Costa, nesse momento Ministro das Comunicações do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, agradeceu a lembrança para participar do evento e disse: “Parece que foi ontem, mas, já se passaram dez anos. Fizemos cinco viagens ao Japão, durante três anos e meio. Quando cheguei no ministério, o presidente Lula me perguntou qual era o meu projeto. Respondi que tinha dois objetivos, implantar um plano nacional de banda larga e consolidar um padrão de TV Digital no Brasil. Então, conseguimos agregar mais de cem entidades, com o objetivo de desenvolver um padrão nosso. Foi um risco calculado que corremos, sempre com base no que a SET trazia, com base na força de seus associados e engenheiros. Foi com base na capacidade e na força dos profissionais envolvidos com a SET que tivemos sucesso. Fico muito honrado e muito feliz por estar aqui participando deste evento tão significativo”.

 

O Congresso
O 28º Congresso SET Expo apontou as inovações e as mudanças nas indústrias de broadcast e novas mídias. O evento contou com mais de 200 palestrantes de renome internacional, sendo sete key note speakers, que se apresentaram durante quatro dias a aproximadamente 2 mil congressistas. As 60 sessões organizadas pela SET ocorreram em cinco salas do Expo Center Norte, em São Paulo, nas quais foram debatidos os desafios pelos quais passam a indústria audiovisual brasileira e internacional.
O diretor de tecnologia da SET, Carlos Fini, avaliou a participação dos palestrantes e do público no evento e afirmou que “atingimos o nosso objetivo porque conseguimos trazer para o profissional, que atua ligado à tecnologia de maneira geral, uma visão dos principais temas que estão em discussão no mundo”.
As tecnologias 4K e 8K foram destaques do 28º Congresso de Tecnologia do SET EXPO, que teve aumento de cerca de 25% no número de congressistas. Painéis sobre o futuro da TV aberta e as transmissões experimentais em 8K durante os Jogos Olímpicos Rio 2016 atraíram profissionais de emissoras de TV, produtores, engenheiros, estudantes e pesquisadores.

cerimônia de abertura

A cerimônia de abertura contou com a presença de representantes de governos de diversos países da América Latina e do Japão

A transmissão do megaevento foi um dos temas principais do Congresso. Na sessão moderada por Carlos Capellao, diretor da Phase Engenharia, foi debatida a cobertura de TV brasileira nos Jogos Olímpicos. Para isso foram apresentados cinco casos, como foco nas inovações tecnológicas introduzidas, nas soluções encontradas para superar dificuldades e nos resultados obtidos.
Antônio Carlos Nobrega, gerente de Projetos e Implementação da Rede Record, comparou a transmissão de Londres 2012, com a transmissão do Rio de Janeiro. Logo no princípio, Nobrega chamou a atenção para a queda significativa dos custos nesta edição dos Jogos. Foram enviados 26 canais para a emissora a partir do Centro Internacional de Transmissão (IBC) e toda a parte corporativa foi levada para dentro do IBC, assim o jornalismo trabalhou como se estivesse dentro da própria emissora. Dos mais de 350 funcionários trabalhando em Londres, no Rio, o número caiu para 250 devido à operação remota.

Fernando Castelani, diretor de Engenharia e Operações da ESPN Brasil

Fernando Castelani, diretor de Engenharia e Operações da ESPN Brasil disse no Congresso SET EXPO que a emissora operou conjuntamente com a ESPN Internacional Argentina e México e outros que não tinham direito como a ESPN Estados Unidos

Fernando Castelani, diretor de Engenharia e Operações da ESPN Brasil, contou que a emissora brasileira operou em conjunto com a ESPN Internacional na Argentina, no México, e em outros países como os Estados Unidos. “O que forçou a operação foi o que não estava no IBC. Isso fez com que se criasse uma estrutura própria para o jornalismo”, frisou. Isso fez que se criará uma estrutura própria para o jornalismo. Ao todo foram 550 profissionais sendo 96 da ESPN Brasil.
Tudo, disse Castelani, foi pensado utilizando o conceito REMI (Remote Event Multicamera Integration) e boa conectividade, todo o conteúdo foi levado para a emissora, o que permitiu uma drástica redução nos custos.
Lourenço Carvano, diretor de engenharia da Globosat, apresentou a cobertura especial da Sportv e disse que com a decisão de se ter 16 canais foi possível cobrir 93% dos eventos ao vivo e com os demais canais disponíveis na internet foi possível em alguns momentos cobrir 100% dos eventos ao vivo.
O executivo comentou que os quatro canais tradicionais estavam direcionados para a cobertura dos eventos e atletas brasileiros, sendo ancorados pelo SporTV4, que centralizava a cobertura e estava disponível 24 horas ao vivo. O transporte por fibra permitiu centralizar toda a ação de cobertura dentro do prédio da Globosat e usando o padrão IP 2022 com uma central IP que controlava toda a rede que distribuía o sinal ainda IP para os controles de produção. A automação foi um passo importante para a realização deste projeto.
“Seria muito difícil manter a estrutura tradicional para cada um deles”, então em oito canais foi montada uma estrutura automatizada que permitiu o uso de 2 pessoas com todo o controle nos eventos gravados.
Paulo Henrique Castro, diretor de Tecnologia e R&D da Globo, relatou a experiência da emissora nos testes realizados com o vídeo sob demanda (VoD) em 4K, mas principalmente a transmissão aberta em 8K durante os Jogos. Isto foi possível graças a uma parceria com a emissora japonesa NHK que desenvolveu o padrão. Durante 4 meses um engenheiro da TV brasileira permaneceu na sede da NKH recebendo treinamento para este evento. A exibição das imagens em Ultra Alta Definição (UHDTV) foi gratuita para o público no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Todos os sinais em Ultra HD saiam do IBC 8K/60p com uma compressão para 24 Mbps que era direcionada para o data center da Globo.com. Lá, o sinal recebia uma compressão HEVC e era enviado para a Globo, que o direcionava para Sumaré e o emitia pelo ar.
Castro considera este evento um marco na história da radiodifusão brasileira, pois ele “significa o início da nova evolução a qual a televisão aberta irá experimentar em um futuro bem próximo no Brasil e no mundo”.

 

Paulo Henrique Castro, diretor de Tecnologia e R&D da TV Globo

Paulo Henrique Castro, diretor de Tecnologia e R&D da TV Globo, considera a transmissão em 8K durantes os Jogos Olímpicos Rio 2016 um marco na história da radiodifusão brasileira

Mercado OTT apresenta desafios e oportunidades
A personalização da experiência e as soluções de transmissão ao vivo devem ser consideradas cada vez mais na produção e distribuição de conteú- dos. Shane Keats, diretor de Marketing da Akamai, na comunicação “The quality imperative for OTT”, abordou os desafios encontrados pelas empresas que entram no mercado de OTT’s nos Estados Unidos e afirmou que, mesmo os grandes players, têm altas taxas de evasão de clientes (chegando a 9% no Netflix, 25% na Amazon e 50% no Hulu). “É preciso ter produtos de qualidade para satisfazer melhor os clientes. Trabalhar com live OTT também é uma enorme possibilidade para competirmos com as empresas já consolidas como o Netflix”.
Hubert Salle, diretor de vendas da Broadpeak no Brasil, afirmou que o CDN é a melhor forma de distribuição de vídeos OTT. “Há uma estratégia de CDN para cada caso de entrega de vídeo. Uma boa estratégia se baseia no controle dos conteúdos, na qualidade de entrega e no custo. Para entregar o melhor conteúdo, é preciso trabalhar com vários formatos, sem dificuldades de buffering, e com um baixo custo”.
O palestrante ressaltou, também, a importância de analisar os dados para melhorar as experiências OTT. “É importante ter uma plataforma de análise de dados que permita melhorar a experiência. Entramos em uma nova era. Estão aparecendo players de nicho, como a OTT do Manchester United. A primeira tela hoje é o mobile, em um contexto de profusão enorme de conteúdos. Os provedores estão indo direto no assinante final. É fundamental estreitar essas relações entre o conteúdo e o usuá- rio. Conhecê-los será fundamental para a sobrevivência das empresas.
A personalização é outro aspecto que deve ser cuidadosamente pensado. É uma tendência que vai definir a televisão do futuro. Os conteúdos precisam estar disponíveis em qualquer lugar, a qualquer hora e em qualquer device”, frisou.

 Diretor de Marketing Setorial, Mídia e Entretenimento da Akamai Technologies, Shane Keats

O Diretor de Marketing Setorial, Mídia e Entretenimento da Akamai Technologies, Shane Keats, afirma que o mercado de serviços OTT está cada vez mais acirrado, no entanto, com as projeções globais de receitas chegando aos US$ 100 bi até 2020, é esperado que a concorrência se torne ainda mais intensa

Marcelo Souza, diretor de tecnologias e mídias digitais da Globo, falou da plataforma Globo Play, a aplicação OTT da empresa brasileira. “Os números do Globo Play seguem o quão quente está a audiência dos conteúdos na TV Globo. Temos 2.5 milhões de views por dia (em junho de 2016), mais de 8 milhões de downloads (em agosto de 2016), e uma média de consumo por dia/ por usuário de 27 minutos na WEB, 22 minutos em Apps Android, 40 min em Apps iOS e 43 min em Apps de TV Conectada.”
Os cinco conteúdos mais assistidos são sempre novelas, revelou Souza. “O Globo Play nasce multiplataforma, com parcerias com diversas marcas e plataformas. Temos uma interface que respeita a plataforma, com um design por contexto. Em termos de tecnologia, trabalhamos em parceria com a Globo.com. Há uma fragmentação da arquitetura da plataforma, em um mundo novo, no qual é preciso atuar com parcerias de CDN, de workflow, análise, busca etc. Em relação à orquestração de conteúdo, é importante dotar o seu controle mestre em multiplataforma. Fazer em paralelo pode sair mais caro. O Globo Play nasce pronto para expandir às afiliadas, em um conceito local-to- local e uma arquitetura de geofiltro. Outra competência de empresas de TI e software que precisamos incorporar é ser ágil em todo o processo. Deve ser acordado com o cliente. Para os Jogos Olímpicos, tivemos quatro builds do aplicativo em um mês.”

O representante da Globo lembrou, ainda, que o Globo Play já oferece coberturas em 4K para assinantes. “Além de escoar essa plataforma, estamos começando a fazer spin off de conteúdos da TV para o digital, com histórias paralelas de personagens e antecipação de capítulos na internet antes de ir ao ar na TV. Além disso, fizemos a primeira transmissão em 4k/HDR ao vivo na abertura da Olimpíada. No Brasil, eu acredito que faremos um salto direto às smart TVs. As próximas gerações já virão conectadas. Será natural que eles consumam conteúdos com máxima qualidade na TV”, concluiu.
Hugo Nascimento, diretor de tecnologia da AD Digital, frisou a necessidade de estar atento às transformações na recepção dos conteúdos. “O consumo mudou com os nativos digitais. Os hábitos estão modificados e cada um busca o seu con- teúdo, em sua própria tela. É preciso buscar o usuário onde ele estiver. A audiência está se tornando individual. Entender a necessidade do usuário é fundamental. Nesse contexto, a criação de conteúdos para nichos de mercado pontuais cresce. O Netflix já ultrapassou empresas pesos pesados no Emmy, apesar de ainda não serem uma empresa especificamente voltada para produção de conteúdo, mas sim, uma plataforma majoritariamente de entrega de conteúdos e hoje já são a terceira empresa no setor de produção.”
A monetização é outro ponto fundamental, segundo Nascimento. “Precisamos buscar conteúdos programáticos e específicos voltados a públicos específicos, além de aproveitar parcerias.” A AD Digital contribuiu com a Globo para fazer streaming durante a Olimpíada. A companhia também trabalha em parceria com o YouTube no desenvolvimento de uma solução para melhorar a capacidade de produção dos usuários do site no Brasil. “Os modelos de negócio em OTT devem considerar a família de devices que quero atender, o perfil de assinantes que quero alcançar e o tráfego de CDN”, concluiu o palestrante.
Nesse novo contexto, a segurança em ambientes digitais, IoT e OTT são cada vez mais importantes. Com os protocolos da indústria migrando para IP, a vulnerabilidade dos dispositivos nas emissoras aumenta. Preocupações com segurança em ambientes digitais e pirataria foram debatidos em sessão moderada por Oripide Cilento Filho.

George Almeida, engenheiro da Cisco, abordou os desafios e as necessidades de se pensar em segurança para aplicações em IoT (Internet of Things) e elencou os desafios em relação à segurança destes dispositivos. “Os vírus, quando surgiram, nos anos 90, não tinham objetivos específicos. Hoje, temos as APT’s (Ameaças Persistentes Avançadas), muitas vezes direcionadas especificamente a certos mercados, visando obter informações sigilosas e lucro. Com a proliferação dos dispositivos de IoT, as APT’s se tornam ameaças cada dia mais constantes”.
No mercado de broadcast, com os protocolos da indústria migrando para IP, a vulnerabilidade dos dispositivos aumenta. Por isso, segundo Almeida, “a Cisco vem trabalhando, junto com outros parceiros, em um framework para proteção de aplicações IoT que se baseia em autenticação, autorização, política de controle e política de análise, que permitam visibilidade e controle. É preciso saber quem está se conectando (autenticação), para poder diferenciar um usuário interno de um atacante. Para isso, desenvolvemos uma política de acesso consolidada, que permite separar cada tipo de conexão. É importante, também, usar um firewall que ofereça visibilidade. É preciso trabalhar com dados inteligentes e identificar os protocolos com os quais você trabalha, automaticamente e de forma passiva, para podermos controlar-los. O firewall deve ter a capacidade de evitar que comandos inesperados ajam”.
Miriam Von Zuben, analista sênior do CERT (Computer Emergency Response) e principal mantenedora da cartilha de segurança do Comitê Gestor da Internet, afirmou que os scans são responsáveis por 54% das notificações que recebe a instituição e apontou uma evolução de scans porta 23/TCP. “Cada vez mais temos equipamentos conectados. Um dos grandes problemas é que não existe preocupação com segurança nesses equipamentos. Uma das notificações que o CERT.br recebeu em 2015 foi uma câmera de segurança que estava hospedando phishing. Era uma empresa que, quando entramos em contato, não acreditou que a sua câmera estivesse sendo invadida. Não há um trabalho sendo feito para melhorar a segurança dos equipamentos. A maioria das empresas não têm essa preocupação para restringir a vulnerabilidade de um produto a oferecer acesso a uma rede Wi-Fi. Só se pensa em reduzir os custos dos dispositivos.
As universidades e os cursos acadêmicos também precisam incluir conceitos de programação segura logo nos primeiros anos de seus cursos. Os usuários comuns e os administradores de rede também precisam demandar segurança dos fabricantes.”
Gabriel Harmann, diretor de vendas Brasil da Irdeto falou sobre proteção de mídia e monitoramento online de pirataria. “Existe um crescimento global de serviços de OTT no mundo. Suportar esse crescimento de dispositivos e navegadores OTT do mercado requer um suporte que evite a fragmentação DRM. Cada fabricante tem o seu dispositivo DRM.
Os piratas estão evoluindo e adaptando os seus métodos de invasão para caixas de OTT. Esses sites têm evoluído muito. É necessário combater a pirataria, educando o consumidor e protegendo conteúdos com suportes Multi-DRM. A estratégia deve ser proativa. A pirataria aumenta os preços e gera desemprego. Há dois anos, a Irdeto fechou uma parceria com o Alibaba.com para detectar dispositivos que podem ser vendidos para pirataria. Essas colaborações entre empresas também são importantes”, finalizou.
Reinaldo Ferraz, especialista em desenvolvimento WEB da W3C Brasil, falou de aplicações em HTML5 para interação com a TV Digital e da atuação do órgão na elaboração de padrões de internet abertos e livres. “O W3C tem um grupo específico para discutir aplicações de WebTV cada dia mais interoperáveis. Na documentação da W3C, está expresso que não se pode acessar a câmera ou o dispositivo do usuário sem a permissão dele. A quantidade de tráfego de vídeo sobre IP em 2020 será 82% do consumo de tráfego de Internet. Em 2015, esse valor era de 70%, segundo a Cisco. O usuário está se tornando protagonista na Web. É importante considerar essa evolução. Ela é mais um aspecto do conceito de IoT. Participem da construção de padrões no W3C. É fundamental que todos os interesses sejam garantidos nesse processo.”