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HOT SESSION: Desligamento da TV Analógica

Sala cheia em uma das principais sessões do segundo dia do Congresso SET 2016

Moderada por Fernando Ferreira – Diretor de TV aberta da SET – a sessão “Desligamento da TV Analógica” apontou as questões que estão preocupando os setores envolvidos no processo de migração para a TV Digital no Brasil: o cumprimento do cronograma estabelecido e a entrega da frequência de 700 MHz

Raymundo Barros, diretor de Engenharia da Globo

Raymundo Barros, diretor de Engenharia da Globo, mostrou-se preocupado com o número de RTV’s a serem implantadas após 2018

José Bicalho, representante da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) abriu o painel apresentando o cronograma do switch-off para 2016 e 2017, que conta ainda com o desligamento de mais de 1000 cidades, ficando até para 2023 as demais 4 mil cidades. O desafio é enorme, no entendimento de Bicalho.
O que cria essa complexidade maior é a determinação dos órgãos reguladores de que 93% dos domicílios estejam aptos a receber o sinal digital. Esse número é aferido pelo ibope por pesquisas presenciais e por critérios definidos pelo GIRED. A meta de 93% é o grande desafio porque a parcela da população que deverá receber o sinal passa de 12 milhões de famílias de baixa renda nos primeiros prazos estabelecidos dentro do cronograma. Além disso, o remanejamento de canais e a limpeza da faixa de 700 Mhz também contribui para a preocupação de Bicalho.
Antônio Carlos Martelletto – Presidente da EAD – também discorreu sobre os desafios do desligamento e os principais problemas que a entidade vem enfrentando para cumprir as metas estabelecidas. Começou fazendo uma comparação com o ano de 2015, apresentadas neste mesmo congresso, e as previsões que foram feitas para 2016 naquela época.
“O que se avançou neste ano foi a própria estruturação da EAD com uma equipe de especialistas capazes de executar os trabalhos e o principal objetivo da EAD é a divulgação e compreensão da população do processo de desligamento”, disse Martelletto.
Para isso, a entidade lançou o site www.sejadigital. com.br com informações para que a população possa ter condições favoráveis na migração. Ainda, chamou a atenção para que em 2015 estava previsto o desligamento para 15 milhões, mas com a revisão do cronograma, novas metas foram estabelecidas, principalmente na questão dos domicílios. O maior objetivo do EAD é desligar 61 regiões que tenham a faixa de 700 MHz congestionada e “não deixar ninguém para trás”. O público de baixa renda é o foco principal.
Este foi o ponto levantado por Audiene Oliveria – VP da Eletros, quem trouxe o ponto de vista dos fabricantes de aparelhos de TV, aquele que entrega o produto final para o consumidor e o fim da somatória de todos os esforços da migração. “Não adianta migrar e transmitir se o consumidor não tem onde ver o sinal digital”. Oliveira chamou a atenção dos presentes dizendo que a indústria de receptores já está vivenciando a transição.
O Brasil é um dos principais mercados mundiais na fabricação de aparelhos de TV e a compra de aparelhos aptos a receber o sinal digital vem crescendo desde 2009, com ligeira queda em 2014 e 2015, mas atualmente a venda aproximada de aparelhos de televisão passa por cerca de 14 milhões de aparelhos. E, para a Eletros, a migração continua, pois as pessoas agora estão interessadas em adquirir televisores maiores e já em 4K. Oliveira afirmou que é preciso encontrar soluções com o governo para barateamento destes aparelhos, pois eles também são peças chaves na migração. As pessoas que possuem TV’s de tubo (mais de 34 milhões de aparelhos) caso as condições econômicas ajudem, migrarão para uma nova TV e não apenas o set-top-box. Outra preocupação para os fabricantes é quanto à interferência do LTE, pois, para muitos consumidores, quando houver interferência é com o fabricante do produto que a população irá se queixar.

Essa preocupação com o consumidor também é o ponto central apresentado por Raymundo Barros – Diretor de Engenharia da Globo – em sua fala durante a sessão.
Barros apresentou números significativos que estão pela frente, principalmente após 2018, quanto ao número de RTV’s a serem implantadas. Esse desafio se dá porque muitas estações ainda não estão regularizadas, muitas em posse de prefeituras, e a mão de obra especializada dos antenistas ainda não está totalmente capacitada em todas as regiões para se trabalhar com o sistema digital.
Os números impressionam. São 57 milhões de pessoas divididas em cidades de dez ou vinte mil habitantes que, em uma análise preliminar da emissora, representam mais de três mil estações de RTV para cobrir este numero de habitantes até 2023. Contudo, Barros se mostrou otimista quando a discussão da campanha que a TV Globo vem fazendo como piloto em Brasília, que conta com a ajuda de um “exercito” de voluntários, em parceria com o Senai, o quais estão percorrendo casa a casa no Distrito Federal, informando as pessoas como proceder para receber o sinal digital. Estas iniciativas vêm da experiência japonesa na migração. Barros elogiou o processo naquele país e alertou para a necessidade desta comunicação, pois como lembrado por ele, o México perdeu 15% da audiência da TV aberta por uma migração equivocada.