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Olimpíada mobiliza broadcasters à inovação

SET Sudeste Rio 2016

No SET Sudeste 2016, alguns dos principais players do mercado audiovisual expuseram as suas aplicações e os seus desenvolvimentos para a transmissão do maior evento esportivo do mundo, que se realizou no Rio de Janeiro: IP e 4K se colocam como realidades; 8K é testado no Museu do Amanhã

por Redação no Rio de Janeiro

Os Jogos Olímpicos Rio 2016 movimentaram a capital fluminense neste mês de agosto. A competição atraiu os olhares do mundo aos atletas que desembarcaram no país no início do mês – e exigiu grande esforço de emissoras e broadcasters dos mais diversos países na cobertura do megaevento. Pensando nisso, antes mesmo do início dos Jogos, a SET realizou, no Rio de Janeiro, o SET Regional Sudeste 2016, evento focado nas novas tecnologias, aplicações, serviços e soluções para produção, processamento, transmissão, recepção e exibição de conteúdos audiovisuais por diversas plataformas, tendo como tema o maior evento esportivo do mundo.

Na abertura do SET Sudeste 2016, Olímpio José Franco ressaltou o trabalho do Grupo de Espectro da SET e convidou os presentes a também se inscreverem no SET Expo 2016

A solenidade de abertura do SET Sudeste 2016 contou com a presença do presidente da SET, Olímpio José Franco, além de Paulo Ricardo Balduíno (Abert), Maria Lúcia Bardi (Anatel) e Ednéia Costa (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações). Olímpio José Franco agradeceu à organização do evento, ao público, ressaltou o trabalho do Grupo de Espectro da SET; e convidou os presentes a também se inscreverem no SET Expo 2016.

A representante do MinC, Ednéia Costa, falou das dificuldades encontradas pelo Ministério por conta das incertezas políticas com as quais convive o Governo Federal. “Nós estamos com a difícil missão de realizar a junção do Ministério das Comunicações com o Ministério de Ciência e Tecnologia. Estamos voltados a tentar renovar a outorga de muitas estações de radiodifusão e nos colocamos à disposição de vocês para nos visitarem, para conversarmos aqui no nosso escritório, no Rio”. Maria Lúcia Bardi também agradeceu o convite da SET e afirmou que a Anatel e o Ministério têm trabalhado em conjunto para consolidar o processo de desligamento do sinal de TV analógico no Brasil. Ela destacou, ainda, o esforço da Agência na fiscalização dos radiodifusores que transmitiriam os Jogos Olimpícos Rio 2016 (leia mais a seguir).

Rubens Vituli (SES) divulgou as novas aplicações para TV via satélite da SES e apresentou a preparação da companhia para a Olimpíada Rio 2016

Nas próximas páginas, destacamos as novidades e as tendências do mercado para a transmissão dos Jogos apresentadas no SET Sudeste 2016 pelos principais representantes do mercado audiovisual brasileiro e latino americano e mostramos os aspectos técnicos e regulatórios que também foram abordados no seminário.

Aplicações satelitais

Rubens Vituli, diretor de negócios para a América Latina da SES, iniciou as palestras do SET Sudeste 2016, no auditório da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, divulgando as novas aplicações para TV via satélite da SES e apresentando a preparação da companhia para a Olimpíada Rio 2016.

“A gente quer que o satélite ofereça um diferencial em comparação às outras formas de fornecer conteúdo. Temos conversado com os DTHs, inclusive, para oferecer o conteúdo também via tablets e smartphones com as nossas soluções, como o SAT IP”. Além do SAT IP, Vituli destacou o CDN Satelital como uma solução adequada para se utilizar em um país como o Brasil, de grande extensão territorial.

Raul Ivo Faller (Youcast/Enensys) apresentou a comunicação “Opções para transmissão via satélite de conteúdos ISDB-T considerando eficiência e monetização”

“A SES e, sobretudo a equipe de uso ocasional de satélites da SES, foca-se muito nas aplicações para a Olimpíada Rio 2016. Até junho deste ano, havia 15 mil e 300 horas agendadas para transmissões do Rio de Janeiro. O satélite NSS-806 e o SES-4 alocarão 94% das contribuições e dos uplinks que realizaremos no evento. O NSS-806 cobre a maioria das cabeceiras e possui um baixo custo. Será o satélite utilizado pela Rede Record, por exemplo, em banda Ku”.

Raul Ivo Faller, sócio diretor da Youcast e engenheiro da Enensys, apresentou a comunicação “Opções para transmissão via satélite de conteúdos ISDB-T considerando eficiência e monetização” e mostrou que a Enensys desenvolveu um sistema para transmissão de conteúdos ISDB-T em total compatibilidade com o DVB-S/S2; uma aplicação que respeita as disposições de redes SFN e os múltiplos conteúdos formatados em MPEG-2 TS na interface aérea.
“A publicidade na televisão tem crescido e continua sendo o meio mais eficaz de envolver a audiência. A segmentação da TV é uma maneira de envolver os telespectadores, com anúncios segmentados, informações regionais, previsão do tempo local, programas políticos sobre uma base regional e programas e anúncios de base regional e de interesse local. Nesse contexto, a Enensys desenvolveu uma solução para transmissão de conteúdos ISDB-T, em compatibilidade com o DVB-S/S2. A solução busca um transporte stream via interface satelital, mas, toda a sinalização BTS e a base de tempo inseridas em um PID, o que otimiza o uso de banda de satélite e gera múltiplos usos a um link satelital entre as diferentes normativas”, explicou.

Armando Moraes (EVS Brasil) contou que um cliente, que fez a cobertura da Olimpíada, precisou gravar 40 sinais simultaneamente. “Esses sinais, gravando no servidor XS, vão por streaming pelo sistema da AVID, enquanto o material está chegando, sem precisar esperar o arquivo todo”

Transmissões esportivas ao vivo
Armando Moraes, gerente de projetos da EVS Brasil, na palestra “Soluções avançadas para transmissão de eventos esportivos ao vivo”, explicou como os servidores da companhia se adequaram a esse tipo de transmissão. “O que a EVS fez foi aumentar a quantidade de canais nas mesmas caixas. A primeira coisa que fizemos foi isso, aumentar a nossa densidade para 12 canais. Neste ano, a EVS apresentou o XT-3, que permite até 16 canais, uma demanda cada vez maior das câmeras de alto frame rate. Na área de produção, o nosso protagonista é o servidor XS, que pode operar com ingest, gerenciamento e playout, mas, com menos canais, justamente por ser voltado às produções. Um cliente EVS que vai fazer a cobertura da Olimpíada precisou gravar 40 sinais simultaneamente. Esses sinais, gravando no servidor XS, foram por streaming pelo sistema da AVID, enquanto o material chegava, sem precisar esperar o arquivo todo. Isso propicia uma vantagem muito grande a quem trabalha com esportes ao vivo”, ponderou.
Roberto Primo, diretor de tecnologia da Globosat, explicou que o SporTV transmitiu a Olimpíada com 16 canais lineares de TV por Assinatura em HD – dos quais quatro serão mantidos na transmissão dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 (7 a 18 de setembro) – e mais 40 canais na WEB.
“A distribuição será feita de maneira convencional, e também no SporTV Play, a nossa plataforma On Demand”, frisou. Quase 1.000 profissionais estiveram envolvidos na cobertura. “Na Copa 2014 lançamos uma cobertura ao vivo 24 horas.

Roberto Primo (Globosat) explicou como o SporTV transmitiria os Jogos Olímpicos com 16 canais linearesde TV por Assinatura em HD e mais 40 canais na WEB

Quisemos repetir isso nos nossos canais Premium, o SporTV 1, 2 e 3, com a transmissão dos principais eventos. O SporTV 4 será utilizado como um canal exclusivo de notícias funcionando como um diretório aos outros canais. Os demais farão a transmissão por modalidades. Tivemos, também, mais de 110 comentaristas esportivos para fazer com que a transmissão seja mais interessante. Deixo aqui o meu agradecimento às operadoras brasileiras que toparam esse projeto. Sem eles, não teria sido possível”.
O início da distribuição nos 13 canais extras ocorreu em 1 de agosto e se encerrou no dia 22. Os satélites utilizados foram o Starone C1 65º 1050 MHz vertical e o Starone C3 75º 1350 MHz horizontal. Em conjunto com a Globo e a NBC, a Globosat fez a transmissão da abertura do megaevento em 4K. Com a OBS (Olympic Broadcasting Service), a emissora brasileira entregou conteúdos em 4K que ficaram disponíveis em VOD com algum delay em relação aos horário das competições. A NET e Claro também fizeram testes com set-top-boxes 4K durante os Jogos, explicou Roberto Primo.
O executivo contou, ainda, que a infraestrutura operacional do projeto foi interna e remota. “Fizemos o roteamento e o tráfego de sinais de vídeo sobre redes IP usando os padrões de vídeo SMPTE2022-6 e de AES67/RAVENNA. Fizemos o transporte de sinais IP com switchers da Arista, a base de comunicação da Imagine Communications e uma infraestrutura de 40 GB. O projeto da Olimpíada serviu para nós desenvolvermos e estudarmos um padrão. Recebemos 55 sinais da OBS, que serão recebidos por um anel óptico. Tivemos um estúdio no Parque Olímpico, com um prédio próprio da emissora. É uma estrutura de dois andares. E um terceiro estúdio na Avenida Abelardo Bueno. Esse estúdio teve um box de realidade virtual para colocar os grafismos dos programas. É um controle de produção remota. A operação ficou no prédio da Globosat, a uns quatro quilômetros dali”.

Vitor Oliveira (SET/Unisal), na apresentação “Papel do profissional de TI na qualidade no ciclo de vida do conteúdo”

“Fizemos, também, um acordo com a Samsung para uma experiência de realidade virtual durante os jogos, com uma experiência imersiva para usuários do Samsung S7”, contou o representante da Globosat.

Monetização e monitoramento de conteúdos e redes
Vitor Chaves de Oliveira (SET/Unisal), na apresentação “Papel do profissional de TI na qualidade no ciclo de vida do conteúdo”, afirmou que o essencial para se conseguir monetização é, antes de mais nada, ter pessoas que produzam conteúdos de qualidade nas emissoras. “Os usuários hoje querem conteúdo dinâmico, ‘para agora’. Quando conseguirmos, de fato, implantar soluções IP leves, deve se abrir uma possibilidade de medir a audiência real dos produtos e de se monetizar com conteúdos.
A audiência na Web precisa ser monitorada para que haja monetização”.
Jaime Fernando Ferreira, diretor da AVICOM Engenharia, também falou de QoS (Qualidade do Serviço) e QoE (Qualidade da Experiência) e mostrou a importância de monitorar tanto uma quanto a outra. A AVICOM Engenharia é uma empresa de desenvolvimento de negócios na área de tecnologia que, no Brasil, é representante autorizada da Ericsson e da norueguesa Bridge Technologies, entre outras grandes companhias.

Nos Jogos Olímpicos Rio 2016, a AVICOM trabalhou com a análise e o monitoramento de mais de 30 canais para a Claro TV, explicou Jaime Fernando Ferreira, diretor da companhia

Com a Bridge, a companhia dirigida por Ferreira oferece aos broadcasters brasileiros soluções como o MediaWindow, uma tecnologia de visualização para streaming de mídia e serviços que permite aos operadores a detecção e a análise de perdas de pacote UDP, tem capacidade de análise em tempo real de todos os streams e é compatível com as demais tecnologias Probe da Bridge. As Probes são placas de hardware que realizam monitoração, análise e medição de mídia em tempo real para redes de comunicação com conexão IP, ASI ou RF com aplicações em broadcast e telecom.
“Em uma rede IP, é importante verificar se os streams multicast estão em conformidade devido ao jiter, à perda de pacotes e aos limites de banda. O padrão de referência é o ESTI TR 101 290 (padrão guia para sistemas DVB). Além do padrão ETSI 290, as Probes devem fazer outras leituras, avaliações e gerações de alarmes para detectar, por exemplo, falta de áudio, distorção em colorimetria, ‘black’, perda de frames. Na prática, a inclusão de Probes com essas características permite uma substancial redução de OPEX, com uma atuação preventiva para resolução rápida de problemas. Na Olimpíada Rio 2016, a AVICOM trabalhou com a análise de mais de 30 canais para a Claro TV”.

Atuação da Anatel na Olimpíada

Anatel realizou a maior fiscalização de sua história nos Jogos Olímpicos Rio 2016, com mais de 280 fiscais e R$ 165 milhões de investimento, explicou Rodrigo Vieitas (Anatel)

Rodrigo Vieitas, assessor técnico da Anatel, falou da atuação do órgão nos Jogos Olímpicos Rio 2016 e explicou que a agência auxiliou no gerenciamento do espectro de frequências durante a competição, conforme previsto legalmente, realizando atividades de fiscalização da autorização de uso temporário do espectro, teste e etiquetagem dos equipamentos e monitoração do espectro.
“Utilizamos sensores instalados ao redor da cidade e na nossa Estação de Monitoração de Satélites. Servidores da Agência estiveram nas principais instalações de competição e não competição, atuando no controle de utilização do espectro e na solução de interferências prejudiciais, além da presença nos centros integrados das forças de segurança para atuação quando necessário. Tivemos salas de etiquetagem também no IBC (International Broadcast Centre)”.
Ao todo, 280 agentes da Anatel trabalharam no evento, sendo 200 fiscais apenas no município do Rio de Janeiro. “É a maior atividade de fiscalização da agência em um único local”, pontuou Vieitas. “A Anatel investiu R$ 165 milhões na compra de equipamentos para os Jogos que ficarão conosco para uso posterior. Tivemos uma estação de monitoração de satélites (EMSAT) que fez monitoramento em Banda C, Ku e Ka e geolocalização em banda C e Ka. E, utilizamos outros equipamentos como analisadores de espectro portáteis. Todo o planejamento da agência é público e está disponível na página da Anatel e na página oficial do evento“.

Broadcasters e engenheiros ouvem atentos como seria realizado o trabalho de fiscalização da Anatel nos Jogos

Certificação UHD, 4K, HDR e virtualização são debatidos no SET Sudeste

Celso Araújo (SET) explicou o que é e como funciona a certificação UHD Premium, uma especificação elaborada por mais de 40 empresas da UHD Alliance

Erick Soares (Sony) afirmou que precisamos pensar em soluções de conectividade IP e transporte de sinais HD/4K/HFR em tempo real e em inovações de workflows para melhorar a eficiência operacional

Celso Araújo (SET) falou das mais recentes normas e tecnologias de captação, visualização, processamento e transmissão de imagens em 4K. Ele explicou o que é e como funciona a certificação UHD Premium, uma especificação elaborada por mais de 40 empresas da UHD Alliance lançada em janeiro de 2016, em Las Vegas, na CES. “A UHD Premium aglutina normas. No que diz respeito à resolução de imagem, utiliza 3840 x 2160 em 4K. Além disso, a certificação determina o padrão HDR SMPTE ST2084 EQTF, com mais de 1000 nits de brilho máximo e menos de 0,05 nits no nível de preto, ou mais de 540 nits de brilho máximo e inferior a 0,0005 nits no nível de preto”.
Na opinião do executivo, chegará um momento em que não conseguiremos mais utilizar as câmeras antigas em conjunto com as câmeras novas, em HDR, nas emissoras. “O futuro nosso já é o HDR. O problema é que ainda não há equipamentos para reproduzir as imagens captadas. Já temos câmeras na Globo com 21 stops. Isso trouxe um problema novo ao mundo UHD”. O manuseio de vídeos com Codecs HEVC (High Efficiency Video Codec) em 8K é outro problema com o qual os broadcasters devem estar atentos, segundo Araújo. “Precisamos estar preparados para o futuro em 8K. A NHK já está fazendo testes para broadcast em 8K até 2020. É o que será testado também no Museu do Amanhã, pela TV Globo. Em 2017, 2018, já deveremos ter um novo Codec surgindo”.

Felipe Andrade (Snell Advanced Media), apresentou “A abordagem da SAM para os ‘hot topics’ do mercado: Virtualização, 4K, SDI para IP e Olimpíada 2016”

Erick Soares (Sony), na palestra a “Produção Esportiva na Era Beyond Defiition”, lembrou que “quando falamos de novas tecnologias, não podemos olhar simplesmente para resolução de imagem. Outros cinco elementos também são fundamentais, como o HD, o 4K, o High Frame Rate, o Wide Color Gamut e o High Dynamic Range. Além disso, precisamos pensar em soluções de conectividade IP e transporte de sinais HD/4K/HFR em tempo real e em inovações de workflows para melhorar a eficiência operacional”.
Felipe Andrade (Snell Advanced Media – SAM), apresentou “A abordagem da SAM para os ‘hot topics’ do mercado: Virtualização, 4K, SDI para IP e Olimpíada 2016” e lembrou que os datacenters, hoje, vêm sendo substituídos por blade servers que possibilitam reduzir custos e reduzir espaço operacional nas emissoras. “Além disso, existem as clouds que nos possibilitam guardar conteúdos em nuvens privadas e em nuvens públicas. Nas nuvens públicas, alugamos espaço no computador de alguém para armazenar os nossos conteúdos. Isso é o que faz sentido hoje”, argumentou.
Kirssy Valles, diretora de desenvolvimento de negócios da Harmonic, apresentou a palestra “Superando as barreiras para entregar serviços OTT na nuvem” e afirmou que as tecnologias de entrega na cloud oferecem agilidade, flexibilidade e escalabilidade.

Edson Thomioka (Canon) elencou os cuidados básicos relacionados à conservação das lentes de câmeras digitais em sua exposição no SET Sudeste 2016

“Na Olimpíada, se eu quiser ter um ou dois canais e quiser entregar de forma tradicional, precisarei de uma infraestrutura somente para a transmissão do evento. Na nuvem, esse processo fica simplificado. Quando falamos em arquiteturas desse tipo, na cloud, falamos de infraestruturas que podem ser compartilhadas, com serviços de CDN e uma aplicação como o VOS 360º da Harmonic, um serviço de OTT que pode oferecer streaming de VOD ao vivo, Time-Shift TV, e Cloud DVR. Esse é um serviço profissional de processamento de vídeo OTT. Usuários pagam por uso ou por planos de subscrição. Quando falamos de utilizar sistemas de transcodificação na nuvem como o VOS 360º, estamos falando em uma série de parcerias da Harmonic com outros players, em um sistema transparente de preços e serviços ao consumidor; em um sistema ágil e flexível para workflows customizáveis; e em um sistema econômico, que permite escalabilidade, poucos riscos e monetização”.

 

Em mais uma palestra descontraída, Raquel Oliveira (SNEWS) falou da necessidade de integração nas emissoras jornalísticas

 

Cuidados na conservação das lentes
Mudando um pouco o foco das apresentações SET Sudeste 2016, Edson Thomioka (Canon), elencou os cuidados básicos relacionados à conservação das lentes de câmeras digitais em sua exposição. “Cerca de 30% dos problemas que os nossos clientes tem com as lentes são gerados por má preservação e manejo inadequado dos equipamentos. Todas as lentes, quando são adquiridas, compõem as tampas de proteção, que devem ser utilizadas. Utilizando-se essas tampas, já se minimizam os riscos. Os filtros de proteção também são fundamentais, sobretudo em produções externas”.
A quebra do pino da baioneta é outro problema apontado por Thomioka. “Nós observamos que, em algumas situações, os usuários utilizam força desproporcional na fixação e na desmontagem da lente. Isso precisa ser evitado, assim como a utilização indevida de parafusos não originais”.

Marco Túlio Nascimento (ZY Digital) e Eduardo Cappia (EMC/SET) participaram da “Sessão SET Radiodifusão Sonora, Migração AM-FM e Desafios atuais e Pós-Olimpíada 2016

Em mais uma palestra descontraída, intitulada “Integração de sistemas: otimização do tempo e agilidade de processos”, Raquel Oliveira (SNEWS), argumentou que existe uma crescente demanda de softwares para automatização de processos dentro das empresas jornalísticas de radiodifusão. “A plataforma ANEWS, da SNEWS, automatiza e integra todos os aspectos do trabalho jornalístico em uma emissora de radiodifusão. A automatização nas redações está bastante avançada. A plataforma da SNEWS já possibilita essa integração com os repórteres na rua e os editores nas ilhas de edição, no playout, no MAM. O repórter ou o editor-chefe podem acessar vídeos de qualquer lugar do mundo, com um celular.
É um sistema completo”, pontuou a jornalista.

Sessão SET Radiodifusão

Evandro Tiziano (Akron Technical Service) falou dos desafios de otimização de cobertura de emissoras FM com a utilização de sistemas síncronos e reforçadores de sinal

Na “Sessão SET Radiodifusão – Radiodifusão Sonora, Migração AM-FM e Desafios atuais e Pós-Olimpíada 2016”, realizada no auditório da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, Eduardo Cappia (SET/EMC), falou do momento do rádio no Brasil e apresentou os desafios das emissoras com a migração e a adoção das reforçadoras de sinal.
“É preciso esquecer o conceito de potência e pensar no conceito de cobertura, uma vez que existem curvas de distância máxima baseadas em cálculos estatísticos de altura efetiva e de ganho de antena”, afirmou Cappia. Além disso, os radiodifusores precisam saber qual é a classe de suas emissoras, segundo o executivo. “É preciso trabalhar na otimização da instalação, com máxima eficiência energética e com a aplicação de ferramentas digitais de cobertura”.
Evandro Tiziano (Akron Technical Service), explorou os desafios de otimização de cobertura de emissoras FM com a utilização de sistemas síncronos de FM e reforçadores de sinal. “Um projeto de otimização de cobertura de sinal digital precisa ter performance e confiabilidade, com precisão de frequência, precisão de tempo, estabilidade, e redundância”, argumentou. Os sistemas síncronos para FM surgiram atendendo um anseio de preenchimento de cobertura na mesma frequência operacional da Rádio Catedral Rio 106,7 MHZ, no ano 2000, explicou Tiziano. “A contribuição foi incorporada ao item 5.2.9 da resolução 67 do MEC. Assim, conseguimos estender cobertura sem necessidade de aumento de potência, o que cria viabilidade de novos canais e reduz a ocorrência de sinal interferente”.

Marco Túlio lembrou que as grandes emissoras cariocas de rádio não realizaram a cobertura da Olimpíada por conta do alto custo do evento


Desafios do rádio em externas esportivas
Marco Túlio Nascimento (ZY Digital), na palestra “Transmissões esportivas, desafios, cases e mobilidades”, lembrou que as grandes emissoras cariocas de rádio não fizeram a cobertura da Olimpíada Rio 2016 por conta do alto custo do evento e apresentou cinco desafios de transmissões externas. O primeiro desafio é a questão da conectividade, segundo o executivo. “A conexão com a internet precisa ser boa para transmitir ao vivo”.
As interferências de espectro, a mobilidade, o delay, e a complexidade operacional dos equipamentos para jornalistas manejarem são outros desafios na reportagem ao vivo”. A logística também precisa ser eficiente, na opinião do palestrante, por conta da diversidade e da sofisticação dos equipamentos de hoje, o que aumenta muito o custo de uma externa. “É preciso simplificar a operação, mantendo o mesmo resultado. Com recursos limitados, demanda por volume, urgência de entrega, e gap operacional, a qualidade técnica pode ficar prejudicada. Para resolver isso, é preciso uma mudança de cultura, um redesenho de processos operacionais, uma simplificação logística, uma autonomia da reportagem e, sem dúvida, uma elevação da qualidade do conteúdo”, pontuou.
OTTs vs TV Aberta vs TV por assinatura vs Telecom

Cristóvam Nascimento (SET/UNISAT) abordou as mudanças nas formas de trabalhar com televisão, em um momento em que a TV Aberta concorre com as TVs por assinatura, com os serviços OTT e com as operadoras de telecom

Quem também palestrou no SET Sudeste 2016 foi o diretor da UNISAT Consultoria, Engenharia e Treinamento, Cristóvam Nascimento. Ele abordou as mudanças nas formas de trabalhar com televisão, em um momento em que a TV Aberta concorre com as TVs por assinatura, com os serviços OTT e com as operadoras de telecom e mostrou como isso pode afetar os engenheiros e os profissionais de televisão caso não se atentem às transformações tecnológicas e de recepção.
“Alguns postos de trabalho estão acabando e muita gente ainda não percebeu isso. Não podemos impor nada aos receptores. É preciso estarmos atentos às gerações que estão no mercado de trabalho e às gerações que estão recebendo os nossos conteúdos. Devemos estar ligados, conectados, processando e nos atualizando continuamente. Os conteúdos precisam voar de uma tela para a outra a partir da vontade dos usuários. Devemos pensar em uma nova geração de produtos ‘smart’, que possibilitem recepção de qualquer lugar, a qualquer hora. Isso deve começar já na criação dos conteúdos”, afirmou.
Na palestra que encerrou o evento, Fabio Tsuzuki (Media Portal), lembrou que o tempo para achar uma imagem em MAM com sistema digitalizado é muito menor do que o tempo para recuperar conteúdo em fita analógica ou, mesmo, em um sistema analógico com indexação, o que também afetará o mercado de broadcast.
“Os salários dos operadores desses processos vão subir, porque os profissionais terão que ser mais qualificados para trabalhar com o MAM. Mas, o trabalho pode ser feito em muito menos tempo. O MAM é uma super ferramenta, capaz de gerar novas receitas e otimizar processos”, ressaltou Tsuzuki.

Broadcasters trocaram experiências e fizeram contatos nos intervalos das palestras do evento, no antigo prédio da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro

 

Parte dos broadcasters e pesquisadores que acompanharam as últimas palestras do SET Sudeste 2016 posaram para foto ao final das atividades


Regulamentação e desligamento da TV analógica

Paulo Henrique Balduino (Abert) afirmou que um dos desafios após o switch-off será a convivência do 4G/LTE com o sinal de TV Digital

“É preciso que haja uma revisão da portaria 6.738/2015, que permite a autorização de secundárias digitais, com operação em transmissão analógica”, afirmou Tereza Mondino (SET)

O SET Regional Sudeste 2016 contou com o Painel SET – Regulamentação, Desligamento da TV Analógica e interiorização da TV Digital. Liliana Nakonechnyj, diretora internacional da SET, moderou a atividade e explicou o que ainda precisa muito trabalho no país para que o processo de desligamento seja concluído.
“A TV analógica funciona no Brasil há muitos anos, mas, estamos passando a um novo estágio de TV Digital, que já está disponível para mais de 70% da população do país. O trabalho de desligamento é um trabalho bastante grande. A TV já foi desligada em vários países do mundo, no Japão, em vários países da Europa e nos Estados Unidos. A diferença do processo de desligamento no Brasil está nas várias etapas que ocorrerão todas juntos, o desligamento dos canais analógicos, o remanejamento de canais na faixa de 700 MHz e a operação LTE na faixa de 700 MHZ. Nós temos a ambição de fazer tudo ao mesmo tempo e isso é um desafio enorme”. “Não se pode simplesmente desligar o sinal de uma cidade de um dia para o outro. Por isso, o switch-off será realizado por cidades e em três fases”, acrescentou a representante da SET.
Paulo Ricardo Balduino (Abert), reforçou o alerta da moderadora da sessão: “O nosso processo, como a Liliana já falou, é extremamente complexo. Os pontos principais são respeitarmos três aspectos, os 93% de lares a receberem o sinal digital em uma cidade em que o sinal será desligado, o compromisso do governo em liberar a Faixa de 700 MHz até 2018, e, depois disso, o desafio será a convivência do 4G/LTE com o sinal de TV Digital. A discussão passa por esses três pontos”.

Tereza Mondino (TM Consultoria/SET), falou das atividades do GTRm – o Grupo de Técnico de Remanejamento do GIRED – e abordou as preocupações regulatórias da SET com o apagão analógico. “As emissoras secundárias que se tornaram digitais terão um potencial de interferência muito grande. É uma situação bastante preocupante. É preciso que haja uma revisão da portaria 6.738/2015, que permite a autorização de secundárias digitais, com operação em transmissão analógica. Uma maneira melhor seria voltar aos cronogramas e estabelecer novas diretrizes e restrições”, disse.


Globo realiza testes com tecnologia 8K, no ar, durante os Jogos

Os testes ocorreram no Museu do Amanhã, de 05 a 20 de agosto, onde foram transmitidas a abertura
e outras competições dos Jogos, em Ultra Full HD

Broadcasters e pesquisadores lotaram o Auditório da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro

“Esse evento será um marco para a transmissão televisiva”, afirmou Paulo Henrique de Castro (Globo)

Paulo Henrique de Castro, diretor de tecnologias de transmissão, pesquisa e desenvolvimento da Globo, contou que a emissora carioca realizou experiências com 8K durante os Jogos Olímpicos Rio 2016, com uma exposição no Museu do Amanhã, de 05 a 20 de agosto, na qual foram transmitidos conteúdos em 8K – inclusive a cerimônia de abertura dos Jogos e outros eventos ao vivo – em um telão de 300 polegadas.
“Não há nenhum compromisso comercial. Será, simplesmente, uma experimentação. Realizamos transmissão em 8K a partir do canal 30 UHF, transmitindo de Sumaré. Com o telão de 300 polegadas, em um espaço de mais de 250 lugares, equipado com 22.2 canais de áudio. Os fluxos de sinais foram ao IBC e, do IBC, tivemos um link 8K 60p sendo transmitido a 24 Gbps. A ideia surgiu na NABShow 2015. Enviamos um pesquisador à NHK entre janeiro e abril de 2016 para desenvolver essa possibilidade em parceria com a emissora pública japonesa”.


Designer de áudio premiado, palestra no SET Sudeste 2016

Baixa qualificação dos profissionais preocupa Marcelo Claret, vencedor do prêmio Bibi Ferreira em 2015
como o Melhor Designer de Som de todos os musicais montados no Brasil

“Se tiver um áudio de qualidade e diferenciado, é possível fidelizar o público”, afirmou Marcelo Claret (IAV) no SET Sudeste 2016

Idealizador e fundador do Instituto de Áudio e Vídeo (IAV), Marcelo Claret abordou a relevância do áudio nas produções televisivas, em palestra na tarde do segundo dia do SET Sudeste 2016. Para introduzir a sua explanação, o executivo apresentou um trecho do filme Kill Bill, de Quentin Tarantino, no qual o diretor norte-americano utiliza um blackout de mais de um minuto e sete segundos para construir a sua narrativa.
“Para mim, isso mostra que nós devemos pensar em áudio e em visual e não apenas em audiovisual. O áudio é o único de nossos sentidos que está sempre trabalhando, que é omnidirecional. Escutamos mesmo quando estamos dormindo. Mas, qual é a percepção de áudio do público comum?”, questionou o palestrante. “Se você tiver um áudio de qualidade e diferenciado, é possível fidelizar o público! Essa entrega só acontece com qualificação profissional”.
Em 22 anos de treinamento no IAV, Claret disse ter percebido que a formação de profissionais de áudio é extremamente deficiente no Brasil. “Os nossos alunos chegam aqui sem saber calcular um logaritmo. Falta fundamento básico de áudio e acústica aos profissionais no país. É para reverter esse quadro que nós trabalhamos”.
A IAV é considerada a melhor escola de áudio da América Latina e se consagrou como referência na qualificação de profissionais do mercado de audiovisual. Claret trabalha com sonorização de musicais da Broadway no Brasil desde 2001 e, em 2015, recebeu o prêmio Bibi Ferreira como o Melhor Designer de Som de todos os musicais montados no Brasil.