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Futuro da TV no Brasil, virtualização, e integração nas emissoras debatidos em Porto Alegre

SET Sul 2016

Em uma indústria broadcast cada vez mais voltada ao 4K e ao IP, a integração de softwares abertos, as novas possibilidades de transmissão de sinal e a virtualização nos fluxos de trabalho das emissoras aparecem como possíveis soluções aos produtores de conteúdo e aos radiodifusores; mudanças tecnológicas, ameaça ao espectro e desligamento do sinal analógico no país até 2018 também foram discutidos pelos mais de 200 especialistas e pesquisadores presentes no primeiro encontro regional da SET deste ano, realizado na capital gaúcha, entre os meses de maio e junho.

por Fernando Moura e Gabriel Cortez

O SET Regional Sul 2016 realizado no Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter), em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul (RS) teve como principais assuntos o gerenciamento, a produção, a transmissão e a distribuição de conteúdo eletrônico em múltiplas plataformas.
Organizado pela diretoria da SET Regional Sul, o Seminário de Tecnologia de broadcast e Multimídias integra uma série de encontros realizados pela SET, ao longo do ano, em todas as regiões do Brasil (SET Sul, SET Norte, SET Centro-Oeste, SET Nordeste e SET Sudeste), e contou com o apoio da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), da Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão (AGERT), da RBS TV e da UniRitter.
Além de analisar o gerenciamento, a produção e a distribuição de conteúdo eletrônico multimídia, os palestrantes convidados e participantes do evento debateram as normas e as regulamentações que envolvem a radiodifusão brasileira e delinearam o cenário atual e futuro das tecnologias de broadcast e novas mídias. Nas próximas páginas, a Revista da SET apresenta as discussões protagonizadas nesses dois dias de evento, que reuniram mais de 200 especialistas, alunos e pesquisadores das áreas de tecnologia e engenharia de televisão na capital gaúcha.
“Durante dois dias, contamos com a participação de executivos da indústria, pesquisadores e representantes de órgãos governamentais, em uma oportunidade de colocar em discussão as novidades e as tendências da indústria audiovisual nacional e regional”, destacou Carlos Fini, diretor do SET Regional Sul e diretor de Tecnologia da SET.

Auditório do Centro Universitário Ritter dos Reis/UniRitter, em Porto Alegre, recebeu os mais de 200 pesquisadores e executivos nos dois dias do evento

Futuro da TV aberta no Brasil
A ameaça ao espectro, as mudanças tecnológicas e o desligamento do sinal analógico no país até 2018 foram os temas das duas atividades inaugurais do SET Sul 2016. Moderado por Carlos Fini, o primeiro painel – “Desafios da televisão brasileira” – contou com as palestras de Paulo Henrique de Castro, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento em Tecnologia e Telecomunicações da TV Globo, e Sady Ros, Gerente Técnico do SBT.
Para introduzir o debate, Fini lembrou que “o espectro é finito, pois tem limites e regras de uso” e fez a seguinte pergunta aos convidados: “como vocês veem a TV brasileira diante deste desafio?”. Castro argumentou que “a democracia do espectro na TV aberta brasileira é fundamental, porque os nossos 37 canais de UHF já estão ocupados e o espectro para TV, na nossa realidade atual, já está no limite” e frisou a “vitória importante” dos radiodifusores na OET.
“Em 2019, voltaremos a discutir o que ocorrerá em 2023. Essa conquista dá tempo aos broadcasters brasileiros para continuar na ‘batalha’. É uma discussão ampla, ela tem aspectos comerciais, financeiros, políticos. Se nos ativermos ao mercado, nos EUA, a Sprint, não entrou no leilão do espectro de 700 MHz. O Google, que tem rede de fibra no país todo, e era um dos candidatos a comprar a faixa para dar acesso a todas as pessoas, também não entrou no leilão. A telefonia móvel de celular entrou. A Sprint acredita nas micro e nano células. No Brasil, não temos isso. Se as teles fizessem esse tipo de investimento, haveria liberação do espectro. Na Coreia do sul, a faixa de 700 MHz foi preservada para a televisão digital”, acrescentou. Em relação à digitalização do sinal de radiodifusão no Brasil, o representante da TV Globo afirmou: “Eu não tenho dúvida também que a televisão vai sair fortalecida do switch-off. Teremos um serviço com muito mais qualidade, flexível e também com muito mais conteúdo. Esse conteúdo vai escorrer para outras mídias. Mas, o principal vai continuar na TV”.

Broadcasters e organizadores do evento conversam antes da cerimônia de abertura do SET Sul 2016

“Um desafio que a gente tem é fazer o switch-off. Para isso, o Ministério das Comunicações e a Anatel têm que agilizar o processo de liberação dos canais”, ponderou, afirmando, ainda, que o Brasil vive uma situação única em termos de TV. “Nós não podemos nos espelhar, somente, na experiência americana para pensar nos próximos ‘passos’ da radiodifusão por aqui. Lá [Estados Unidos], a TV Aberta não tem a abrangência e a audiência que tem aqui. O primeiro veículo que os brasileiros buscam, por exemplo, em casos de emergência, é a televisão”.
Sady Ros concordou: “a gente tem uma preocupação muito grande em relação ao espectro. Em muitos mercados, a televisão não tem tanto espaço como no Brasil. Então, nós precisamos preservar o espectro. Brigar por ele. Até 2023, a nossa situação está garantida. Mas, 2023 é ‘logo ali’. Se não começarmos a trabalhar agora pela manutenção do espectro após 2023, nós estaremos ameaçados. Cada vez mais, órgãos como a SET e a Abert tem que estar alinhados, em conjunto com a Anatel para preservar, não só a integridade da nossa operação como a de nossos espectadores. A nossa realidade é diferente da de outros países. Nós precisamos garantir a democracia do espectro para os nossos consumidores. O broadcast ainda tem muita sobrevida e vai muito longe”.
Em 2015, lembrou o gerente técnico do SBT, os canais mais vistos no Brasil foram mais de 60% de TV aberta, segundo o Ibope. “Um outro dado, ainda mais contundente, em respostas aos apocalípticos, é que a TV aberta ainda abocanha 68% do bolo publicitário. Então, aquelas opiniões de que a internet vai acabar com a TV não se justificam. O consumidor de hoje não é mais aquele que só senta para assistir TV. Tanto que se criou o conceito de segunda tela e as grandes redes de TV aberta já têm os seus portais, SBT, Globo e Record”.

Paulo Henrique de Castro (Globo) fala no auditório da UniRiter, em Porto Alegre

O palestrante encerrou a sua participação discordando de quem afirma que as pessoas vão passar a assistir TV nos computadores. “Essa coisa de prever o futuro é muito complicada. Mas, a tendência é que as pessoas façam o contrário: acessem a internet pela televisão”. Carlos Fini complementou o raciocínio do executivo do SBT e afirmou que nada mais reflete a questão da mobilidade do que o comportamento das pessoas. “Os devices pequenos estão se tornando presentes na vida das pessoas integralmente”.
A questão da durabilidade da energia dos celulares também foi colocada em pauta como um desafio à passagem da TV aberta aos dispositivos móveis: “A mobilidade, do ponto de vista do aparelho, não é só transmitir um sinal robusto. Mas, há, também, a questão da gestão de energia. Hoje, se as pessoas utilizarem o celular para assistir televisão, ficam sem bateria para os outros usos do aparelho móvel. Eu não tenho dúvida que, em médio prazo, essa solução estará integrada no mundo broadcast televisivo”, concluiu Paulo Henrique de Castro.

Regulações e desligamento analógico
Ivan Miranda, diretor de Engenharia da RPC (emissora afiliada da Rede Globo no Paraná), moderou a outra sessão da primeira manhã do SET Sul 2016, d e n o m i n a d a “Sessão SET: Regulatórios – Desligamento 2018”. Ao lado de Miranda, estiveram Martín Jales Hon, representando a Anatel; Paulo Henrique Balduino, diretor da Abert; e Tereza Mondino, consultora da SET. Hon atualizou os broadcasters em relação ao trabalho do GIRED, falou do remanejamento e da liberação da faixa de 700 MHz e destacou algumas mitigações de interferências preventivas às quais os operadores de telecomunicação estarão submetidos.

Ivan Miranda (RPC/SET) durante a sessão: “SET: Regulatórios – Desligamento 2018”

Paulo Henrique Balduino lembrou que a antecipação da LTE é outro aspecto que os radiodifusores precisam ficar atentos. “É um processo que corre em paralelo para que as operadoras de banda larga entrem no mercado antes mesmo da digitalização. É uma atividade extra para nós radiodifusores estarmos atentos. Além da questão das superposições, essa é uma das grandes preocupações. Como esse processo será gerido? Como a EAD vai administrar isso?”.
“Teremos, em poucos anos, um Brasil com superposições a serem administradas na busca dos 93%. Além, como já dito, da questão da antecipação das LTEs, sobre a qual não teremos algum controle. Esse é o grande cenário para o qual estamos nos preparando, para o final 2017 e meados de 2018. O Brasil é um caso único no mundo a fazer a digitalização com essa simultaneidade de atividades.
Mas, é um processo que já está ocorrendo e que teremos que chegar até o final dele. O Gired tem sido importante nisso”, acrescentou Balduino.
Tereza Mondino, consultora da SET, explicou o trabalho desenvolvido pelo “Grupo de Espectro” da entidade, e ressaltou que, junto à Anatel e ao então Ministério das Comunicações, o Grupo trabalha para compreender e auxiliar no desenvolvimento dos aspectos regulatórios e procedimentais que incidem na digitalização.
Ela apontou que duas pendências ainda atrapalham o processo de migração: as consignações de retransmissoras de TV secundárias (portaria n. 4.827/2015) realizadas pelo antigo Ministério das Comunicações, e o estudo de viabilidade de antecipação da operação dos canais de replanejamento.
“Há muitos canais secundários que foram deixados de lado. Se a emissora não fizer o seu próprio estudo de viabilidade, não sabe se poderá entrar já utilizando o sinal digital. Isso prejudicou e prejudica o processo de digitalização. A maior parte das emissoras secundárias estão esperando os processos de consignação e eles só têm sido feitos por demanda”, considerou.

Tereza Mondino (SET) recomendou aos presentes que as emissoras devem realizar os seus próprios estudos de viabilidade para a migração

Workflows virtualizados, MAM, e integração de softwares via IP são tendências para 4K
Passando das questões regulatórias e dos debates acerca do futuro da TV no Brasil, o ponto em comum nas seis palestras da tarde da terça-feira, 31 de maio, no SET Sul 2016, girou em torno de aspectos técnicos e de novidades apresentadas por players e fabricantes do mercado audiovisual. Em uma indústria de broadcast cada vez mais voltada ao 4K e ao IP, a integração de softwares abertos e a virtualização nos fluxos de trabalho aparecem como soluções aos produtores de conteúdo e aos radiodifusores. É o que indicaram os expositores no auditório da UniRiter.
Na comunicação “Tecnologia e novas plataformas para a produção de áudio e vídeo”, o diretor regional da AVID, Fred Litowsky, explicou aos participantes do SET Sul como o ambiente IP permite integrar soluções e customizar workflows: “Precisamos criar arquiteturas nas quais se construa uma ‘base’ em que possamos trabalhar com diversas soluções interconectadas, seja de transcode, de ingest, de storage, ou do que o nosso cliente precisar”.
A AVID tem se inspirado nesse modelo e cria uma infraestrutura com o Media Composer e o Media Central dentro de sua estratégia Avid Everywhere. “A ideia é que possamos oferecer uma plataforma unificada aos nossos clientes, pois, dessa forma, é muito mais fácil compartilhar recursos e construir soluções”.
O executivo reforçou que a grande vantagem de um API-First é o usuário passar a ter um sistema aberto. “O nosso cliente pode optar por usar os nossos produtos ou os produtos dos nossos concorrentes, caso os prefira. Nós temos feito isso nas plataformas que desenvolvemos na AVID. Criamos sistemas abertos para dar escolhas ao cliente. Trabalhamos, hoje, com diversos fabricantes concorrentes, com as suas soluções e as nossas infraestruturas. A ideia é ter, então, um sistema mais aberto e útil”, concluiu Litowsky.
Bruno Pessoa, especialista de produtos da EVS, também abordou os workflows IP em sua apresentação, “News and Broadcast Center Solutions”, com destaque para os workflows de notícias. “Antigamente, o fluxo de trabalho jornalístico era ingest e playout. Hoje, há outras necessidades, como content management, archive, ENGingest, armazenamento compartilhado, browser de conteúdos e live content management. Com a AVID, por exemplo, temos uma ferramenta de múltiplos CODECs que permite, inclusive, fazer check-in nas plataformas e nos servidores deles”.
Felipe Andrade, diretor Regional da Snell Advanced Media (SAM), apresentou “A abordagem da SAM para a nova infraestrutura de transmissão baseada em sistemas IP e playout virtualizado”, e falou da migração das plataformas de software do SDI ao IP, bem como da necessidade de trabalhar com virtualização em nuvem.

Sessão “SET: Regulatórios – Desligamento 2018” reúne representantes da SET, da Anatel e da Abert no SET Sul 2016; na foto, da direita para a esquerda, Paulo Henrique Balduino (Abert), Martín Jales Hon (Anatel), Tereza Modino (SET) e Ivan Miranda (RPC/SET)

“Na verdade, não existe ‘a cloud’. Estamos falando de servidores, computadores, em qualquer outro lugar que não seja a nossa emissora, a nossa casa. Há clouds públicas e clouds privadas. Há cinco anos, a estrutura de playout envolvia no mínimo cinco devices físicos. Hoje, o storage, os geradores de efeito, os geradores de caracteres, uma lista de automação, tudo fica em uma única ‘caixa’. Isso reduz o CAPEX, o custo de instalação, o custo de cabeamento, os pontos de integração, o espaço, a manutenção. Além disso, a necessidade de saídas SDI está acabando. Por que não, então, inserir a estrutura de playout no Data Center?
Essa possibilidade de virtualização e de aplicações baseadas em softwares abertos flexibiliza muito. Hoje, a SAM trabalha em parceria com a Cisco nessas aplicações”, explicou o executivo.
Andrade abordou, também, a questão do 4K e da migração do SDI ao IP. “Por alguns anos, o 4K ficou restrito às produções em telas grandes ou para zooms dinâmicos. Hoje, o mercado de consumo está empurrando para baixo o preço dos televisores 4K. Está se criando uma demanda por conteúdos. O problema, aí, não é produção gravada. Mas, sim, a produção ao vivo. Qualquer produção necessitaria de quatro cabos SDI. E é aqui que o IP entra!
Quando falamos em IP, falamos em portas de 10 Gb/s, 25 Gb/s e 40 GB/s. Quando falamos em SDI, chegamos a no máximo 3 GB/s. Em parceria com a Globosat, por exemplo, os nossos switchers Kahuna terão entrada e saída em IP na Olimpíada Rio 2016”.

Bruno Pessoa, especialista de produtos da EVS, destacou os workflows de notícias na sua palestra

Amaury Silva Filho, gerente de vendas da Ross Video, também abordou os ambientes de produção IP/4K e elencou as características favoráveis às estruturas IP – assim como as ainda nem tão favoráveis. “A escalabilidade no SDI se dá através de blocos. No IP, isso se dá maneira mais flexível e simples. O IP consegue carregar muito mais sinais por meio de uma única porta ou um único dispositivo. A facilidade de expansão é outro ponto favorável. Mas, um dos principais ganhos do IP em relação ao SDI é o seu formato agnóstico. A longo prazo, o IP permite muito mais tranquilidade se amanhã os conteúdos vierem em 4K, 8K, HD, 3G ou 4G. Por isso, do ponto de vista do investidor, a infraestrutura IP permite uma longevidade”. Entre os aspectos ainda não tão favoráveis a essa tecnologia, na opinião do executivo, estão a falta de interoperabilidade e o alto custo para implantação de sistemas redundantes.
Fabio Tsuzuki, sócio diretor da Media Portal, lembrou que o tempo para achar uma imagem em MAM com sistema digitalizado é muito menor do que o tempo para recuperar conteúdo em fita analógica ou, mesmo, em um sistema analógico com indexação. “Os salários dos operadores desses processos vão subir, porque os profissionais terão que ser mais qualificados para trabalhar com o MAM. Mas, o trabalho pode ser feito em muito menos tempo. O MAM é uma super ferramenta, capaz de gerar novas receitas e otimizar processos”, ressaltou Tszuki.

Captação em 4K
Fabrízio Reis, responsável comercial da CANON, abordou o tema da “Captação 4K e seus desafios operacionais e técnicos” em sua palestra. “Ouvimos falar continuamente em câmeras 4K. A dificuldade ainda é manipular esses conteúdos. A captação em 4K é absolutamente factível e real e, inclusive, sem grande diferença significativa em relação ao HD. Muitas séries, minisséries e outros conteúdos já são captados em 4K no Brasil, apesar de ainda não transmitirmos neste padrão. O Netflix, por exemplo, já tem a sua biblioteca de títulos em 4K”.
O representante da companhia japonesa alertou ainda que a qualidade de uma lente está relacionada à quantidade de vidro utilizado nela: “Quanto mais vidro, mais escura é a lente. O tamanho do sensor também rege a profundidade de campo. Sensores grandes têm pixels maiores. Sensores pequenos têm pixels menores. Sensores grandes são indesejáveis para a captação jornalística, por exemplo, mesmo em 4K, pois o desfoque fica muito grande com sensores de 35 mm. A captação 4K precisa levar em conta esse desafios na construção de uma lente. Precisamos de câmeras com sensor pequeno, de 2.3’, com MTF (Modulation Transfer Function), resolving power, e alto contrast ratio”, concluiu.

Transmissões via satélite e novas mídias

Fred Litowsky, diretor regional da AVID, destacou a importância dos regionais para a estratégia da empresa ano Brasil

Nos painéis da manhã do dia 01 de junho, os palestrantes indicaram uma tendência do mercado às transmissões de VOD, ao headend e às novas aplicações satelitais. O encontro contou, ainda, com uma palestra sobre a integração da sala de controle mestre nas emissoras de radiodifusão.
Rubens Vituli, diretor de negócios da SES na América Latina, falou das “Novas aplicações via satélite para broadcast”, desenvolvidas pela companhia e disse que esta entende que não adianta pensar apenas nas transmissões satelitais convencionais. “O DNA da SES é o videobroadcast. Somos a primeira empresa de satélites da Europa e estamos completando 17 anos no Brasil e na América Latina, com mais de 300 canais e 19 satélites. Mas, já trabalhamos, também, com novas possibilidades”.
O SAT>IP é uma tecnologia que a empresa está ajudando a fomentar. “É um equipamento que transforma o sinal, já na antena, em IP. Isso é uma grande vantagem porque elimina a necessidade de ter set-top-boxes em todos os pontos da casa, pode ser utilizado por iPad ou notebook conectados à internet”.
O headend in the sky é uma outra possibilidade apontada por Vituli. “É uma forma de colocar todos os sinais de satélite em um streaming único, via satélite. A Multi TV, em Boitúva, no interior de São Paulo, já oferece esse serviço de canais por meio de um único satélite da SES. Assim, você consegue vender canais lineares importantes com baixíssimo custo”, considerou.
Na comunicação “A tecnologia de satélite acelerando a digitalização”, o diretor de vendas da Eutelsat, Ricardo Calderón, apresentou a experiência da companhia em outrosmercados de tecnologia de distribuição de sinais digitais via satélite e afirmou que este “é um meio rápido e eficaz na implantação de redes de distribuição de televisão”.
“O desafio é alcançar o switchoff com orçamento limitado. Temos que pensar em como evitar a exclusão digital antes do apagão e em como alocar o espectro a todos, além de alcançar locais de difícil acesso. A solução pode ser a distribuição de TV Digital por satélite. É uma solução de implantação rápida, de custo benefício viável e que fornece uma boa cobertura, além de independência de infraestrutura e fronteiras. O satélite pode ser manusear vários formatos, como o DVB-S/S2 e o BTS, com compatibilidade. Além disso, ele consegue alimentar distribuição Pay TV, uma necessidade cada dia maior dos clientes”, destacou.

Felipe Andrade, diretor Regional da Snell Advanced Media (SAM), apresentou “A abordagem da SAM para a nova infraestrutura de transmissão baseada em sistemas IP e playout virtualizado”

Raul Ivo Faller, sócio diretor da Youcast e engenheiro da Enensys, contou que a empresa em que trabalha desenvolveu um sistema para transmissão de conteúdos ISDB-T, em compatibilidade com o DVB-S/S2. “Respeitamos as disposições de redes SFN e os conteúdos formatados em MPEG-2 TS na interface aérea. Toda a sinalização BTS e a base de tempo estão inseridas em um PID, otimizam a banda satelital e proporcionam múltiplos usos a um link satelital entre as diferentes normativas”.
Faller abriu espaço para o colega espanhol Juan Pizarro, representante da Enensys, abordar as formas de monetização com conteúdos de televisão via satélite. “A maioria dos países, na América Latina, utilizam o padrão ISDB-Tb. Com SFN, é possível ter o mesmo conteúdo, na mesma frequência e no mesmo tempo. Conteúdos relevantes são a chave para um bom engajamento da audiência e monetização com conteúdos”, defendeu o espanhol.

IMCR: A evolução da sala de controle mestre
Outro dos temas da manhã do dia 01 de julho, no SET sul 2016, foi a evolução da sala de controle mestre, e para isso, o gerente de vendas da Harmonic, Hertz da Silva, falou da experiência da empresa no mercado com soluções integradas e explicou que o IMCR nada mais é do que integrar as antigas salas de master em uma única “caixa”. “A ideia é automatizar todo o processo. Antigamente, existia muito trabalho manual nas salas de controle master. Hoje, as coisas já estão bastante condensadas e automatizadas”.
“O IMCR começou com o conceito de channel in-a-box. Mas, o controle mestre integrado envolve capacidades de grafismo também, trazendo mais eficiência nos fluxos de trabalho de sua emissora. A Harmonic tem oferecido o controle mestre integrado em uma unidade de rack. O Master Control 3.0 é uma necessidade!”, finalizou o executivo.

Otimização de custos e processos
Em um momento de evolução gradativa das tecnologias de captação de imagem e de mudanças nas formas de tráfego de sinal de vídeo do SDI ao IP, os palestrantes da tarde do segundo dia do SET Sul 2016 ressaltaram a importância de trabalhar com sistemas irradiantes, eficiência energética e integração na produção, no gerenciamento e na distribuição de conteúdos na indústria audiovisual. As medidas se colocam como primordiais na redução dos custos e na automatização dos processos de produção das emissoras, sinalizaram os palestrantes.

Amaury Silva Filho, gerente de vendas da Ross Video, abordou os ambientes de produção IP/4K

Iniciando as exposições, o engenheiro de suporte a vendas da Sony, Erick Soares, apresentou uma “visão geral das inovações tecnológicas oferecidas na era Beyond Definition“. Soares falou de questões relacionadas ao UHD – como o HFR, o HDR, o Wide Color Gamut – e das implicações do tráfego de sinais em IP/4K.
Outros aspectos da experiência “Além da Inovação” destacados pelo representante da Sony foram as contribuições multilink via 3G ou 4G, com streaming ao vivo, e o tráfico de dados gravados da rua diretamente para a emissora, e da rua para a nuvem, com as equipes de produção podendo acessar esse conteúdo de qualquer lugar. “Também é importante pensarmos em edição durante gravação. Essas são algumas das tecnologias que trazem benefícios aos broadcasters. Qualidade de imagem é fundamental, mas, já não é tudo”, concluiu Soares.
Quem também falou aos congressistas do SET Sul 2016 na tarde do segundo dia do evento foi o gerente comercial da IF Telecom José Roberto Elias. Em sua palestra, Elias abordou aspectos técnicos e econômicos relativos à escolha de antenas de FM e de TV Digital e ressaltou cuidados importantes na implantação dessas novas tecnologias. “Precisamos dar confiabilidade aos nossos clientes. Depois que uma antena é instalada, não se pode querer subir no topo da torre para trocar. A escolha da antena recai no perfeito balanceamento entre o sistema, a outorga e a localização da emissora. É preciso fazer uso de ferramentas de simulação e de manchas de cobertura para preservar esses investimentos”.
Paulo Damasceno, da Hitachi Kokusai Linear, mostrou a nova geração de equipamentos da companhia, uma linha de produtos focada na eficiência energética e na redução de custos. “Após o filtro, [a eficiência] pode chegar a 42% na nossa família de transmissores digitais UHF E-Compact. São equipamentos com maior densidade de potência e, ao mesmo tempo, mais compactos, por isso o nome da família. Mecanicamente, estes equipamentos foram pensados com gavetas menores, fonte redundante, além das funções que já possuíam os produtos da antiga família de transmissores da Linear. A fonte também passou a ser hotswap, assim como os acessos às ventoinhas e fontes de ar”.
“A eficiência energética é algo que todas as emissoras buscam hoje. O desafio de todo fabricante é conseguir equalizar um equipamento eficiente com bons níveis de MER e de equalização. Isso implica na relação de custo do equipamento. Um equipamento eficiente é um equipamento mais caro. Mas, esse custo pode ser pago com a redução de consumo de energia. Há equipamentos que se pagaram em dois anos, por proporcionarem economia de energia de 50% em relação aos antigos transmissores. Além disso, esses equipamentos reduzem a dissipação de calor, o custo com manutenção e a refrigeração dos aparelhos”, ponderou o executivo da Hitachi.

Rubens Vituli (SES) no auditório da UniRitter em Porto Alegre (RS)

Automatização e integração da produção jornalística

Em uma palestra descontraída, intitulada “Integração de sistemas: otimização do tempo e agilidade de processos”, Raquel Oliveira, analista de treinamentos da SNEWS, argumentou que existe uma crescente demanda de softwares para automatização de processos dentro das empresas jornalísticas de radiodifusão.
“Com um iPad ou um tablet, geramos economia na impressão, agilidade na produção, envio de matérias para os e-mails dos jornalistas, permissão de acesso a usuários e integração entre praças, além de economia em ligações, mobilidade, facilidade na comunicação interna com chats no software e integração entre os funcionários da emissora”, considerou a jornalista. “A automatização nas redações está bastante avançada. Faltaria desenvolver a integração com os repórteres na rua e os editores, nas ilhas de edição, no playout, no MAM. A plataforma da SNEWS já possibilita essa integração”, finalizou.

 

 


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