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O Fortalecimento da Radiodifusão

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“O OLHAR DOS ESPECIALISTAS DA SET”

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por Ioma Carvalho e Gustavo Quintella

O NAB Show 2016 deixou muito claro que, em meio a tantas inovações tecnológicas e novos players e concorrentes no mercado, os radiodifusores mantêm sua posição de destaque no mundo da mídia – e há poucas chances de que isso mude em um futuro próximo.
A TV e o rádio não se tornaram obsoletos com a revolução tecnológica que vivemos hoje. Pelo contrário, aperfeiçoaram-se, evoluíram e são hoje ainda mais atrativos ao público, com maior qualidade de som e imagem, maior confiabilidade de seus sinais e mais interatividade.
Nunca esteve tão longe o apocalíptico fim da era da radiodifusão, prenunciado pelos céticos ao “tradicional” modelo de negócio. Não se concretizaram os rumores tão difundidos de que uma queda generalizada das audiências – causada pelo surgimento de novas ofertas de entretenimento e por um alegado crescente desinteresse do público pela TV e o rádio – corromperia o negócio da radiodifusão e nos privaria do papel de principal veículo de mídia.
Na verdade, temos assistido ao longo dos últimos anos a uma reinvenção da radiodifusão. Em um momento crítico, nossa indústria tomou uma decisão vital que se mostrou acertada: não combatemos as inovações, não tentamos suprimi-las ou retardá-las e não tomamos uma postura defensiva em relação ao novo e ao desconhecido. O maior acerto da radiodifusão, nesta década, foi se aproximar das novas tecnologias, adotá-las e incorporá-las a seus produtos e serviços, preocupando-se sempre com dois aspectos fundamentais: manter seu conteúdo o melhor e mais atrativo possível e prezar pela relação qualificada que desfrutamos com nossos consumidores.
Em outras palavras, não fomos afogados pela onda das inovações, mas embarcamos nela e, nessa nova jornada, estamos experimentando um sucesso que, em alguns casos, superou nossas próprias expectativas. Um dos exemplos mais surpreendentes é o da plataforma de VOD da TV Globo, o Globo-play, que, lançada em novembro de 2015, superou a marca de 6 milhões de downloads em dispositivos móveis em maio de 2016.O VOD é apenas um dos muitos exemplos da reinvenção da radiodifusão. OTT, simulcast, mídias sociais, transmídia, IPTV, são outros termos e conceitos que, atualmente, fazem parte de nosso cotidiano. Nossos consumidores podem escutar a programação do rádio pela internet. Podem assistir à TV em tablets, smartphones ou computadores. Estamos mais presentes do que estávamos no início da década. Não somos confinados à casa das pessoas – estamos também nos carros, no trabalho, na palma da mão.
A revolução tecnológica nos tornou mais flexíveis e viabilizou a entrega de nosso conteúdo por novos meios, sob novos formatos e em novos momentos. Esse cenário trouxe o efeito positivo de tornar o nosso conteúdo ainda mais valioso sem, porém, alterar nossa essência: continuamos gratuitos. Em seu discurso de abertura do evento em Las Vegas, o presidente da NAB, Gordon Smith bem destacou que não enviamos uma fatura ao nosso público. Não há cobrança pela entrega do conteúdo da mais alta qualidade disponível no mercado. É nesse sentido que o presidente de televisão do grupo Disney/ABC, Ben Sherwood, observou que não há nada que substitua nossa relação com o público. Segundo ele, esse é o superpoder da radiodifusão.
A radiodifusão continua entregando aos seus telespectadores aquilo que eles querem assistir de maneira gratuita e ininterrupta. Os investimentos feitos anualmente por cada emissora a fim de disponibilizar conteúdo de cada vez mais qualidade são colossais. Vale lembrar que muitas das novas tecnologias são primeiramente testadas e incorporadas pela radiodifusão até que sejam adotadas pelas outras mídias. Esse custo é incalculável e mesmo assim o telespectador continua a receber esse conteúdo de forma gratuita.
Estando hoje evidenciado que as novas tecnologias vieram para fortalecer a radiodifusão e não para acabar com ela, é importante lembrarmos de como os radiodifusores têm um papel fundamental na sociedade, cujo alcance é insuperável. Podemos começar a ilustrar esse argumento em aspectos cotidianos: qual mídia, além da televisão, conseguiria conectar mais de 115 milhões de norte-americanos simultaneamente ao mesmo conteúdo, como aconteceu durante a transmissão do Superbowl deste ano? Qual mídia, que não a televisão, tem a capacidade de unir a atenção de todo o Brasil em torno de um mesmo programa, como costuma ocorrer com as transmissões das Copas do Mundo ou de episódios finais de novelas de sucesso como Avenida Brasil? Não é factível que 100 milhões de brasileiros assistam simultaneamente ao mesmo vídeo no YouTube, ou à mesma série no Netflix, por maior que seja a força e a disseminação atual dessas plataformas.
Fica assim evidente a essencialidade dos serviços prestados pela radiodifusão, com nosso alcance e penetração sem paralelo. Somos provedores de informação, que é essencial para a manutenção e o desenvolvimento de nossa sociedade democrática. Informamos o público a todo tempo e em tempo real, sobre eventos diários, sobre os grandes acontecimentos e também em situações de emergência. O público conta com os radiodifusores para manter-se informado e confia que seu sinal permanecerá sempre no ar, não importa o que aconteça ou que tragédia se imponha. As comunidades se reconhecem em sua programação local e têm sua identidade própria reforçada. Elas confiam no profissionalismo dos radiodifusores, e reconhecem, com sua audiência, a credibilidade das informações transmitidas.
Mais do que uma vitrine da inovação e do futuro em nossa indústria, o NAB Show 2016 foi uma demonstração de como a radiodifusão continua forte, em tempos de profundas mudanças, e do quanto ela significa para as comunidades nacionais e locais. Enquanto respondia a uma sessão de perguntas, o presidente da Federal Communications Commission (FCC) Tom Wheeler conseguiu, em poucas palavras, expressar esse sentimento geral: “A radiodifusão nos mantêm unidos. Ela sempre nos manteve unidos”.

ed159_pag58_2Ioma Carvalho é gerente Jurídica das Organizações Globo e coordenadora do Módulo de Propriedade Intelectual do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre. Contato: ioma@globo.com.br.

 

 

ed159_pag58_3Gustavo Quintella é advogado das Organizações Globo, graduado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Contato: gustavo.quintella@globo.com.brNAB

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